terça-feira, 19 de junho de 2007

Respondendo a Roberto Drummond

Em sua maravilhosa crônica “Para torcer contra o vento”, o grande Roberto Drummond faz uma série de perguntas sobre um dos maiores patrimônios da Humanidade e, se me derem licença, as responderei.
“Ah, o que é ser atleticano?” Ser atleticano é ir do Céu ao Inferno em questão de dias e saber que retornará ao topo mais forte. É ter orgulho de suas cores, de sua história, de suas conquistas. Como o próprio Drummond disse, é torcer contra o vento. É ser injustiçado, roubado e caçoado por pessoas que, na verdade, têm inveja de tudo conquistado pelo Galo. É sair pelas ruas vestindo o Manto Sagrado com o maior orgulho do mundo e mostrar às pessoas que ali tem um torcedor atleticano, e não um simpatizante qualquer.
“É uma doença?” Sim. É uma doença que é passada geneticamente e transmitida pelo ar. Quem vai ao Mineirão e o vê lotado pela Massa acaba contaminado e não existe cura para isso. Acredito que nunca desenvolverão uma cura. Ainda bem, pois sou o doente mais feliz do mundo!
“Doidivanas paixão?” Doidivanas, não tenho certeza. Mas certamente é uma paixão. Em seu sentido original, paixão quer dizer um sofrimento causado por amor. E atleticano sofre! Não por causa do time, mas por causa da arbitragem, nossa eterna inimiga. Sempre há um José de Assis Aragão, um José Roberto Wright, um Márcio Resende de Freitas, ou um Carlos Eugênio Simon, entre tantos outros, para estragar nossa festa. Sempre há um Flamengo, um Corinthians ou um Botafogo que não consegue vencer o Atlético com força própria, então precisa de um empurrãozinho para facilitar as coisas. Eles que nos esperem. Parecem não saber o que diz nosso hino: “Clube Atlético Mineiro, Galo forte vingador!”
“Religião pagã?” Sim. Somos seguidores de uma religião pagã e politeísta. Temos vários deuses e salvadores como Reinaldo, Dadá, Éder, João Leite, Jairo, Said, Mário de Castro, Ubaldo Miranda (meu conterrâneo), Kafunga, Taffarel, Marques, Guilherme, Gilberto Silva e mais uma infinidade de deuses, santos e heróis que vestiram o Manto Sagrado. É uma injustiça não colocar o nome de todos aqui, mas se eu o fizesse, teria de escrever um livro, e não uma crônica.
“Bênção dos Céus?” Sim. Ser atleticano é a maior bênção que podemos receber. É impossível que tamanha força, que leva milhões aos estádios independentemente do dia, da hora, das condições do tempo (não se esqueçam que o atleticano torce contra o vento) ou de qualquer outro fator seja algo terreno.
“É a sorte grande?” Bem, a pergunta final já foi respondida através das outras respostas. Apesar de toda roubalheira e injustiça que enfrentamos nesses quase 100 anos de história, somos felizes, apaixonados, vencedores e acima de tudo fiéis. Os atleticanos são conhecidos por sua fidelidade e apoio ao time em todos os momentos. E isso não é ter a sorte grande?
Infelizmente não pude entregar essa resposta pessoalmente a Roberto Drummond. Esse atleticano de valor se foi numa noite de junho de 2002, em plena Copa do Mundo, deixando uma legião de fãs e de atleticanos órfãos do talento inigualável do escritor que conseguiu, como ninguém mais, retratar a emoção de ser atleticano. Mas sei que, independentemente de onde esteja, ele está lendo isso. E espero que esteja gostando.

Lucas C. Silva

5 comentários:

Anônimo disse...

muito bom
que Roberto Drummond abençôe nosso centenário para que muitos títulos venham

Jonas Jr disse...

Parabéns você tem talento ficou muito boa a crônica...

Quentin disse...

Parabens pela cronica!

Juliana disse...

muito lindoooooooooo... ficou muito massa mesmo...

Mateus Pieroni disse...

Capa postei no meu blog....
depois vai lá para ver!
http://www2.eunaotenhonome.com.br/mateuspieroni/blog/atletico