quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Mais uma vez no "berço da civilização"

Europa. Localizada na parte ocidental do supercontinente Euroasiático, a península de 50 países e 8 territórios e uma população de 761.743.255 habitantes, deu ao mundo valiosos conhecimentos sobre filosofia, política, astronomia, física. Por outro lado, também mostrou ao mundo o imperialismo, colonialismo e, mais recentemente, o nazismo.
Nazismo. Forma alemã do Fascismo, essa política diferencia da "irmã" pelo caráter nacionalista, totalitário, anti capitalista e racista. Apesar de o regime de Hitler ter caído há quase 64 anos, essa idéia continua firme e forte na cabeça de alguns. E esses alguns ainda fazem vítimas em pleno século 21.
Nessa semana, na Suíça, a brasileira Paula Oliveira, de 26 anos, foi atacada por neonazistas, enquanto dava um telefonema. A bacharel em direito, que estava grávida de gêmeos, perdeu os bebês por conta das agressões. Além de perder os filhos, Paula tem por todo o corpo marcas de estilete, muitas delas com uma sigla de um partido suíço. E a polícia nisso tudo? Com o perdão do termo, estão c... e andando. Afinal, é mais uma brasileira que foi lá tomar emprego de suíços...
É revoltante isso! Já não basta o caso Jean Charles que hoje, 4 anos após o assassinato cometido pela polícia que não usa armas (?), onde nada foi feito... aliás, foi feito sim. Colocaram a comandante da Operação Kratos para fazer a segurança da rainha da Inglaterra!
E os brasileiros tratados como animais nos aeroportos espanhóis? Muitos vão para a Espanha a trabalho ou para estudar e, mesmo com os passaportes em dia, são presos, ridicularizados e deportados...
No caso de Paula Oliveira, o governo brasileiro disse a mesma coisa que disse no caso Jean Charles e dos presos no aeroporto espanhol: "vamos entrar em contato com o governo do país e pedir pra tomar providências". É, já até sabemos como vão tomar providências. Do mesmo jeito que vem tomando providências com europeus desde sua independência. Baixando a cabeça e deixando os "civilizados europeus" nos pisarem.
Mas, para ver xenofobia, não precisa ir muito longe não. Aqui no Brasil mesmo há muita gente que não quer ver brasileiros. No orkut se espalham comunidades onde defendem o extermínio de nordestinos. Meu pai, que foi do interior de Minas para São Paulo, cansou de ouvir falarem que "migrantes estão roubando os empregos de paulistas". Tomando emprego de paulistas? Por favor, né? Eu não sei se esses nazistas tupiniquins sabem, mas os migrantes ajudaram a construir São Paulo! Muito do que a cidade é hoje, é graças aos migrantes. Mas isso não acontece só em São Paulo não. Em outras grandes cidades do país também acontece esse tipo de preconceito. E, antes que alguém venha comentar me criticando por isso, eu sei muito bem do que estou falando e tenho provas disso.
É nessas horas que eu me pergunto se o ser humano é realmente um animal racional...

E, antes que eu me esqueça, ainda falando de relações políticas entre Brasil e Europa e de criminosos, pouco me surpreende o Ministro da Justiça, Tarso Genro, conceda asilo político a Cesare Battisti. Já não basta a "Justiça" passar a mão na cabeça de bandido brasileiro (deixam eles sairem pra visitar a família - e cometer crimes - no dia das mães! Que lindo!), agora também passa a mão na cabeça de bandido estrangeiro...

É... se você cometer um crime no Brasil, ou contra brasileiros na Europa, ele compensa...

E, antes que eu me esqueça [2], feliz aniversário, Carol!

Lucas C. Silva

9 comentários:

Vanessa Raposo disse...

Infelizmente, não precisamos nem ir muito longe para pensarmos na xenofobia contra brasileiros. Não é preciso ser paulista para ter preconceito com mineiros, nordestinos ou alguém de qualquer outro Estado. O que eu já vi de cariocas (eu sou uma) falando mal dos próprios conterrâneos (generalizando, como se todos fossem mal-educados, caras-de-pau ou "favelados" - como se ser morador de comunidade fosse um atestado absoluto de canalhice...) não é brincadeira.
Comentários como "odeio esse país" são tão comuns q chega a ser estranho para nós entendermos as ondas de nacionalismo q, vira e mexe, os europeus passam...
Parece q ñ basta a xenofobia lá fora: precisamos ser preconceituosos com nós mesmos, aqui, na nossa própria terra...

Parabéns pelo excelente post!
bjões!

Tyler Durden disse...

Quando algum estrangeiro vem ao Brasil ele é tratado da melhor maneira possível, estendem até um tapete vermelho se for necessário. Agora, nos países de 1° mundo é isso que acontece.
Uma pena.

Lucas Conrado disse...

Pois é, Tyler... Os que se dizem mais evoluidos são os que tratam pior...

Junior disse...

Indiquei teu blog ao selo
http://istosimmsica.blogspot.com/

Karol disse...

Oiii, passando pra desejar uma ótima semana....muita paz

abraço

Yza. disse...

É incrível como coisas que pensamos apenas habitar o passado vem se arrastando até agora. Não só o nazismo que ainda possui adeptos, mas em todas as partes do mundo, em cada continente, carrega consigo a bagagem negativa do que já se passou.

Ignorancia? Talvez essa fosse a explicação. Quando mais os humanos, nós, se mostram inteligentes e capazes, mais nos fazem crer que são egoístas e ignorantes.

Belo blog.
Beijos

Lara Monsores disse...

Os "civilizados" europeus são tão prepotentes que não conseguem nem admitir as suas próprias mazelas. Agora querem incriminar essa Paula por autoflagelação, distúrbios psicológicos e tal. E mesmo se isso fosse verdade não esconderia o fato d que existem sim neonazistas lá e que suas práticas são violentas e covardes.

Abração, Lucas!

HeitorF.C. disse...

Cara, muito interessante esse assunto. Você deve entender bastante disso já que é de um estado e reside em outro, mas não se deve confundir com brincadeiras sem maldade.
Dentro do país, cito algo que já presenciei. Sou do estado do Rio e sempre que vou a Bahia sou MUITO bem recebido, ouso dizer que NUNCA fui mal acolhido lá. Mas já vi acontecer o inverso aqui diversas vezes. Nordestinos em geral chegando no Sudeste, mais precisamente no Rio e sendo ridicularizados pelo jeito de falar, vestir, etc.
Muito complicado e lamentável. Ainda bem que não é todo mundo que é assim. Conviver e aprender com as diferenças é uma das coisas mais bonitas da vida, só custam pra ver isso.
A propósito, serei seu calouro. Aquele... botafoguense, lembrou?

Abraço e parabéns pelo blog.

Lusca disse...

Cara, acabei achando esse texto aleatoriamnte no seu blog, e o curioso foi como ele coincidiu com algumas coisas que andava pensando esses dias, sobre o preconceito do povo do sul (principalmente do povo de são paulo), com os nordestinos.

É estranho que eu morei quase 3 anos em são paulo e nunca fui vítima de preconceito por ser pernambucano (tirando algumas insinuações de um velho imbecil, mas nada direto). Acho que o isso aconteceu porque eu conheci paulistas inteligentes, que viam que esse preconceito não tinha nada a ver. Mas infelizmente existe o outro lado, que tem uma série de preconceitos com os nordestinos.

Esses dias eu vi um topino no orkut de um paulista dizendo que os nordestinos só sabiam festejar, não trabalhavam, usavam o dinheiro suado do homem de bem trabalhador paulista, e que sem eles sp poderia evoluir economicamente. O cara percebe que esse preconceito, como todo os outros, é questão de ignorância e burrice.

Quando eu vejo alguém falando asneiras dessas, dá vontade de chegar e dizer que sp só ficou cresceu por causa da mão de obra barata dos outros estados, que em Pernambuco a carga horária é 4horas maior do que de São Paulo, que a industrialização não é fruto do espirito evoluido do paulista, mas porque as condições historicas e economicas fizeram com que isso acontecesse, e que seria ótimo que SP fosse independente e que todos os nordestinos voltassem pra sua terra, pois assim a gente poderia investir em centros industriais fora do eixo paulista, e teríamos nossa mão de obra barata de volta. Seria lindo ver SP morrendo sem trabalhadores enquanto a economia geral do resto do país crescia graças a uma distribuição de renda e investimentos mais justa e descentralizada, e SP pedindo arrego e puxando o saco do resto do país.

Mas não dá pra explicar coisas assim pra gente burra. Hoje em dia dá só vontade de irritar o trabalhador honesto paulistano dizendo que o bom é morar no nordeste, porque eu fico o dia todo na praia tomando cerveja enquanto os otários paulistas trabalham pra mim.