sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A chopada

Quinta feira - 4 de setembro de 2008
Música rolando alta na Praia Vermelha, alunos de Comunicação Social bebendo na praia. Isso que ele encontra ao chegar na chopada.
Cumprimenta amigos e desconhecidos, pega uma lata de cerveja e vai dançar com a turma. Continua o mesmo péssimo dançarino de sempre, mas não está nem aí. Quer mais é se divertir. Alguém cutuca suas costas e, ao virar-se, uma ótima surpresa. Ela, mais linda do que de costume, o abraça e ele retribui com um beijo em seu rosto.
A música continua rolando e, entre uma dança e outra, eles vão ao bar buscar outra cerveja. Cantam, dançam, bebem, riem e conversam. E a hora passa. Por volta de 0:30, já tomados pelo cansaço, eles se distanciam do grupo e se sentam na areia. E ficam lá, sentados, olhando para o Pão de Açucar e para as luzes de Niterói, ao longe, enquanto conversam.
Talvez pelo efeito do álcool, ou pelo clima mesmo, ele olha para ela e cria coragem para revelar o amor que vem nutrindo há algum tempo. Mas, antes que possa dizer algo, estão enroscados um no outro, se beijando.

Segunda feira - 8 de setembro de 2008
Ele chega na universidade louco para vê-la novamente. Senta-se sozinho no Laguinho e lê alguma coisa enquanto espera. Alguns alunos chegam, conversam com ele sobre a chopada de dias atrás e saem. Mas ela não chega.
Quase na hora da aula começar, ele, mais uma vez sozinho naquela mesa, olha para o corredor e a vê chegando. Ela o vê, desce o Laguinho e vem em sua direção. Meio que instintivamente, ele se levanta e quando vai abraçá-la, ela diz séria:
- Precisamos conversar.
- Tá.
- Olha só, sei que você gosta de mim, mas não vai dar certo nós dois juntos. O que aconteceu na praia na quinta... sei lá, foi coisa do momento... Eu nem sei direito porque fiz aquilo. Gosto muito de você como amigo e acho que é assim que as coisas devem continuar a ser.
Sem acreditar no que acabou de ouvir, ele não é capaz de dizer nada. Só olha nos olhos dela e balança a cabeça. Então se levanta e pega a mochila.
- Onde você...?
Ela não tem tempo de terminar a pergunta. Fingindo não ouvi-la, ele se vira de costas e sobe as escadas do Laguinho.
E nos dias seguintes, ninguém na universidade tem notícias dele...

5 comentários:

Euzer Lopes disse...

Pancadas de amor...
Dizem que não são doloridas.
Quem disse isso nunca amou.
A sorte é que passa.
E a dor do presente vira apenas uma cicatriz no futuro.
E cicatrizes servem apenas para lembrar que crescemos, que superamos obstáculos. Que caímos, nos machucamos, mas fomos mais fortes que a dor e conseguimos vencê-la.
E pra vencer a dor, tem de senti-la por inteiro.
Por isso ninguém o encontra na faculdade. Ele e a dor estão se conhecendo melhor.

Jonas disse...

Porra meu, eu dava um cacete nessa menina...
E uai, vaca...
Oi quando e que vai escrever um livro?

Wander Veroni disse...

Ai, ai...esas mulheres que adoram fazer cú doce (expressão para quem quer uma coisa e se faz de difícil)! Uma coisa que aprendi nesses meus 23 anos e que qdo tenho oportunidade passo pra frente é uma constatação pessoal: as mulheres ñ gostam de homens bonzinhos.

Gostam de cafajestes! Todas. Vc tem q saber ser um cavaleiro na hora certa e um cafajeste qdo precisa. E essa é uma hora de ser cafajeste. Por mais q se ame, é preciso ter o amor-próprio-misurado-com-vingaça-pessoal e dizer: "Quem disse que eu tava afim? Só foi o momento, gata? Se toca?".

Mulher gosta da expectativa. Enquanto nós homens somos mais objetivos: o nosso sim é realmente sim, enquanto o não delas, pode realmente significar um sim, dependendo do contexto.

Abração,

=]
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Gabriel disse...

Muito bom!! Vai ter continuação??
(q pergunta clichê, hehehehe)

Ah só faria uma correção:
"alunos de Comunicação Social bebendo EXAGERADAMENTE na praia"
hahahahahahahaha

abraço!!

gerson disse...

tem que dar um trancaço na guria, depois de colocar ela na geladeira.O wander tem razão. Mulher gosta de mau elemento, assim como torcedor gosta de jogador bandido em seu time.
Legal o texto. Lembrou-me uma noite em 1996, quando tb tomei muitas cervejas com parcerias de vários lugares do brasil(incluindo minas) na praia vermelha. Foi muito legal. Pena que hoje perdi contato com quase todos.
Já fiz boas viagens ao rio, mas faz 12 anos que não ponho os pés aí.
Grande abraço