quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Adeus ano velho

Eu queria escrever um texto bonito sobre 2009. Queria fazer algo lírico, que tocasse o leitor e transmitisse tudo o que o melhor ano da minha vida significou pra mim mas, sabe-se lá por que, não está saindo nada de bom... Então vou tentar falar o que eu puder aqui. Espero que gostem, ou ao menos compreendam.
Esse foi o melhor ano da minha vida, onde (quase) tudo que eu queria que acontecesse, aconteceu. Realizei muitos dos meus sonhos, até aqueles meus mais secretos e irreveláveis. Voei de avião, viajei muito, andei de bicicleta, desenhei, escrevi, tirei muita fotografia e vi a lua cheia nascer na Lagoa da Pampulha ao lado de uma garota incrível.
Conheci meu cantor favorito, isto é, conheci primeiro suas músicas, depois o conheci ao vivo. O Vander Lee simplesmente escreveu a trilha sonora do meu ano. Ouvi suas músicas no Rio, ouvi suas músicas em Minas, ouvi suas músicas em Fortaleza. Ouvi suas músicas nos momentos mais felizes e mais tristes do ano. Mas nem só de Vander Lee viveu meu 2009 musical. Paula Fernandes, Pato Fu, Mariana Nunes, Milton Nascimento, Lighthouse Family, rock dos anos 80, César Menotti e Fabiano e até Tomate também deram as graças nesse ano que está acabando. Para completar a salada musical, não podia deixar de entrar aqui o cara que mais tenho ouvido nos últimos meses, um certo cantor uruguaio, vencedor do Oscar, Jorge Drexler... Uma espécie de Vander Lee cisplatino.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Canção da América

Um filme passa na minha cabeça.
Imagens soltas, de amigos felizes, comendo pizza, jogando Uno, discutindo trabalho, matando aula no shopping, viajando ou almoçando juntos... Estranha essa sensação de quando algo muito bom termina. Parece que tudo passou tão rápido, que não aproveitamos direito o tempo, que ficou algo por dizer...
Ficou algo por dizer?
Muito obrigado. Acho que se eu pudesse dizer algo a eles, esse algo seria muito obrigado. Marcelo, muito obrigado por suas histórias SEN-SA-CIO-NAIS; Vanessa, muito obrigado por seu abraço quando mais precisei; GG, muito obrigado por suas palavras de apoio; GP, muito obrigado pelos segredos guardados; Jacque, muito obrigado por me manter sonhando; Ana, muito obrigado pela companhia, especialmente naquela noite medonha em Saquarema; Tássia, muito obrigado pela companhia nos almoços do segundo período; Carol, muito obrigado por sua paciência, doçura e meiguiçe...
Não sei se esses agradecimentos estão saindo levianos. Eu queria dizer algo mais profundo, fazer uma homenagem personalizada a cada um de vocês, que fizeram meu ciclo básico, cada aula chata e insuportável valer a pena. Levianos ou não, os agradecimentos são de coração. Tem a sinceridade do tamanho da minha vontade e incapacidade de agradecer por tudo e pedir desculpas por todas as besteiras que falei. As palavras duras que por ventura eu soltei, foram da boca pra fora. As palavras doces, foram do coração!
Ainda não caiu a ficha. Parece que segunda vou chegar na sala de aula, encontrar o Gabriel Pereira no corredor, me sentar no canto direito da primeira fila, guardando o lugar da Vanessa, do Gabriel Guimarães e do Marcelo, enquanto Jacque, Tássia, Carol, Ana e o GP se sentarão logo atrás de nós. Parece que quando o primeiro professor faltar (ou não), correremos todos pra Saraiva do Rio Sul, ou pro Sujinho e lá passaremos um bom tempo cultivando nossa amizade. Parece ainda que no fim de alguma aula, todos nós iremos pro Bigode ou pra algum outro bar como fizemos na tarde de hoje, a última tarde em que fomos colegas de turma...
É, enquanto eu escrevo isso, a ficha começa a cair... e dói.
Colegas de turma não somos mais todos. Mas, com a experiência de quem já se mudou de estado, deixando grandes amigos para trás, digo que isso não significa o fim da nossa amizade. Digo mais, isso pode se tornar até o fortalecimento de nossa amizade.
Marcelo, Gabriéis, Jacque Tássia, Vanessa, Carol e Ana, chegou o momento que, apesar de não gostarmos, todos sabíamos que viria. Cada um, a partir de hoje, segue seu rumo. Mas, apesar de horários, aulas, estágios e tudo mais nos separarem, sempre estaremos juntos como grandes amigos que somos.
Saibam que quando eu realizar meu sonho de morar em Belo Horizonte, não serei de todo feliz. Uma parte de mim estará triste por estar a famosos 350 quilômetros de todos vocês. E minha casa nas alterosas montanhas mineiras estará sempre de portas abertas a todos vocês!

Seus cariocas safados, adoro vocês! Muito obrigado por tudo!

Me despeço de vocês com o carioca mais mineiro do mundo: Milton Nascimento.


Canção da América

Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi

Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir
Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou

Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Pois seja o que vier, venha o que vier

Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.

PS. Porra, olha o que vocês me fizeram! Estou lendo essa letra com um nó na garganta!

Lucas C. Siva

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A mão na tesoura

Era noite na Urca, uma lua cheia insistia em aparecer naquele céu tão cheio de nuvens. Emanuel Toyé, francês radicado no Rio de Janeiro, voltava para casa após o coquetel de abertura de sua exposição no Museu de Arte Moderna, entitulada A mão na tesoura.
O artista plástico estacionou seu Renault na garagem e assobiando, caminhou para dentro de casa. Ao colocar a chave na fechadura, as luzes se apagaram. Blecaute, breu quase completo. O luar, ofuscado pelas nuvens, permitia enxergar pouco. Assustado, Emanuel entrou em casa.
A escuridão e o silêncio da casa vazia sufocavam e assustavam Emanuel. O artista correu para o segundo andar, onde ficava sua suíte. Com dificuldade, achou a gaveta da estante onde guardava sua lanterna.
Clique.
Uma luz fraca piscou e logo se apagou. O artista lembrou-se de sua nota mental para trocar as pilhas. Troca não realizada. Naquele momento era tarde, Inês era morta e Emanuel estava no escuro.
O artista então correu até as janelas e abriu as cortinas. O fraco luar iluminou um pouco o quarto. Não o suficiente para que Emanuel pudesse enxergar algo, mas o suficiente para espantar um pouco da solidão.
Emanuel não era um homem solitário. Apesar de morar sozinho, recebia sempre visitas. Artistas, intelectuais, jornalistas e amantes eram presenças constantes em sua casa. Mesmo quando estava só, Emanuel não se sentia solitário. As luzes iluminavam as salas, permitiam a leitura. Dostoiévski, Baudelaire, Neruda, Verne, Borges e Foucault eram suas companhias.
Naquele momento, sozinho e no escuro, Emanuel sentiu-se solitário. E com medo.
As nuvens se esparçaram, aumentando a intensidade do luar. O quarto, naquele momento, estava iluminado, assim como o jardim e a rua onde morava. Ao olhar para a frente de casa, Emanuel sentiu um imenso frio na espinha.
Duas sombras pularam a mureta de sua casa e avançaram com agilidade pelo jardim. Emanuel, congelado de medo, sabia que precisava fazer alguma coisa. Recuperado do susto original, correu até o banheiro de sua suíte, pegou uma tesoura e se escondeu em seu armário.
Do armário, Emanuel ouviu a porta da sala se abrir. E ouviu os passos atravessarem a sala. E ouviu os passos subirem as escadas. E ouviu os passos se aproximarem do quarto. Então, da fresa da porta do guarda-roupa, viu a luz de uma lanterna passar pelo chão do quarto, enquanto uma voz cochichava:
- Olha, a janela está aberta! Ele deve estar em casa!
- Agora o cuidado então é redobrado!
As figuras reviraram todas as gavetas. Não encontraram o que procuravam. Então passaram aos guarda-roupas. Iam abrindo porta a porta. Emanuel sabia que a hora estava chegando. As figuras então chegaram na última porta.
Emanuel não soube direito o que aconteceu. Viu apenas as portas se abrindo, uma luz forte na sua cara e a silhueta de sua mão cravando a tesoura em uma das figuras, que soltou um berro. O artista pulou do móvel, empurrando o outro que derrubou o revólver.
Ouvindo tiros, o artista desceu as escadas correndo e se adiantou a seu jardim. O artista via o portão se aproximando, então tudo escureceu e se silenciou.

Na manhã seguinte, um jornal destacava na capa que Emanuel Toyé o artista responsável pela exposição A mão na tesoura fora morto durante um assalto em sua residência, na Urca. Embaixo da manchete, via-se uma foto do artista morto no chão e em sua mão, uma tesoura.


O texto foi um desafio que impus a mim mesmo. Sem inspiração, pedi pra três pessoas darem um título, um lugar e um personagem para que eu criasse um conto. Este foi criado em um pouco mais de meia hora.
Agradeço a colaboração de Clarice Bernardo que sugeriu o título, Jacque Lourinho, que sugeriu o lugar e Gabriel Guimarães que sugeriu o personagem.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Distopia

O que é uma distopia? É uma utopia às avessas, isso é, um lugar imaginário onde tudo é negativo.
Por que estou falando de distopia? É porque ontem eu tive mais um sinal de que o futuro da humanidade está caminhando para a distopia que sempre temi, uma distopia onde as máquinas controlam o mundo.
Não, não estou falando de controle no estilo O Exterminador do Futuro. O controle que eu imagino é ainda pior, já que, ao contrário do filme do governador da Califórnia (cujo nome não sei escrever e tô com preguiça - ou pressa - demais pra procurar), nessa minha distopia não haverá resistência humana, e quando percebermos o perigo que está sendo construído, será tarde demais.
Como será esse futuro tão apocalíptico? Você já viu WALL-E? O filme mostra exatamente como imagino que seremos em alguns séculos: Pessoas que, na verdade, não precisam se cansar pra se locomover. Viverão em cadeiras flutuantes (ou não) que se movimentam sozinhas, tirando assim a necessidade de andar com as próprias pernas. Passarão o dia sendo servidas por robôs, que farão todo o trabalho. Você precisa de um copo d'água? Um robô traz pra você. Seus dentes precisam ser escovados? Traga aquela escova automática. Um órgão seu está com problemas de funcionamento? Coloque algo bioeletrônico no lugar!
Pra que ter uma estante de livros? Basta carregar um aparelhinho onde uma biblioteca inteira estará armazenada! Pra quê perder o tempo discando no telefone pra falar com alguém? Uma telinha holográfica fará você ter contato com qualquer pessoa em qualquer lugar no mundo! Mesmo ela estando a um metro de você!
Até que um mundo onde não precisamos nos esforçar, onde órgãos são substituídos por máquinas sem perigo de rejeição, etcetera e tal parece algo muito bom. E é, não fosse a dependência em relação as máquinas, máquinas que sempre falham.
Nossos antepassados viviam perfeitamente sem tecnologia digital. Hoje em dia, um dia que o Twitter passa fora do ar, causa um deus nos acuda. Quem aqui nunca ficou desesperado ao cair o MSN durante uma conversa importante (ou não) que atire o primeiro mouse! Imagina o que aconteceria hoje se todas as máquinas falhassem, assim, de repente? Aliás, imagina o que seria dos nossos descendentes distópicos num cenário desses?
Isso sem contar com a maior frieza que seria a relação entre as pessoas. Afinal, no filme (e no futuro, pelo andar da carruagem) as pessoas só se comunicarão através de tecnologia digital. Falar pelo MSN é muito mais barato e cômodo que passar um interurbano. Mandar um e-mail é muito mais rápido e barato que enviar uma carta. Mais barato, cômodo e frio... Mas uma tendência.
Sim, estou sendo pessimista, mas acredito que existe a possibilidade de nossos relacionamentos no futuro serem cada vez mais digitais. E quando falo em relacionamento, estou falando de namoro mesmo (se é que vai existir namoro). Conversaremos em um mundo digital, nos relacionaremos num mundo digital e filhos? Com manipulação genética poderemos escolher nossos melhores genes, e com fertilização in vitro, poderemos produzir filhos sem o risco de aborto... e sem sexo! Já pensou?
Ah, e o que eu tô falando aqui não é novidade não. Desde o século 19 já tem gente preocupada com isso. Em A Guerra dos Mundos, H. G. Wells já dizia isso. No livro, os marcianos que invadem a Terra são apenas cérebros, sem emoção ou qualquer tipo de sentimento, apenas razão e totalmente dependentes de máquinas. Se alimentam injetando sangue dentro de seus corpos (paladar pra que?), se reproduzem através de manipulação genética (amor pra que?) e foram mortos por uma simples bactéria. O próprio Wells disse que, pela evolução (ou não) humana no século 19, em algumas centenas ou milhares de anos, os homens seriam cada vez mais semelhantes aos marcianos. Vendo a explosão da tecnologia digital e sua cada vez maior presença em nossas vidas, alguém duvida disso?
Como eu disse, estou sendo pessimista nessa minha "previsão". Pode ser que no futuro as coisas não sejam tão apocalípticas. Mas, no meu ponto de vista, pelo andar da carruagem, em breve estaremos numa espaçonave, sendo servidos por robôs enquanto outros robozinhos limpam a sujeira que deixamos na Terra...

Ah, e antes que eu me esqueça, ontem saí em cima da hora para ir pra aula e peguei o elevador. Elevador esse que ficou preso entre o térreo e o G1. É isso que acontece quando dependemos das máquinas!
A partir de hoje, pra mim é só na escada!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Chuva de selos e memes

Faculdade tem suas vantagens e desvantagens. É um mundo totalmente novo, com inúmeras possibilidades a se explorar, muitos perigos a se enfrentar, com recompensas e preços a se pagar. Alguns dos preços que estou pagando são a falta de tempo, inspiração e ânimo para leitura. Infelizmente, o tanto de xerox, livro, bla-bla-bla e sei lá o quê que temos pra ler na facul acabam me afastando de blogs interessantíssimos e até mesmo diminuindo o rítmo das postagens aqui. Por isso, imaginei que não receberia mais selos e memes aqui no Meus Pensamentos, mas eis que de São Lourenço, lá no Sul de Minas, surge o Fábio, com uma enchurrada de prêmios pro meu blog!
Vamos a eles:

1 - Esse Blog Tem Tudo que eu Preciso 2 - Blogueiro Honesto3 - Esse Blog é um Sonho
4 - Esse Blog me Faz SorrirE o Eu Fui Indicado Para o Selo Meme:Aqui devo indicar oito blogs para o selo e listar 8 características minhas:

1) Fiel, nas amizades, nos relacionamentos, no que for.
2) Criativo, com textos, desenhos.
3) Cabeça Quente, uai, gente, não tenho paciência mesmo!
4) Romântico louco e desvairado!
5) Sonhador. Até demais!
6) Tenho uma dificuldade de atenção sem tamanho!
7) Tradicionalista, como todo bom mineiro.
8) Bairrista. Sim, Minas é o melhor lugar do universo mesmo!

Vou aproveitar e indicar 8 blogs pra todos os selos!
Política Chique (Blog da Bia, indicado no blog do Gilmar Mendes!)
Café com Notícias (Meu amigo Wander, sempre com um texto de primeira!)
Limpo no Lance (apesar de preferir o Grêmio, adoro esse blog Colorado!)
Lira Desafinada (a calourinha Bruna mostrando toda sua habilidade pra escrita!)
Quadrinhos Para Quem Gosta (grande amigo, grande desenhista, grande blogueiro, grande Gabriel)
No Princípio, um emaranhado de sentimentos. Agora, palavras! (o título já diz por si só!)
Central Scrutinizer (Tirinhas, textos e o que mais você quiser pra se divertir)
The Little Box of Alyne (Calourinha pseudo-mineira mais chata, mas a minha favorita!)

Brigadão, Fábio!
Abraço a todos!

Lucas C. Silva

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Minas tem gosto de que?

Minas tem gosto de jabuticaba apanhada do pé,
de goiaba roubada no quintal alheio,
de amora, acerola, limão capeta e ingá.

Minas tem gosto de café com leite e pão com manteiga,
tem gosto de pão de queijo e romeu e julieta.
Minas tem gosto de bolo de fubá, feijão tropeiro,
leitão a pururuca e frango a molho pardo.

Minas tem gosto de infância não vivida.
De esconde-esconde, pega-pega, polícia-e-ladrão.
Minas tem gosto de passeios de bicicleta,
de brincadeiras na rua a tarde inteira,
de mergulho no rio e banho de cachoeira.

Minas tem gosto de tranquilidade e sonho,
também tem gosto de saudade.
Tem gosto de sorvete na pracinha no domingo,
gosto de namoro na Lagoa da Pampulha,
de beijinhos no Parque das Mangabeiras.

Minas tem gosto de roda de viola, de Clube da Esquina.
Tem gosto da voz calma do Vander Lee,
da voz doce da Fernanda Takai
e do ritmo animado do Skank e Jota Quest.
Minas tem gosto de música boa.

Minas tem gosto de passarinho cantando,
de casinha de joão de barro,
de grilo fazendo festa a noite inteira,
de vagalume acendendo
e a vida acontecendo no cerrado.

Minas tem gosto de casinha colonial,
de igreja barroca, de sítio ao pé da serra.
Minas tem gosto de serra, de monhtanha,
de morro, de ladeira.
Minas não tem gosto de mar.

Minas tem gosto de História,
de luta, de sangue, suor e lágrimas.
Minas tem gosto de amor,
tem gosto de liberdade.

Minas é liberdade.

Lucas C. Silva

sábado, 24 de outubro de 2009

Meu vício

Merda!
Estou viciado!
Como todos os vícios, começou comigo experimentando, assim, sem compromisso, só um pouquinho, e quando percebi, a necessidade tomou conta de mim.
Percebi essa necessidade tarde demais.
Eu estava usando o dinheiro que ia usar pra comer na faculdade pra alimentar o vício.
Estava usando o dinheiro que ia usar numa viagem pra alimentar o vício.
Eu gastei boa parte da minha (pequena) poupança pra alimentar o vício.
E daqui a pouco vou usar o restinho de grana que me sobrou pra alimentar o vício.
Sim, preciso me tratar, mas não quero!
Por conta do meu vício, sem sair do meu quarto já fiz viagens incríveis!
Fui à Minas, fui à Europa, fui á Asia fui aos confins do universo e ao fundo do mar.
Estive no passado, estive no futuro, era como se eu estivesse num sonho e não quisesse acordar!
Ah, o que seria de mim sem meu vício?
O que seria de mim sem meus livros?

Lucas C. Silva

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Minas

Foi em Minas que aprendi a ser feliz. Acho que isso exlica meu amor por esse lugar, por suas montanhas por seu povo. A vaga tristeza que invade meu coração, quando tenho, por algum motivo, que partir, é uma tristeza mineira que sinto calado, uma tristeza que só não é maior porque levo comigo, escondida na alma, montanhas humildes e imensas, montanhas amigas onde me refugiarei nos dias tristes.
Felipe Peixoto Braga Netto



Lucas C. Silva

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Uma declaração de amor a uma senhora centenária


Belo Horizonte sempre foi pra mim um lugar mágico, idealizado e inalcançável. Talvez como uma Atlântida perdida no meio do mar de montanhas mineiras, como uma cidade perdida de Eldorado, ou mesmo a Pasárgada do poema de Manoel Bandeira, Belo Horizonte era um lugar lendário, uma terra de sonhos e belezas que eu apenas poderia imaginar.
Quando era guri, eu sempre chegava pra minha mãe e perguntava:
- Mãe, vamos pra Belo Horizonte?
- Nas férias a gente vai...
Férias vinham, férias iam e eu nunca ia pra Belo Horizonte... Aliás, falar que nunca tinha vindo para Beagá era mentira, mas sempre foram visitas rápidas aos parentes no Barreiro, nada que matasse minha vontade de turista de conhecer cada cantinho dos famosos pontos turísticos que eu tanto ouvia falar. Parque Municipal, Praça da Liberdade, Praça Sete, Mirante das Mangabeiras, Igrejinha da Pampulha e Mineirão... Ah, o Mineirão, casa daquele que foi por muito tempo meu amor maior em Belo Horizonte. Amor esse que agora tem que dividir o espaço no meu coração com uma linda moreninha de cabelos pretos, a única que consegue ser mais bela que o horizonte daqui...
Mas hein? Onde eu tava? Ah, sim, eu cresci ouvindo falar de todos esses lugares. Cresci imaginando todos esses lugares... enfim, cresci e ganhei a oportunidade de vir visitar Belo Horizonte.
A princípio a cidade se mostrou grande e intimidadora. Seu centro, planejado, cheio de cruzamentos que nunca vi em outro lugar se mostrou um labirinto digno de mitologia grega (sendo bem sincero, ainda não do conta de me virar no centro da cidade). Mas quando vi a Serra do Curral sorrindo pra mim, quando vi o Parque Municipal, um imenso jardim no meio da selva de pedras, quando, enfim comecei a conhecer melhor a cidade, não teve como não me apaixonar...
Mas, em Beagá, há dois lugares que me encantam de uma forma inexplicável. E, curiosamente, esses dois lugares estão em cantos opostos da cidade. Eles são a Lagoa da Pampulha e o Parque das Mangabeiras. Se você já foi lá, entende porque eu amo tanto esses cantinhos. Se você nunca foi, por mais que eu tentasse explicar o encanto desses lugares, eu não conseguiria alcanaçar 1% do que é estar lá... É só indo pra entender...
Aiai, Belo Horizonte querida. Cá estou e em breve te deixarei... Morrerei de saudade de cada cantinho que visitei, de cada boa lembrança que tenho daqui, de cada segundo que passei...
Obrigado por tudo, minha querida! Cuide bem de cada um desses cantinhos e especialmente daquela menina maravilhosa que te tornou ainda mais especial.
Em breve estarei de volta. E dessa vez sem partidas.



Lucas C. Silva

sábado, 26 de setembro de 2009

Você acredita em terráqueos?

- Cara, se eu te falar o que eu vi, você não vai acreditar!
- O que?
- Promete que não vai rir?
- Fala!
- Eu vi um tubo voador!
- Um tubo voador?
- É!
- Daqueles vindos da Terra?
- É...
- O que você bebeu?
- Para de rir! Eu vi mesmo!
- Aham, tá bom...
- Você não acredita mesmo em terráqueos, né?
- Se houvesse vida na Terra, eles já teriam entrado em contato conosco!
- E quem me garante que eles não tentaram?
- Bem, não to vendo nenhum terráqueo aqui...
- E tem algum marciano na Terra?
- Não, mas...
- Então, como você pode ter tanta certeza?
- Bem, primeiro, a Terra é muito quente, tá muito próxima do sol. Qualquer criança sabe que aquela temperatura é impossível para a vida. Segundo, já viu quanta água tem aquele planeta? Como pode existir vida com tanta água? Isso sem contar com a quantidade de nitrogênio e oxigênio da atmosfera deles...
- E se existirem formas de vida adaptadas àquele ambiente?
- Eles já teriam entrado em contato conosco!
- E aquelas sondas misteriosas que andaram pousando por aqui há pouco tempo. Aqueles veículos com 6 rodas e tal?
- Você acredita mesmo naquilo? É invenção dos jornais pra vender mais!
- E os para-quedas?
- Que para-quedas! São balões meteorológicos! Sério, pára de ler ficção científica. Não existe vida na Terra!
- Aham... tá!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O último dos românticos, que nunca amou...

Muitos o consideravam o último dos românticos. Ele não concordava inteiramente. Sabia que os românticos eram uma espécie em extinção, parafraseando seu cantor preferido, mas ele não era o último. Apaixonado, fiel, companheiro, muitas vezes se agarrando com todas as forças a um sentimento não correspondido, ele seguia seu caminho, tocava sua vida a frente.
O considerado último dos românticos também era uma espécie de Policarpo Quaresma. Apaixonado por sua terra, defendia sua bandeira com um fervor visto em poucas pessoas. Para ele, as montanhas de sua terra eram as mais lindas, as cidades eram as mais aconchegantes, o horizonte era o mais belo. Sua terra não tem mar? Não, o mar não tem sua terra.
Algo contante em sua vida era a distância entre ele e seus amores. As mulheres e a terra que tanto amou, sempre estiveram longe dele. Fosse por quilômetros, fosse por pessoas, fosse por sentimentos, seus amores sempre foram shakesperianos.
Ele era assim. Podia não ser feliz sempre, mas não tinha como mudar. Era constantemente alvo de críticas e deboches, mas pouco ligava para isso. O que o incomodava era a incredulidade.
Constantemente ouvia das pessoas frases do gênero:
- Você nunca amou fulana!
- Você fantasia demais!
- Você está solitário/exilado, por isso fantasia, imagina que é tudo tão bom, mas quando estiver lá vai acabar se decepcionando.
- Você nunca amou ninguém!
As pessoas não acreditavam em seu amor. Não duvidavam de sua sinceridade, apenas acreditavam que ele estava tão desesperado que acabava inventando amores, fossem eles por pessoas, fossem por lugares. Como assim ele nunca amou ninguém, nem nada? Como as pessoas podem ter tanta certeza do que ele sentiu ou não sem estar dentro dele, sem passar pelo que ele passou, sem viver o que ele viveu?
Por mais que soubesse que não faziam por mal, o último dos românticos, que nunca amou, foi vivendo cada vez mais fechado, mais exilado em seus sentimentos, se abrindo cada vez menos às pessoas ao redor. Se era pra demonstrar incredulidade sem saber o que se passava dentro dele, melhor então que nem tivessem motivos para esse desconhecimento.

Lucas C. Silva

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O maior problema das pessoas

Ele estava sentado, sozinho, nas escadarias da Igreja Matriz de Santo Antônio. Olhava para aquele céu muito nublado, mas com pequenas partes onde se podia ver o azul.
Seus olhos eram pura nostalgia, e foi isso que ela reparou a se sentar ao seu lado e perguntar:
- Que foi?
- Sabe qual é o maior problema das pessoas?
- Não, qual?
- Elas passam a vida inteira reclamando que o sol não brilha pra elas. Vivem sonhando com o dia que as nuvens vão embora, falando que vão passear, aproveitar a vida e tudo mais. Mas, quando o sol aparece, elas parecem ter medo de sua luz e seu calor. Ficam confinadas em casa até ele se esconder. Aí voltam a se lamentar que o sol não brilha pra elas...
Com essas palavras, ele se levantou e desceu a Rua da Câmara.

Lucas C. Silva

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Devaneios

A situação era, sob certa ótica, irônica. Por mais que tentasse, Lucas não conseguia prestar muita atenção naquela aula, cujo tema era exatamente a atenção. Entre um rabisco e outro, ele pescava trechos de pensamentos foucaultianos, nietzschianos e freudianos sobre um problema do século 19, mas que estava se tornando cada vez mais comum no século 21.
- Qual foi a última frase dele? - perguntou Marcelo.
- Não sei, não consegui anotar. - respondeu Lucas.
Apesar de seus devaneios, Lucas conseguia pegar boa parte da matéria. Mas era extremamente cansativo ficar focado naquele assunto por um período tão longo. Ainda mais com uma mente que não parava de inventar um só minuto.
Quando percebeu, Lucas estava riscando num canto da página aquelas curvas que viriam a se tornar uma serra, que ficava muito distante dali. Aquelas montanhas estavam reproduzidas em inúmeras páginas do caderno, de todas as formas e tamanhos, repetidas quase à obsessão.
Lucas olhou para aquelas montanhas e um filme passou em sua mente. A sala 108 deixou de existir, a voz do professor se tornou silenciosa. Ele não estava mais na ECO, na UFRJ, muito menos no Rio de Janeiro. Estava longe, bem longe e no passado.
Eram suas melhores lembranças, aquelas que ele deveria esconder bem fundo, dentro de si. Aquelas que, se seus amigos soubessem que estavam de volta à sua mente, voltariam com aquele papo furado de empolgação, enganação e de um amor inexistente...
- O termo para "devaneio" em inglês, é muito interessante, "daydream"...
A voz do professor invadiu os ouvidos de Lucas, o trazendo novamente ao presente. Ele olhou ao redor assustado, viu Vanessa, Marcelo e todos os outros alunos prestando atenção ao discurso de Ericson enquanto os olhos de Ieda o estudavam. Ela parecia ler sua mente.
Com medo, Lucas voltou a fazer força para se concentrar na matéria, se odiando por aquele momento de fraqueza.

Lucas C. Silva

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Uma singela homenagem!

Eu costumo brincar com ela que ela é uma mulher da Renascença, assim, multitalentosa. Arranco risadas dela quando falo que ela é atriz, cantora, escritora, jornalista e sei lá mais o que. Ela, com toda a sua modéstia - exagerada, na maioria das vezes - diz que não é bem assim e que eu enxergo demais, que eu a supervalorizo... Aham, tá bom.

Não vou negar que sou apaixonado por ela. Não, não estou falando no sentido romântico da palavra. Não estou falando do amor de Romeu e Julieta, Jack e Rose ou outros do gênero. Não... Se eu falar que esse tipo de paixão não existiu, vou estar mentindo, mas a cada dia que passo, tenho mais certeza do que sinto por ela. Estou falando de amizade mesmo. Sou louco por essa grande amiga que o Destino escolheu de colocar no meu caminho e alegrar minha vida.

Como eu disse lá no começo da postagem, ela é multitalentosa. Já ganhou concurso de redação, já cantou em coral, já participou de inúmeras peças de teatro, estudou no melhor colégio público do país e passou pra QUATRO universidades federais logo no primeiro vestibular! E detalhe, não foi curso moleza não, foi Comunicação Social que, pelo menos aqui na UFRJ, é o terceiro concurso mais concorrido de todos. Mas vai falar isso com ela! Ela vai virar e falar:

- Aiai, você me mata de rir!

Mas o que me faz gostar tanto dela nem é o fato de ter uma redação num livro, um cd gravado com um coral ou ter passado nas federais. O que me encanta nessa menina é seu jeito simples, animado, muito simpático, pé no chão (confesso que é pé no chão até demais, o que me irrita as vezes) e especialmente seu jeito amigo. Amizade como a dela, está cada vez mais difícil de encontrar hoje em dia!

Bruninha, minha querida, te adoro!

Feliz aniversário!!!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

sábado, 29 de agosto de 2009

A Garota Afegã

Sem querer fazer propaganda, mas já fazendo, sou muito fã da National Geographic. Tanto da revista, quanto do canal mesmo. O que mais me atrai na revista nem é tanto os textos (muito bem escritos, por sinal), mas as fotos mesmo. Se não forem as mais bonitas, estão entre as melhores fotos que já vi e, entusiasta de fotografia que sou, tenho muita vontade de fotografar como os caras da Nat Geo.
Por que estou falando disso? Muito por causa dessa menina aí do lado. Em 1984, o pessoal da National Geographic foi ao Paquistão registrar os refugiados da guerra que afligia o Afeganistão, durante a ocupação soviética naquele ano. O fotógrafo Steve McCurry conseguiu autorização para entrar numa escola do campo de refugiados para fotografar algumas meninas que estudavam por ali. Foi então que ele encontrou uma linda menina de olhos verdes e fez a fotografia mais conhecida dos mais de 100 anos da revista National Geographic.
Eu já havia visto essa foto inúmeras vezes, mas, apesar de achá-la muito bonita, nunca nem tive muito interesse em descobrir sua história. Foi então que comprei numa banca meio sebo, uma National Geographic de abril de 2002 cuja capa diz "Encontrada - A história de uma menina refugiada afegã, 17 anos depois".
Sharbat Gula vivia em 2001 (quando foi encontrada pelo mesmo fotógrafo que a tornara famosa) numa vila no Afeganistão com seu marido e três filhas. A moça, cujo nome ninguém soube por 17 anos, nunca soube da fama que sua fotografia conquistara internacionalmente.
Sua vida, como a de todo refugiado de guerra, foi sofrida. Aos seis anos perdeu os pais durante um bombardeio soviético à sua vila, uma de muitas que foram riscadas do mapa. Com os irmãos, foi se escondendo em cavernas até chegar ao campo de refugiados de Nasir Bagh, onde foi fotografada por McCurly. Se casou ainda jovem com Rahmat Gul, que trabalhava (à época da reportagem) numa padaria em Peshawar, no Paquistão, enquanto a moça (que tinha entre 28 e 30 anos, apesar de não parecer) vivia nas montanhas, para escapar da poluição da cidade, que afetava seus problemas respiratórios. O casal só ficava junto durante o inverno, quando Rahmat não trabalhava.
Hoje, em 2009, não se sabe que destino Sharbat levou. Graças a uma série de fatores, desde o isolamento geográfico de seu vilarejo, até mesmo às questões culturais do Afeganistão, fica muito difícil de se determinar o destino daquela menina de olhos verdes e de sua família.
Muitas coisas na foto chamam muito a atenção. Primeiro, a beleza da menina, apesar de toda adversidade. Na minha humilde opinião, é muito mais bonita que muita top model por aí. Mas, claro, o maior ponto de atenção nessa fotografia é, sem dúvida nenhuma, o olhar penetrante de seus olhos verdes. A capacidade de transmitir uma série de emoções através de um simples olhar de uma menina refugiada foi muito bem captada pela lente de McCurry.

Lucas C. Silva

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Esperando Aviões

- Gostaríamos de informar que o vôo Gol 3795 procedente de Confins acaba de aterrissar e em instantes começará o desembarque no portão 3.
O coração de Paulo disparou quando o sistema de som do Aeroporto Internacional do Galeão anunciou a chegada daquele vôo. Uma mistura de nervosismo e alívio tomaram conta do rapaz que caminhou até o portão de desembarque, onde outros amigos e parentes esperavam por seus entes queridos.
Suas mãos suavam frio, seu coração parecia que pularia do peito, a garganta estava seca e seu estômago revirava. Por mais que tentasse esconder - até de si mesmo - ele estava ansioso. A revista, que comprara meia hora antes para tentar se distrair, estava amassada entre suas mãos de tanto que ele a apertava. Quem a visse, não diria que ainda não havia sido lida.
Os segundos passavam como horas, e ninguém saía do portão. "Que merda! Cadê esse povo?" se perguntou em voz baixa, enquanto observava as pessoas ao seu redor que também esperavam. Então os primeiros passageiros surgiram.
Alguns saíam sem falar com ninguém. Outros corriam para os amigos e parentes e com abraços e beijos matavam a saudade. Um ou outro parecia desanimado, como se não quisesse ter deixado Belo Horizonte para trás.
Foi então que uma moça surgiu com duas malas imensas. Seu olhar se cruzou com o de Paulo e um sorriso radiante surgiu em seu belo rosto. Um frio na barriga que não sentia havia muito tempo atingiu Paulo que, sorrindo, foi ao encontro da ex-namorada e a abraçou, como se houvesse esperado por aquele abraço sua vida inteira.
- Bia! Há quanto tempo! - disse Paulo abraçando Beatriz, se perguntando se a soltaria.
- Nossa, Paulinho, que saudade!
- Pois é, eu também tava morrendo de saudade!
Os dois se soltaram e se olharam. Havia uma certa emoção naquela troca de olhares e nenhum dos dois conseguiu falar. Então Paulo quebrou o silêncio.
- Eu não disse que vinha te buscar?
- Pois é... Obrigada! Queria tanto ficar com alguém conhecido nas horas que ia passar aqui no aeroporto...
- Pra onde você vai mesmo?
- Itália. - respondeu a moça sorrindo.
- É verdade... você tinha me dito mesmo que queria fazer intercâmbio por lá. Parabéns!
- Obrigada!
O vôo de Beatriz sairia em um pouco mais de três horas, tempo que eles teriam para colocar as conversas em dia. Os amigos caminharam até uma lanchonete cujas janelas davam para o pátio de manutenção das aeronaves e lá falaram de tudo que havia acontecido naqueles tempos que andaram separados, ela em Minas e ele no Rio. Falaram sobre suas famílias, suas faculdades, estágios, viagens e afins. O único assunto que não tocaram foi o rápido namoro que tiveram quando mais jovens.
- Mas e aí, Bia, o que achou de voar? Gostou? - perguntou Paulo.
- Ai, é muito legal! Pena que foi rapidinho! - respondeu Beatriz sorrindo.
- Ah, mas o vôo pra Itália vai ser mais longo...
- É... - respondeu Beatriz olhando para o relógio. Então ela disse - Paulinho, acho que tá na hora...
- É verdade... - respondeu o rapaz desanimado, conferindo seu relógio de pulso.
Beatriz pegou uma de suas malas e Paulo pegou a outra. Do mesmo modo que os segundos passaram como horas enquanto ela não chegava, as horas passaram como segundos enquanto estiveram juntos E, em silêncio, os amigos atravessaram o aeroporto, até o guichê da Alitalia. Assim que Beatriz fez seu check in, virou-se para Paulo e disse, com um abraço:
- Paulinho, muito obrigada! Adorei passar esse tempo com você!
- Eu também adorei te ver! Você sabe que eu sempre me preocupo quando você viaja, então chegando em Roma, me liga!
- Aiai, você não muda! - disse Beatriz rindo - Fica tranquilo. Assim que eu chegar, te ligo sim.
Os dois se deram um abraço apertado. Beatriz ia virando para o portão de entrada quando Paulo pegou seu braço e, ao virá-la, beijou a moça do mesmo modo que o casal havia se beijado em sua primeira despedida, anos antes na rodoviária de Belo Horizonte. Beatriz, ao contrário do que imaginava Paulo, não resistiu. Passou os braços por trás do pescoço do rapaz, retribuindo todo o carinho que ele ainda tinha por ela.
O casal só terminou o beijo quando os alto-falantes anunciaram que aquela era a última chamada para o vôo de Beatriz. Ao se soltarem, Paulo disse:
- Ainda te amo, tá?
A moça sorriu com tristeza e lhe deu outro beijo. Então se virou e, sem olhar para trás, caminhou até o avião.
Do observatório panorâmico do Galeão, Paulo acompanhou com os olhos, cheios de lágrimas, o Boenig 747 que levava Beatriz. O rapaz, que nunca aceitou o fim do namoro, ficou ali até o avião sumir entre as nuvens, voando na direção do Oceano Atlântico.

Lucas C. Silva

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Trem Bala, transferência para o Fundão, etcetera e tal...

Se tem um assunto que causa polêmica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), esse assunto é o Plano Diretor UFRJ 2020. O Plano que, segundo a reitoria, pretende promover uma maior integração entre a Universidade e a cidade do Rio de Janeiro tem como uma de suas principais medidas, a transferência dos campi do Centro e da Praia Vermelha para a Ilha do Fundão. Polêmicas, opiniões e debates a parte, um outro fator acabou de apimentar ainda mais a discussão, a construção do Trem de Alta Velocidade (TAV), o famoso "Trem Bala" que ligará Campinas a São Paulo e Rio de Janeiro, em um primeiro momento.
Acontece é que em seu programa matutino na Band News FM, Ricardo Boechat leu uma nota lançada pela reitoria da UFRJ no site da Universidade sobre os projetos do "Trem Bala". O que a UFRJ tem a ver com isso? Simples, o projeto prevê que o trem passará por dentro da Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, trajeto esse que pode (leiam bem o que eu tô dizendo, pode) interfirir no Plano Diretor.
Porque, olha só o que que acontece. O Mauro me passou o Plano Diretor e na olhada que dei e de acordo com o que ele me disse, além dos novos prédios pra acomodarem os cursos que querem transferir (e que muitos alunos não concordam, que fique bem claro), estão pretendendo construir canais transformando a Ilha do Fundão em 3, ciclovias dentro da cidade universitária e um trem magnético no Campus, entre outras coisas. Como é que vão construir tudo isso com um trem bala cortando o campus?
Quem está lendo isso, deve estar pensando que eu estou do lado da UFRJ e contra a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que divulgou o trajeto do TAV. Sinceramente, não estou contra nem a favor de ninguém, até porque quem me conhece, sabe minha posição sobre a transferências dos campi pro Fundão. Eu só quero saber é o que será decidido dessa questão que interfere, direta ou indiretamente a minha vida e de todos os estudantes, funcionários da UFRJ e até das populações de inúmeras cidades.

*Se você quiser ler o artigo do Aloísio Teixeira, clique aqui. E se quiser ouvir o que Ricardo Boechat disse sobre isso, clique aqui pra fazer o download do audio (5.8 Mb) direto do site da UFRJ.

Lucas C. Silva

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A mídia brasileira é brasileira mesmo?

Final de Copa Libertadores da América, Cruzeiro contra Estudiantes. Pelo quinto ano consecutivo, um time brasileiro chega na final do principal torneio do continente. Sendo bem nacionalista e querendo falar bonito (e deixando futebolismo de lado, pra quem não sabe, sou atleticano), era a hora dos torcedores se unirem para torcer pelo representante brasileiro na copa. Era o momento de todos os torcedores, no país inteiro sentarem diante da TV, a ligarem para assistir ao... jogo do Fluminense?
Pois é... Já não basta as repetidas vezes que passaram jogos de times de Rio e São Paulo mesmo para estados que tem seus times jogando fora de casa, na final do campeonato mais importante do continente a mídia "brasileira" inventou moda e passou um jogo do Campeonato Brasileiro entre dois times do Eixo. A pergunta pra isso é: Por quê?
Já falei nesse blog e volto a bater na mesma tecla, na mídia que se diz brasileira há sim dois pesos e duas medidas! Quando é time do Eixo do Mal que chega lá, é destaque, é transmissão pro Brasil inteiro, é todos os programas, todos os jornalistas falando nisso. Quando é um time mineiro, gaúcho, nordestino, os jornalistas podem até falar, mas preferem dar destaque aos times do Eixo que não estão disputando nada... Aí vêm com aquele papo furado de "A gente dá destaque para os times do Eixo porque é lá que temos maior audiência".
Mas claro que é! Não poderia ser diferente! Qual mineiro, gaúcho, amazonense, goiano ou cearense em sã consciência que vai perder seu tempo vendo um programa que não fala de seus times? Quem, querendo ver notícias de Atlético Mineiro, Grêmio, Vitória ou Fortaleza vai querer ver um programa que só fala de Corinthians, São Paulo e Flamengo? Essa exclusividade não passa de um ciclo vicioso! Falam só do Eixo do Mal porque a maioria de seu público é de lá. A maioria de seu público é de lá só porque falam do Eixo do Mal!
Pior do que essa atitude da mídia do Eixo é a atitude da CBF (que está mergulhada num mar de merda) ao ceder à pressão dos canais de televisão e transferir os jogos que seriam disputados num fim de semana para uma quarta-feira, no horário da partida do Cruzeiro. Já não basta os outros podres da entidade máxima do futebol brasileiro, mais essa voltou a se acumular na montanha de merda que está se formando nos gramados brasileiros (e principalmente fora deles).
Não é a toa que desisti de trabalhar com Jornalismo Esportivo. Não quero ficar acobertando toda essa porcariada que predomina na CBF. Sei lá, ultimamente ando até me perguntando se é Jornalismo mesmo que eu quero pra minha vida. Nem é por causa da palhaçada do fim do diploma não, é por uma série de fatores aí...
Seja como for, Libertadores chegou ao fim, Estudiantes campeão, os canais de TV cheios de dinheiro por causa dos anunciantes de mais um jogo podre e quem saiu perdendo com tudo isso é o torcedor de fora do Eixo do Mal, que, mais uma vez, foi jogado para segundo plano.

Lucas C. Silva

domingo, 12 de julho de 2009

Música: Vander Lee

Uma das perguntas mais difíceis que já me fizeram foi qual é o tipo de música que meu cantor preferido, Vander Lee, canta. Confesso que não sei como classificá-las. Sei lá, é uma mistura de samba, pop romântico, MPB... na verdade, não importa qual é seu tipo de música. Não importa porque é de primeiríssima qualidade.
Sou, não nego, muito fã do Vander Lee. Conheci seu trabalho meio que por acaso. Enquanto navegava pela comunidade do Atlético Mineiro no orkut, me deparei com uma música chamada Galo e Cruzeiro. O samba conta a história de brigas de um casal formado por um atleticano e uma cruzeirense justamente por causa de seus times. Apesar de atleticano, Vander Lee jura que a música não tem nada a ver com sua vida, até porque sua esposa, a também cantora Regina Souza, não é cruzeirense.
Uma amiga minha da faculdade ouviu essa música no meu celular e quando eu lhe disse que não conhecia mais nada do Vander, ela me disse para procurar, afirmando que eu iria adorar. Nós não disconfiávamos que eu gostaria tanto de conhecer aquelas músicas.
Não é porque sou fã, mas não tem como não gostar. São poesia pura. São daquelas músicas que você nem precisa prestar atenção na letra (o que é um crime) para sentir a emoção que passam. Vander Lee já me fez rir com o Chazinho com Biscoito (nesse vídeo com a participação especial da Regina Souza) e o carro Sambado. Já me fez chorar que nem criança com Esperando Aviões (não tenho vergonha de admitir que essa música me fez chorar mesmo certa vez). Me fez perceber que, sim, sou um daqueles Românticos loucos e desvairados. E me fez morrer de saudade do meu talismã, meu sol, meu dia, meu dial com aquela que está entre as 5 músicas mais bonitas que já ouvi, Farol.
Música esta que está em seu novo CD, Faro. Nesse disco, Vander Lee apresenta 10 músicas próprias, além de 2 regravações, Ninguém Pode Tirar Você de Mim (do Roberto Carlos) e Obscuridade (do Cartola). Sou suspeitíssimo pra falar, mas o CD ficou incrível. Como eu disse acima, as músicas são poesia pura, elas passam toda emoção por elas mesmas. Mesmo sem conseguir acompanhar a letra, o ouvinte acaba se apaixonando por elas. Li hoje o Samuel Rosa, do Skank, dizendo que "para a música ser boa, ela tem que fazer o ouvinte se perguntar se ela está falando dele". Se isso for verdade, Vander Lee obteve muito sucesso com suas canções. Sucesso esse que, infelizmente (e inexplicavelmente) não é reconhecido. Não entendo como um músico como ele não tem uma divulgação maior.
Hoje, Vander Lee está em turnê, divulgando seu novo disco. O primeiro show foi no Canecão, aqui no Rio de Janeiro. Talvez também por ter sido meu primeiro show e por eu ter conseguido ir no camarim depois da apresentação, foi inesquecível. Especialmente na trinca Românticos, Esperando Aviões e Farol. Aqui fica minha sugestão. Se você estiver procurando por música brasileira de qualidade, procure pelo novo CD do Vander Lee, o Faro. E se tiver a oportunidade, não deixe de ir em seu show. É garantia de música da melhor qualidade do começo ao fim!
Aqui, aquele que vos escreve com Vander Lee logo após o show do Canecão

Lucas C. Silva

domingo, 21 de junho de 2009

18 Livros

Lá na faculdade, na aula de Teoria de Comunicação II, há semanas que a professora vem comentando sobre uma lista que ela está fazendo com os amigos com os livros que a pessoa deve ler em sua vida. Sinceramente, nunca fui muito de seguir essas listas. Mas essa história de livros para ler me despertou a curiosidade e me fez fazer uma lista de 18 livros que quero ler.
Antes de eu enumerá-los, deixe-me só explicar alguns critérios que usei: Esses são livros que quero ler. Então tem de todos os tipos, romances, infanto-juvenis, teóricos, clássicos ou não. A ordem que eles estão é totalmente aleatória, não é porque o livro está mais acima que quero mais lê-lo. Tem livros que quero ler, mas não coloquei na lista porque fazem parte de séries, exemplo O Guia do Mochileiro das Galáxias. Ah, e ainda nessa linha, não coloquei na lista nenhum livro do meu autor favorito, Júlio Verne. Isso porque quero ler todos os livros dele, e ainda faltam mais de 60 (só aqui em casa tenho uns 4 ou 5 que ainda não li).
Vamos à lista então:

1 - Grande Sertão, Veredas - Guimarães Rosa
2 - Dom Quixote - Miguel de Cervantes
3 - Moby Dick - Herman Melville
4 - A Máquina do Tempo - H.G. Wells
5 - O Triste Fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto
6 - A Ilíada - Homero
7 - Manifesto Comunista - Karl Marx e Friedrich Engels
8 - A Revolução dos Bichos - George Orwell
9 - Macunaíma- Mario de Andrade
10 - O Príncipe - Nicolau Maquiavel
11 - Robinson Crusoe - Daniel Defoe
12 - A Ilha do Tesouro - Robert Louis Stevenson
13 - O Sítio do Pica-Pau Amarelo* - Monteiro Lobato
14 - O Apanhador no Campo de Centeio - J.D. Salinger
15 - 1984 - George Orwell
16 - O Pequeno Príncipe - Antonie de Saint-Exupèry
17 - Dom Casmurro - Machado de Assis
18 - O Príncipe e o Mendigo - Mark Twain

*O Sítio do Pica-Pau Amarelo entra na mesma categoria dos livros do Roberto Drummond. Tenho vontade de ler algum deles, mas não sei qual.

Ah, gente, é isso. Antes que eu me esqueça, no último dia 19, o Meus Pensamentos completou 2 anos! Tá, ele anda mais parado do que eu gostaria, mas continua aí na ativa.

Lucas C. Silva

terça-feira, 16 de junho de 2009

Quando fui o mais feliz do mundo.

Eu estava deitado no seu abraço, ouvindo seu coração bater.
Sentindo seus braços suaves e seu carinho gostoso.
O mundo podia estar acabando lá fora, que eu não me importaria.
Porque naquele momento, todos os meus desesperos e desenganos haviam desaparecido.
Não havia dor, não havia cansaço, não havia dúvida.
Aquilo era tudo o que eu sempre quis.
Eu deitado ali, no seu abraço.
Sentindo no meu peito o mais inocente e puro amor.
Sentindo seu corpo quentinho espantando o frio de Belo Horizonte.
Sentindo seus abraços espantando minha tristeza.
Precisava de mais alguma coisa para aquele momento ser perfeito?
Talvez uma musiquinha gostosa de ouvir no rádio.
Até isso teve, quando a rádio tocou Pato Fu.
E você, com sua linda voz acompanhou.
Tempo, tempo, tempo mano velho, não passe.
Tempo, tempo, tempo mano velho, pare naquele momento.
Tempo, tempo, tempo mano velho, me deixe ali, para sempre deitado no abraço dela.
Ai, tempo que não me ouve.
E que tira de mim as melhores coisas da vida.
Como tirou a linda menina, seus abraços, seu coração e seus beijos.
E agora estou aqui sozinho, com um vazio no peito.
E só me restaram lembranças
De quando eu estava deitado no seu abraço, ouvindo seu coração bater.
Sentindo seus braços suaves e seu carinho gostoso.

Lucas C. Silva

terça-feira, 2 de junho de 2009

O Conselheiro

Li sei lá onde que Conrado em Teutônico significa conselheiro. Não sei se é verdade, muito menos se o nome (no meu caso sobrenome) influencia na pessoa. Mas, ultimamente, tenho feito jus ao sobrenome. É impressionante como sou cada vez mais requisitado para conversar sobre... amores não correspondidos.
Muitas das pessoas que me procuram pra desabafarem leem meu blog. Por isso, digo para elas que isso não é uma reclamação, é mais um comentário, uma constatação surpresa que tive nos últimos tempos. Tenho ouvido - e lido - histórias de amor para todos os gostos. As paixões pelos rapazes que nunca viram na vida, os namorados que as trocam por video-game, as melhores amigas amadas, as namoradas que moram longe e o clássico - e mais comum - amor não correspondido. Se eu postasse aqui todas as histórias de amor que ouvi nos últimos tempos, teria postagens para o resto do ano. Mas seria uma p... falta de ética minha.
Mas não posso reclamar. Até porque, sei que já enchi o saco de muita gente por aí com minhas Fernandas e Letícias. Mas, o que é mais engraçado, é que sou procurado como se eu fosse um exemplo de vida amorosa, cheio de casos resolvidos (mesmo que pra uma boa vida amorosa apenas um caso resolvido serve, né?), namoros estáveis e, principalmente, exemplos a serem seguidos!
E, nessas conversas, sempre chega aquele momento do "Te entendo, mas não sei o que dizer." Porque, realmente, é complicadíssimo dar pitaco na vida (amorosa) de outra pessoa, mesmo ela te pedindo uma opinião. Porque, imagina o seguinte, dou uma opinião que faz o cara tentar se aproximar de uma menina, afastando assim outra que gosta de verdade dele. Ele acaba perdendo um amor, meio que por minha causa. Isso sem contar com situações mais complicadas...
Mais uma vez, não estou reclamando por ser procurado. Acho até legal, meio que dá uma sensação de que as pessoas confiam em você. Mas, sei lá. Tem horas que eu tô com o coração destroçado, a auto-estima lá em baixo, e acabo não querendo demonstrar isso pra pessoa. Não é sempre que acontece isso, até porque, muitos dos que me procuram são amigos próximos e acabamos fazendo uma terapia de grupo. Mas tem aquelas pessoas com quem não tenho muita intimidade, fico sem jeito de demonstrar como me sinto e com receio de acabar falando merda...

Sinceramente, nem sei porque tô escrevendo sobre isso...

Lucas C. Silva

domingo, 24 de maio de 2009

O mundo dá voltas...

Jonas, ainda novinho, havia terminado de responder a um questionário que a professora passara no quadro. Seus amiguinhos, faziam paródias de músicas famosas, colocando coisas nojentas na letra. Jonas só via e ria. Era tímido demais pra cantar qualquer besteira.
Então foi tomado por uma coragem e criou uma letrinha na hora. Alguma bobeira com cuzcuz e pus que sua falha memória não lembra. Lúcio se levantou, caminhou até a professora e disse para ela que Jonas estava cantando letras feias.
- Jonas! Para de cantar essas coisas feias na sala! - disse a professora, arrancando risadas dos outros alunos (que também cantavam essas músicas) e principalmente de Lúcio.

* * *

Passaram-se as semanas, os meses... Talvez um ano. Ou foi um ano antes. Tanto faz. O mesmo Jonas, o mesmo Lúcio, a mesma escola, a mesma professora. Eles voltam do recreio. Lúcio passa pela mesa de Jonas e, sorrindo, coloca sobre o estojo uma caneta que pegara enquanto saíam pro pátio. Jonas não diz nada, apenas olha feio pro colega.
Nas semanas seguintes, um lápis de Jonas desapareceu. Lembrando-se da caneta, o garoto acusa Lúcio, que se defende, dizendo que não pegou nada. Jonas não acredita. O garoto tinha feito isso semanas antes, poderia muito bem ter feito de novo.
A professora defende Lúcio. Ele não tinha motivos para ter pegado o lápis de Jonas. Certamente, o dono descuidado do lápis o perdeu por aí.

* * *

No mesmo ano, Jonas vai visitar os parentes. Seu primo, também chamado Lúcio, está lá. Os dois estão brincando. Da brincadeira vem um desentendimento, uma discussão, uma briga. Tapas, socos, palavras ríspidas são trocadas. Os pais de Jonas aparecem, o veem xingando, o castigam. Mais uma vez, numa parada com um Lúcio, Jonas leva a pior.

* * *

Passam-se os anos. Jonas, agora mais velho, não tem mais contato com o Lúcio da escola e um bom relacionamento com seu primo, apesar de se verem muito pouco. Jonas está apaixonado, querendo sair com Helena novamente. Helena não pode, está namorando, um Lúcio.

Meses depois, o garoto volta a cidade de Helena. Segundo seus amigos, ela não namora mais. É uma chance que aparece para Jonas. Eles se encontram, conversam, caminham pela cidade. Jonas toma a iniciativa, tenta se aproximar de Helena. Ela apenas diz que não pode. Depois, Jonas descobre que Helena estava saindo com um cara. Chamado Lúcio.

* * *

Algum tempo depois, Jonas conhece Carolina. Linda, doce, um amor de pessoa. Os dois fazem pré-vestibular e vão para casa juntos. São bons amigos. Jonas nunca contou para a amiga que era apaixonado por ela. Não podia. Ela namorava... um Lúcio!

* * *

Na universidade foi a mesma coisa. Jonas se apaixonou por Renata, mas a garota estava namorando um Lúcio. Contou isso a ele no dia que ele tentou beijá-la, enquanto esperavam o ônibus pra casa.

* * *

Hoje um dia, Jonas é um cara muito feliz. Seu dia tem mais cor, sua vida tem mais graça. Acorda todas as manhãs aproveitando muito mais um dia. Qual é o motivo dessa felicidade?
Uma menina chamada Lúcia!

Lucas C. Silva

Postagem dedicada à Lúcia, que alegra os dias do Jonas!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Livros para-didáticos

Voltando aí bem uns 10 anos, quando eu ainda era um feliz aluno do primário, todo começo de ano era a mesma coisa. Para as aulas de português, as professoras sempre passavam listas com 5 ou 6 livros, geralmente adaptações de obras clássicas da Literatura, ou aqueles da Coleção Vaga-Lume, que marcaram inúmeras gerações, para eu ler. É, esses livros me marcaram profundamente... de forma negativa.
Não, não estou falando mal dos clássicos literários, muito menos da Coleção Vaga-Lume, que aprendi a amar anos mais tarde. O problema nunca esteve nos livros, mas no fato de os professores obrigarem os alunos a ler.
Gente, gosto pela leitura, não é algo que se impõe na escola, com provas e trabalhinhos. Leitura, no meu ponto de vista de leitor e pseudo-escritor, é algo que tem que partir do leitor. O leitor que tem que se interessar pela história e procurar pelo livro. Não algo que faça daquele jeito: "você lê esse livro e faz a prova, senão toma um zero!"
Estou escrevendo isso por experiência própria. Por exemplo, quando eu tava lá pra quarta, quinta séries, me mandaram ler Do Outro Lado da Ilha, Meninos Sem Pátria, Açúcar Amargo e A Primeira Reportagem, da Coleção Vaga-Lume. Na época, li inteiros o Açúcar Amargo e A Primeira Reportagem, de forma obrigatória, sem vontade de ler. Do Outro Lado da Ilha eu li só a metade. Meninos Sem Pátria, nem toquei nele. Não tinha o menor interesse, achava tudo aquilo uma chatice, uma inutilidade. Como que esses livrinhos influenciariam na minha formação?
Acabou que em meados de 2007, 2008, achei, meio empoeirados e esquecidos, o Do Outro Lado da Ilha e o Meninos Sem Pátria, e pensei "quer saber? Vou ler esses livros!". O primeiro, eu achei espetacular, uma história cativante, que não te deixa soltar o livro. Terminei em dois dias. Já o Meninos Sem Pátria, já li, reli e me arrepio quando penso no livro. Tá, é história infantil e tal, mas o livro é maravilhoso, dá vontade de chorar. É um dos livros mais lindos que já li, gostaria demais de encontrar por aí o Luiz Puntel e pedir pra ele autografar meu livro. Não tenho palavras pra descrever... A Primeira Reportagem só não foi lido porque ainda não tive tempo e me arrependo amargamente de ter vendido o Açúcar Amargo para um sebo.
Olha aí o que eu estou falando. Aí que está a diferença entre ler por conta própria e ler obrigado. Professor (agora estou me dirigindo exclusivamente a você), não faz isso com seu aluno. Você acaba despertando mais o desgosto pela leitura do que o gosto (cara, to imaginando a cara dos meus professores quando lerem isso). Sei lá, é um tiro no pé. Tá certo que tem aluno que acaba gostando, mas outros (acho que a maioria) não. Eu, por exemplo, sempre detestei esse papo de ler obrigatoriamente... Eu pretendo um dia ser escritor e peço a todos vocês, mestres: não mandem seus alunos lerem meus livros...
Você, professor, o que acha disso? E você, aluno, o que acha?

Lucas C. Silva

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Um poema num pedaço de papel...

Te prometi que escreveria um texto pra você, lembra?
Até ontem eu já não sabia direito o que escrever. Hoje, estou ainda mais perdido. Por isso, queria citar Pablo Neruda, uma poesia que você mesma me mostrou, e que tanto amei e que meio que fala o que estou sentindo, apesar de eu não concordar com dois versos aí. Espero que goste:

Posso escrever os versos...

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe."

O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a, e por vezes ela também me amou.

Em noites como esta tive-a eu nos meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi já.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.

Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido

Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, e ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.

Já não a amo, é verdade, mas tanto que eu a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.

Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta a tive nos meus braços,
a minha alma não se contenta com havê-la perdido.

Embora esta seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

Obrigado por tudo. E também desculpa por isso...
Um beijo.
Te adoro.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sugestão do Meus Pensamentos

As Coisas Simpáticas da Vida - Felipe Peixoto Braga Netto

Por vezes a vida anda tão corrida, tão amarga, tão ingrata que acabamos esquecendo de suas coisas simpáticas. E Felipe Peixoto Braga Netto consegue nos lembrar dessas coisas com sabedoria, simpatia e delicadeza em seu livro As Coisas Simpáticas da Vida.
Nascido em Alagoas e morando em Belo Horizonte há anos, Felipe é a prova viva de que para ser mineiro, não precisa ter nascido no estado. Em várias crônicas do livro, o autor canta as belezas do estado, seus ipês, suas mulheres e seu sotaque, surpreendendo até os nascidos em Minas que nunca pararam para prestar atenção nessas características. Conheci seu trabalho justamente por causa de uma de dessas crônicas, talvez sua mais conhecida, Sotaque mineiro: é imoral, ilegal ou engorda?
Está certo que sou suspeitíssimo para falar sobre algo que fala (bem) de Minas, mas essa crônica sobre o "falar sensual e lindo das mineiras" é fantástica. Ele conseguiu, sem parecer forçado, reproduzir bem como os mineiros falam.
Mas Felipe não fala só de Minas. Nas páginas de As Coisas Simpáticas da Vida você ri e chora (talvez de rir) com as crônicas sobre o Zorro que bebe cerveja, Camões (seu cachorro), a linguagem dos juristas (Felipe Peixoto é procurador geral da República). Fica com muita vontade de conhecer (tá, gente, é a última vez que falo de lá) Minas e Maceió (estou louco para caminhar no mar em Ponta Verde). E não consegue não se emocionar com a carta de um pai para sua filhinha que ainda vai nascer.
Mas o que me interessou mais no livro foram as cronicas que falam, mesmo que indiretamente, de muitas das coisas que nos afligem e mostrar que pode haver sim uma luz no fim do túnel. Não, não é um livro de auto-ajuda. É um livro de crônicas, mas esse livro meio que nos anima, nos reconforta e muitas vezes nos descreve (e nossos sentimentos) de um modo incrível. Em várias crônicas, entre uma risada e outra eu me dizia: "sei não, mas acho que esse Felipe me observa e lê minha mente, porque está escrevendo coisas aqui que sinto, mas nunca contei pra ninguém."
O livro é simpático, verdadeiro, uma excelente companhia pros momentos alegres e tristes. Estou lendo o livro no mesmo período em que leio e ouço falar das obras de Nietzsche. E cheguei numa conclusão. Nietzsche pode até entender muito de conflitos, culpa, essas coisas, mas não entende nada sobre a vida. Não. Felipe Peixoto Braga Netto entende muito mais da vida, principalmente das coisas simpáticas da vida.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Ciclista também é gente.

Motoristas são engraçados. Vivem reclamando dos motoboys, lhes atribuindo a culpa de todos os problemas do trânsito nas grandes metrópoles (que não se resumem a Rio e São Paulo) do nosso país. Acusam os motoqueiros de encrenqueiros, de não respeitarem ninguém, de promover um pandemônio nas nossas ruas. Mas e vocês, motoristas, que moral vocês têm de acusar alguém de não respeitar as outras pessoas?
Não, não sou motoboy. Apesar de ter meus 20 anos nas costas, ainda não tenho CNH. O que me transforma num ciclista (sinceramente, se houvessem mais ciclistas nas cidades, muita coisa melhorava). E andando pelas ruas, seja da grande cidade do Rio de Janeiro, ou da pequena cidade de Carmo do Cajuru, vejo que, para o motorista, valho menos que um cachorro ou um monte de esterco.
Lá em Cajuru, depois que o senhor prefeito decidiu asfaltar a principal rua da cidade (já estava na hora!), o trânsito virou um inferno. Playboyzinhos querendo se exibir com seus carros, bêbados vindos da Barragem a toda velocidade, caminhoneiros loucos pra entregarem suas encomendas... Certa vez um carro dos Correios, querendo estacionar justamente onde eu andava (no canto da rua), quase me jogou pra cima de um caminhão que vinha a toda. Outra vez, eu descia uma colina e um retardado motorista decidiu que a hora certa de abrir a porta do seu carro era justamente quando eu passava por ele. Tive que jogar a bicicleta pro meio da rua, onde vinha uma caminhonete por distração daquele respeitável senhor.
E aqui no Rio. Quem conhece o bairro de Botafogo sabe que existem duas ruas principais. A Voluntários da Pátria, de mão única e que segue em direção à praia e a São Clemente, também de mão única (costumo dizer que o Rio é uma cidade mal planejada), que segue para Humaitá e Lagoa. No lado esquerdo da São Clemente começa uma rua, a Real Grandeza, que segue para Copacabana. Certa vez, vi que não vinha nenhum carro na faixa da esquerda da São Clemente e fui atravessar, de bicicleta, a Real Grandeza. Um filho da puta "motorista" veio da faixa direita e virou sem dar seta, quase jogando seu luxuosíssimo Honda Civic em cima de mim. Ele freou um pouco antes. Mas, estando em frente a um batalhão da Polícia Militar, queria que ele tivesse me acertado. Não em alta velocidade, mas queria que tivesse acertado. Aí ele ia ver o que dá virar uma rua sem dar seta!
Em outro dia, minha mãe ia passando de bicicleta no cantinho da rua e um caminhão a toda não a pegou por centímetros, igual a um Palio perto do Aeroporto Santos Dumont quase me atingiu.
Motorista não respeita nada. Não respeita ciclista, não respeita motoboy, não respeita sinal, não respeita setas, não respeita a própria mãe. E ainda vem cobrar respeito.
Depois bate o carro, se quebra todo, quebra pessoas inocentes, e não sabe porquê.

Tem motorista que não tem que tirar CNH, tem que tirar porte de arma.

domingo, 22 de março de 2009

A incrível jornada

Parte 2 - Belo Horizonte
No episódio anterior...

O ônibus ainda andava pela linha vermelha quando o cara que se sentava do meu lado se virou pra mim e disse: "Será que daria pra você abrir a janela um pouquinho?"
Me sinto até um pouco culpado agora, mas aquele cara que eu estava suspeitando, se mostrou alguém muito simpático. Não sei seu nome. Tudo que sei é que ele é piauiense, estava morando em Minas havia pouco mais de um ano e veio ao Rio para fazer uns trabalhos pra firma dele.
Bem, não vou dar muitos detalhes da viagem, porque não tenho o que contar. Ela foi tranquila. O motorista não correu nem andou de vagar e, ao passar por Conselheiro Lafaiete, não vi a Bruna na estrada, como ela prometeu que estaria...
Chegando em Belo Horizonte que minha aventura começou de verdade. Antes, um pouco de lenga-lenga. BH sempre foi pra mim um lugar mágico, inalcansável. Sempre quis conhecer a capital do meu estado, mas meus pais não queriam ir pra lá. Só viajei pra BH mesmo em novembro de 2006, quando o Galo voltou à Série A do Brasileirão. Mas sempre viajei acompanhado, ou pelo menos alguém me buscou na rodoviária. Dessa vez eu estaria sozinho em Beagá.
Desci do ônibus as 5:40 da manhã de sábado, 14 de fevereiro de 2009. Eu precisava de arrumar um jeito de ir até o Teixeira Dias, na Zona Sul da capital. Cheguei pra um PM e perguntei a ele o que deveria fazer. Ele me disse que o mais seguro era pegar o metrô até a Estação Eldorado - em Contagem, Grande BH - e de lá pegar um ônibus pro Teixeira Dias. Do centro de BH até parte um ônibus pra lá, mas andar por ali de madrugada - e sozinho - não é das atitudes mais aconselháveis. Agradeci o PM e caminhei até a Estação Lagoinha.
Esperei uns 10 minutos até as cabines de vendas de tickets abrirem. Comprei minha passagem, desci até a plataforma de embarque e peguei o metrô. E que metrô esquisito o belo-horizontino! Não sei se era imperícia do condutor ou o que era, mas ele não acelerava e desacelerava de forma constante, automática, como acontece no Rio ou em São Paulo. Ele começava a acelerar, aí ia desacelerando, aí voltava a acelerar, e desacelerava. Sei é que teve uma hora que o condutor anunciou uma estação e o trem parou no meio do nada!
E nesse vai-não-vai, cheguei à Estação Eldorado. Lá um guarda me informou que eu deveria pegar o ônibus 1950. Caminhei até o ponto e fiquei esperando pelo ônibus. Sozim, de madrugada, num lugar estranho, vi o ônibus passar do outro lado da rua e perguntei pra umas pessoas se eu estava no lugar certo. Aí um cara, até simpático, me disse que eu poderia pegar o 2730, mas ele iria pra Estação Diamante. De lá eu poderia pegar outro ônibus pro Teixeira Dias.
Com pressa, louco pra chegar em casa e descansar (dormi pouco durante a viagem), peguei o 2730, que passou logo. E me arrependi amargamente. Como o cara disse, ele não iria pro Teixeira Dias, ele iria pra Estação Diamante. E nesse caminho ele passou por vários lugares que eu não conhecia. Pra quem conhece Contagem, ele foi até a Cidade Industrial, se não me engano. Morrendo de medo de me perder permanentemente naquela cidade estranha, fui rezando pra chegar logo.
Bem, não cheguei logo à Estação Diamante, mas cheguei. Lá descobri que deveria pegar o 314. Assim finalmente chegaria ao meu destino. Não demorou muito, um 314 passou pela plataforma. Eu dei sinal e o motorista apontou pra frente, seguindo direto. Corri toda plataforma atrás do ônibus, mas ele foi embora me largando pra trás. Xingando, voltei pra plataforma e vi que, na verdade, ele estava apontando pro 314 que estava parado na plataforma, esperando os passageiros.
Entrei no ônibus e, feliz por finalmente estar chegando, me sentei bem lá no fundão. O motorista entrou, ligou o busum e partiu. Quando ele estava saindo da estação, meti a mão no bolso e me perguntei: Cadê meu celular?
- Motorista! Ô Motô, pára o ônibus! pára o ônibus! - gritei.
Pulei do ônibus e, com a mala na mão, corri de volta para a plataforma. Estava convencido de que o celular havia caído do meu bolso enquanto eu corria atrás do outro 314. Durante minha corrida de volta, pisei em falso no meio fio, caindo no chão. Foi mala pra um lado, lente dos óculos escuros pro outro, minha imagem pro espaço, mas eu não tava nem aí. As pessoas me ajudaram a me levantar perguntando se eu estava bem e eu só perguntava se alguém havia visto um celular caído no chão.
Corri num bar e perguntei se alguém havia achado o celular. Nada. Perguntei pra algumas pessoas. Nada. Aí perguntei pra um cara de bigode se ele havia visto. Ele disse que não e perguntou se eu realmente estava com o celular na calça, e não no agasalho que estava usando. Foi quando meti a mão no bolso interno do agasalho e senti um alívio indescritível. Caindo de joelhos no meio da plataforma, numa cena bem teatral, agradeci a Deus por estar com o celular guardadinho no bolso da blusa.
Conversei com esse cara até chegar outro 314 (por concidência - ou não - o ônibus que tinha me deixado pra trás mais cedo. Entrei no ônibus e pedi pro motorista me deixar perto do posto da PM, imaginando que ele seguiria a Via do Minério - uma avenida importante da Zona Sul de BH - direta.
Cara, eu amo BH. Sim, aquela música do César Menotti e Fabiano tem razão, não existe lugar melhor que aquele. Mas a capital mineira tem um defeito gravíssimo, ou um charme irresistível, de acordo com seu ponto de vista. Ela é cheia de morros, e de morros íngrimes. E a casa do meu primo, onde iria me hospedar nessa semana que passaria por lá, ficava sobre um desses morros.
O ônibus me deixou onde eu pedi, no pé desse morro. Desci, agradeci ao motorista e vi, com muita raiva, o ônibus subir a rua do meu primo. E vi com mais raiva ainda, ele parar no ponto que fica literalmente no portão do meu primo!
Cansado, estressado, morto de fome e com uma mala pesada, subi o morro e, depois de umas 12 horas de viagem (contando o tempo que perdi, esperando em rodoviárias, estações e terminais de ônibus), finalmente concluí essa incrível jornada. E tive uma das melhores semanas da minha vida.

Lucas C. Silva

sexta-feira, 20 de março de 2009

A incrível jornada

Parte 1: Rio de Janeiro

A história que vou contar aqui, tem tudo pra uma ótima ficção, mas é a mais pura realidade. E, não sei se foi o melhor, ou o pior disso, essa história aconteceu comigo.
Era uma sexta feira, 13 de fevereiro de 2009. Dois dias depois o Atlético enfrentaria o Cruzeiro pelo Campeonato Mineiro e, mesmo sabendo que não poderia ir a esse jogo, decidi ir a Belo Horizonte, como eu estava querendo ir durante todas as longas férias de verão da UFRJ.
Minha viagem tava marcada pras 23 horas, mas como não gosto de sair muito tarde, fui com a minha mãe pro ponto às 20 horas, pra esperar o ônibus 173, o mais rápido pra quem quer ir da Zona Sul para a rodoviária do Rio de Janeiro. Assim que entramos no ônibus, não tínhamos idéia (a reforma ortográfica não chegou nesse blog!) da enrascada que nos metemos.
Motorista gosta muito de falar mal de motoboy (ainda vou abordar isso aqui no MP), mas não está entre as 15.000 criaturas mais respeitosas do mundo. E o motorista desse ônibus não era exceção. O cara era louco! Cortou o túnel Santa Bárbara a mais de 70 km/h costurando entre os carros, fez curvas a toda quase tombando o ônibus e freou bruscamente umas 3 vezes, derrubando muitos passageiros. Eu, que não sou muito supersticioso, comecei a me perguntar se era uma boa mesmo escolher uma sexta-feira 13 pra viajar.
Rapidinho, e graças a Deus, o ônibus chegou à rodoviária inteiro. Desci dele meio tonto e, ainda acompanhado da minha mãe, fui comer alguma coisa. Reabastecido, sentei com ela em um dos poucos bancos da rodoviária (já comentei que a infra-estrutura do Rio de Janeiro é um pouquinho mal planejada? Cara, uma rodoviária supermovimentada daquelas tem uma quantidade absurdamente pequena de cadeiras!). Do meu lado uma mulher dormia e uma criança a rabeava. Com susto, ouvi um grito e um xingamento. Parece que o guri esbarrou nela, a despertando de seu sono. Ao som de xingamentos e resmungos, peguei as malas e desci pra plataforma.
Chegando lá, me despedi da minha mãe e fui procurar algo pra beber. Comprei uma água, sentei num banco e botei os fones de ouvido. Ao som de Shiny Happy People do REM, percebi algumas coisas naquela plataforma.
Um homem baixinho e de terno caminhava por ali cantando alto e indo até o telefone público, onde falava sozinho, antes de desligá-lo pra voltar à cantoria. Do meu lado um cara lia quadrinhos, me fazendo lembrar do Gabriel, um amigo meu fanático por HQs. E do outro lado da plataforma, havia algo que me preocupou um bocado.
Quatro caras estavam juntos. Um deles arrancou algo do bolso de outro dando início a uma grande troca de socos. Era visível que eles estavam bêbados e a briga estava piorando. Um guardinha da rodoviária correu até lá para separar a briga. Só foi o guarda sair pra ela recomeçar.
Eu tava rezando pro ônibus chegar logo, pra eu ir embora pra BH e, assim que ele chegou, peguei a mala e corri até ele. Sentei na minha poltrona, recoloquei os fones de ouvido (tocava Capitain Nemo, da Sarah Brightman). Pouco depois, um cara se sentou do meu lado.
Ele, entre uma frase e outra com um companheiro de viagem, olhava para mim de rabo de olho. Não virava o rosto pra mim, me olhava como se não quisesse que eu visse. Olhava pro meu rosto, parecia olhar pros meus bolsos e voltava a olhar pra frente. Tipo, nos últimos 6 anos sofri 4 assaltos. Depois de tal experiência, você passa a desconfiar até de sua própria sombra. Com medo, mas sem demonstrar, fiquei olhando pra fora.
Já passava das 23 horas e ainda estávamos presos na plataforma. O que tinha acontecido? Aqueles quatro caras que trocavam socos também estavam indo pra Belo Horizonte (assim como o cantor maluco e o cara dos quadrinhos). Um deles estava tão bêbado que mal conseguia entrar no ônibus.
Pois é, depois de um bom atraso, o quarto bêbado entrou, despencou em sua poltrona e dormiu. O ônibus ainda andava pela linha vermelha quando o cara que se sentava do meu lado se virou pra mim e disse...

CONTINUA!

Lucas C. Silva

terça-feira, 17 de março de 2009

Quero xingar!

Quero gritar!
Quero xingar!
Quero chutar alguma coisa!
Quero extravasar essa raiva que está me corroendo por dentro!
Quero acabar com essa dor que está me destruindo!
É frustrante, sabe?
Frustrante gostar de alguém e descobrir que essa pessoa gosta de outro.
Porra, me diz, por quê?
Por que essas histórias sempre terminam assim?
Me diz, por que sempre tem um coração desenhado na Lua a toa?
Por que minhas ficções acabam se tornando realidade?
Por que, quando penso que terei o gosto doce da vitória, vem o gosto amargo da derrota?
Por quê?
Essa dor que tá no meu peito não tem cardiologista que cura!
E o pior é que essa porra dessa dor sempre vem!
Eu devia tá acostumado com ela, mas não tô.
Não quero demonstrar fraqueza.
Não quero demonstrar a raiva que eu tô sentindo.
Mas não. Não sinto raiva de você.
Eu tenho raiva é da situação, de mim mesmo...
Tenho raiva de me entregar demais.
Quero que saiba que, do fundo do coração, tenho a maior admiração do mundo por você!
E que eu quero que você seja a pessoa mais feliz do mundo!
Você não tem culpa de nada. Ele não tem culpa de nada!
É tanta coisa que eu queria falar, que eu queria fazer, mas não posso.
É tanta coisa que eu queria demonstrar, mas tenho que esconder.
Cara, eu quero fugir!
Voltar pra Minas, sumir por uns tempos!
Sei lá, ir pra qualquer lugar...
Só não quero encarar os rostos daquelas pessoas.
Não quero que elas percebam a raiva e a dor que eu tô sentindo.
Não quero que elas tenham pena de mim.
Não quero assumir que me enganei todo esse tempo.
Não quero que me vejam chorando, mesmo que chorando por dentro...
Não!
Quer saber? Eu nem sei mais o que eu quero...

Leitor, desculpe os palavrões, desculpe minha raiva.
É que eu to precisando mesmo de desabafar!

Lucas C. Silva

Eulaema atleticana

No dia que a APCM provocou o fechamento da comunidade Discografias no orkut, que Clodovil sofreu um AVC e foi parar no hospital em estado gravíssimo e, no CQC, Danilo Gentili ofereceu ao príncipe Chales o castelo daquele parlamentar mineiro (agora Minas tem tudo pra ser um reino de conto de fadas), uma notícia me chamou mais atenção.
O pesquisador da UFMG André Nemésio, 38 anos, descobriu 7 espécies novas de abelhas na Mata Atlântica. Tá, legal, o cara descobriu 7 novas espécies, mas o que chamou mais atenção foi essa simpática abelhinha aí em baixo.
Leitor do Meus Pensamentos, lhe apresento a Eulaema atleticana. Não, o nome não é uma (feliz) coincidência e nem digitei errado. Essa abelhinha é, até em seu nome científico, atleticana!
Acontece que Nemésio é um torcedor fanático (pleonasmo) do Atlético Mineiro e no ano do centenário do clube, o pesquisador descobriu a espécie. Ele entrou em contato com Ziza Valadares, então presidente do Atlético, para informar a descoberta e a escolha do nome, mas Ziza deu pouca importância ao fato.
- Ainda brinquei com ele que o nome da abelha vai durar por toda a eternidade. Não deu outra. Daqui a mil anos, mesmo que não exista mais futebol, sempre que alguém se deparar com o nome dessa abelha na literatura especializada e quiser saber a origem do nome, vai encontrar a história do Galo. - disse o biólogo a entrevista ao Estado de Minas.
O pesquisador não quer que o famoso Galo, mascote do time desde meados dos anos 40, seja substituido pela abelha, mas não se importaria se ela fizesse companhia ao mascote original.
Além do pioneirismo em títulos conquistados, o Atlético venceu o primeiro campeonato interestadual, primeiro Mineiro e o primeiro Brasileiro, agora o alvi-negro de Minas, às vésperas de completar 101 anos, é o primeiro time no mundo a ser homenageado com o nome científico de um animal.

Lucas C. Silva

quinta-feira, 12 de março de 2009

Um coração do tamanho de Minas Gerais

– Eu te amo, Maria. – disse Júlio.
A moça sorriu sem dizer nada.
– Eu te amo mesmo! – repetiu o rapaz.
A moça lhe olhou com compaixão e, ainda sem dizer nada, sorriu.
– Maria, eu seria capaz de te dar a Lua! – disse o rapaz apontando para a esfera prateada que iluminava a pracinha daquela cidade do interior.
– Mas como, Júlio?
– Eu não sei. Mas seria capaz de colocar na Lua uma mensagem de amor para você.
Maria sorriu sem graça e, beijando o rosto de Júlio, voltou para casa lhe desejando boa noite. O que para ela não passava do delírio de um apaixonado, para o rapaz era algo sério. E naquela mesma noite, Júlio começou a trabalhar em seu projeto.
A primeira questão era como Júlio deixaria na Lua sua declaração de amor. Para ser vista, a declaração deveria brilhar no satélite e, como o rapaz não tinha como mandar lâmpadas para o espaço, o jeito seria projetá-la na Lua.
Dia após dia, semana após semana, mês após mês, Júlio trabalhava em seu projeto. O rapaz decidira que projetaria um coração no satélite e para tal proeza, estudou ótica, eletricidade, astronomia e luz. Procurou os melhores materiais, as lâmpadas mais potentes e as lentes mais precisas.
Os amigos de Júlio se perguntavam onde ele havia ido naqueles meses. Alguns diziam que ele havia viajado sem revelar o destino. Outros afirmavam que ele estava em seu quarto, trancado, projetando algo grande. Um ou outro ainda falava que ele havia morrido. E Maria, que não o via desde a noite na praça se preocupava muito com seu amigo.
Alheio a tudo isso, Júlio construía em uma clareira do bosque nos arredores da cidade o projetor de luz mais potente da história. Após muito estudo, o rapaz terminava a máquina cujos raios luminosos venceriam a atmosfera terrestre e um segundo depois formariam na superfície lunar um coração do tamanho de Minas Gerais, grande o suficiente para ser visto da Terra.
E naquela noite de céu límpido e lua cheia, Júlio caminhou solitário para a clareira. E com a força e a coragem que apenas um homem verdadeiramente apaixonado tem, ele apontou o canhão para a Lua e o ligou.
Instantaneamente, todas as luzes do estado se apagaram e toda eletricidade foi transferida para o canhão de luz, que riscou o céu com um facho vermelho. Por uns instantes, na superfície lunar, surgiu um borrão vermelho, que lentamente foi focalizando até formar um belo coração.
Maria estava em seu quarto e viu pela janela o facho de luz surgir e desenhar o coração no céu. Instantaneamente, a moça se lembrou da promessa de Júlio e saiu correndo na direção da clareira, para encontrá-lo.
Vinte segundos após aceso, o canhão de luz se apagou, mergulhando a cidade numa escuridão que só não foi maior, graças à luz do luar. Orgulhoso de seu feito, Júlio olhou para as árvores e viu a população se aproximando. A frente, vinha Maria, correndo com lágrimas nos olhos. Ela o abraçou, beijou seu rosto e disse emocionada:
– Júlio, amei o que você fez! Foi a coisa mais linda que eu já vi, mas você não deveria ter feito isso!
– Mas por quê? Eu te...
– Júlio, nesse domingo vou me casar com o Vinícius...

Lucas C. Silva