sábado, 12 de abril de 2008

Da arte de multiplicar os corações

Estamos em março de 3008. Um historiador, um filósofo, um matemático, um sociólogo e um especialista em física quântica se debruçam sobre um dos mais admiráveis mistérios da natureza humana. O dilema está lá no painel, projetado a laser: "Como transformar 22 em milhões?". A um esperto bastaria agregar uma coleção de zeros. Mas aí se teria um resultado meramente virtual.
Meses e meses de estudo sem palavra final, decidiram importar um sábio do Tibet. Veio com aquelas roupas de monge. Se postou diante deles, alisou a barba por horas. E resumiu: restaria confiar na paciência e se render à rotação espontânea da natureza, que ela cuidaria de tudo. Insatisfeitos, resolveram consultar um apaixonado. Seguindo recomendação histórico-estatística, optaram por um brasileiro. Foi escolido a esmo um que comia um feijão-tropeiro numa região cercada por montanhas e vales. Por acaso, mineiro.
Fizeram então a pergunta a ele: "Como transformar 22 em milhões?". Ele foi sucinto: "Com paixão, ora". Peralá!!! "Mas como assim?", retrucaram os acadêmicos. Em seus manuais constava que a paixão era um sentimento individual. Leram e releram os capítulos dedicados ao tema e pediram mais explicações ao entrevistado. Ele logo desaconselhou a utilização de máquinas calculadoras ou computadores de última geração, porque ali não encontrariam pistas.
Daí sugeriu: "Pensem num sonho; se concentrem agora em duas cores que formam o mais equilibrado e insinuante matiz da face da Terra. Por fim reflitam sobre o que é fidelidade, o que é acreditar na capacidade de derrotar as tempestades e seus fantasmas. Adicionem a isso a magia de um futebol em que a raça e técnica formam um conjunto imbatível". Os estudiosos já estavam quase em transe, os batimentos cardíacos se acelerando, quando ele intercedeu: "Agora, todos juntos gritem 'Galo, Galo, Galo', gritem cem vezes 'Galo'!".
Semana seguinte, historiador, filósofo, matemático, sociólogo e especialista em física quântica estavan em pleno Mineirão. Provando do feijão-tropeiro. E daquele sonho de 22 meninos que fundaram o Clube Atlético Mineiro em 25 de março de 1908 e repartiram aquela chama de esperança com milhões, milhões de atleticanos.

Eduardo Murta

6 comentários:

Debora Ferreira disse...

aaai meu Deus, que liiindoo (:
o nosso time foi construido mesmo com amor e ée assim que todas as pessoas que torcem pra ele vão se sentir; apaixonados. Melhor sensação de todas ! GAAALOOO !!!!!!!!

Dona Moça disse...

Ahhh... só precisei dessa frase "Como transformar 22 em milhões?" pra saber que se tratava do GALO!

^^

Divagações paralelas..
O texto fala de um monge, hj pensei sinceramente em me tornar uma monja, rs!

Michelle disse...

seria melhor se vc falasse do flamengo,mas tá valendo,rsrsrsrs,brincadeira,bom texto!

Flá Absolut disse...

Ahhh agora que vi no final que vc colocou o nome da pessoa que escreveu

ah, mas só o fato de ter colocado um post assim .... tinha que ter inspiração ^^

:)

Cris Penha disse...

Uma dica para vc que gosta de Júlio Verne: o site do The Smithsonian's Jules Verne Centennial tem uma coleção imagens escaneadas de edições antigas de obras de Julio Verne.

http://www.sil.si.edu/OnDisplay/JulesVerne100/index.htm

Espero que goste!

Solitário disse...

Isso é o Galo, é paixão, amor, fé... Quando se vai no mineirão lotado e todos estão gritando Galo, não há sensação igual...

E hoje nós vamos acabar com esse tupizinho...