quinta-feira, 12 de março de 2009

Um coração do tamanho de Minas Gerais

– Eu te amo, Maria. – disse Júlio.
A moça sorriu sem dizer nada.
– Eu te amo mesmo! – repetiu o rapaz.
A moça lhe olhou com compaixão e, ainda sem dizer nada, sorriu.
– Maria, eu seria capaz de te dar a Lua! – disse o rapaz apontando para a esfera prateada que iluminava a pracinha daquela cidade do interior.
– Mas como, Júlio?
– Eu não sei. Mas seria capaz de colocar na Lua uma mensagem de amor para você.
Maria sorriu sem graça e, beijando o rosto de Júlio, voltou para casa lhe desejando boa noite. O que para ela não passava do delírio de um apaixonado, para o rapaz era algo sério. E naquela mesma noite, Júlio começou a trabalhar em seu projeto.
A primeira questão era como Júlio deixaria na Lua sua declaração de amor. Para ser vista, a declaração deveria brilhar no satélite e, como o rapaz não tinha como mandar lâmpadas para o espaço, o jeito seria projetá-la na Lua.
Dia após dia, semana após semana, mês após mês, Júlio trabalhava em seu projeto. O rapaz decidira que projetaria um coração no satélite e para tal proeza, estudou ótica, eletricidade, astronomia e luz. Procurou os melhores materiais, as lâmpadas mais potentes e as lentes mais precisas.
Os amigos de Júlio se perguntavam onde ele havia ido naqueles meses. Alguns diziam que ele havia viajado sem revelar o destino. Outros afirmavam que ele estava em seu quarto, trancado, projetando algo grande. Um ou outro ainda falava que ele havia morrido. E Maria, que não o via desde a noite na praça se preocupava muito com seu amigo.
Alheio a tudo isso, Júlio construía em uma clareira do bosque nos arredores da cidade o projetor de luz mais potente da história. Após muito estudo, o rapaz terminava a máquina cujos raios luminosos venceriam a atmosfera terrestre e um segundo depois formariam na superfície lunar um coração do tamanho de Minas Gerais, grande o suficiente para ser visto da Terra.
E naquela noite de céu límpido e lua cheia, Júlio caminhou solitário para a clareira. E com a força e a coragem que apenas um homem verdadeiramente apaixonado tem, ele apontou o canhão para a Lua e o ligou.
Instantaneamente, todas as luzes do estado se apagaram e toda eletricidade foi transferida para o canhão de luz, que riscou o céu com um facho vermelho. Por uns instantes, na superfície lunar, surgiu um borrão vermelho, que lentamente foi focalizando até formar um belo coração.
Maria estava em seu quarto e viu pela janela o facho de luz surgir e desenhar o coração no céu. Instantaneamente, a moça se lembrou da promessa de Júlio e saiu correndo na direção da clareira, para encontrá-lo.
Vinte segundos após aceso, o canhão de luz se apagou, mergulhando a cidade numa escuridão que só não foi maior, graças à luz do luar. Orgulhoso de seu feito, Júlio olhou para as árvores e viu a população se aproximando. A frente, vinha Maria, correndo com lágrimas nos olhos. Ela o abraçou, beijou seu rosto e disse emocionada:
– Júlio, amei o que você fez! Foi a coisa mais linda que eu já vi, mas você não deveria ter feito isso!
– Mas por quê? Eu te...
– Júlio, nesse domingo vou me casar com o Vinícius...

Lucas C. Silva

9 comentários:

Wander Veroni disse...

Oi, Lucas!

Que belo texto, hein! Diálogos bem escritos e um clímax no final que instiga o leitor para um sabor de quero mais. Será que a Júlio lutará pelo amor de Maria? Será que Maria realmente vai casar com Vinícius? Aguardemos os próximos capítulos.

Abraço,

=]

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Vanessa Raposo disse...

ADOREI!
De longe, seu melhor conto, Lucas! Não só pela alusão que fez à história do cara que queria fazer uma propaganda publicitária na lua (o que seria mto divertido, diga-se de passagem rs), mas principalmente pelos recursos que vc utilizou nos diálogos. Adorei particularmente o início, onde as pausas para a descrição do narrador se confundem com o silêncio q paira entre eles. Genial!
Enquanto eu ia lendo, fui pensando "se essa história terminar com final feliz, vou dizer no meu comentário que ficou 'conto de fadas' demais, pq infelizmente, na vida real, pôr um coração na lua pode não ser suficiente para conquistar alguém (poizé...)".
Mas vc parece q leu minha mente e terminou de um modo q corta o coração. Adorável! X3

Se eu tenho uma única ressalva é com relação ao miolo do conto. Acho q seu objetivo aqui foi criar uma história q diz "para o amor ser consentido, existe algo mais do q demonstrações por parte de um. Muitas vzs, elas são insuficientes para fazer o outro se apaixonar."
Então, teoricamente, grandes descrições de personagens ñ teriam mto valor, uma vez q eles de fato não importam, mas sim a situação.
Ainda assim, acho q um pouco mais d contato com o interior de Júlio tornaria o fim mais comovente. O q ele teria feito até então para demonstrar seu amor (em vão)? Pq, se alguém põe um coração na lua, é pq já tentou de tudo antes, msm q indiretamente. E o q ele sente qdo a vê, qdo a toca, qdo sente seu cheiro? Q imgs passam por sua cabeça?
Esse tipo de aprofundamento não tomaria mais do q 2 ou 3 linhas, e poderiam ter sido feitos de uma forma indireta, dentro das frases de descrições do q ele fazia enquanto construía o holofote, por exemplo.

De verdade, gostei muito desse conto! Sempre q quiser me mostrar mais outro, lerei com prazer :D

Bjões e parabéns!

Jacqueline disse...

UAU....Eu fiquei sem palvras...O final foi surpreendente. Eu q sou td tonta pensei q ele iria ficar com a menina...e paft...num foi nada disso..
E caramba..qntas coisas podemos tirar disso... As vezes nosso amor pelo ouro é do tamanho do universo...mas se nao estamos no coração do outro...ele nao tem valor e por maior q seja a prova d amor...a conquista nao é garantia...
É..qnd Maria ama Vinícius, por mais q Julio dê a Lua pra ela...ela vai continuar amanando Vinicius....
Aiii..é triste..mas é assim q a vida acontece...

TÁ DE PARABÉÉÉÉÉNS LUCAS!!

SENSACIONAL!!!!!!!!

bjinhosss

Euzer Lopes disse...

Eu estou pensando com meus botões... Sem ser egoísta, eu acho que se eu amasse uma pessoa, como a Maria (parece) ama(r) Vinícius, mesmo uma declaração dessas não me convenceria.
Agora, por amor, eu tomo, sim, atitudes (não tão extremadas) como a de Julio.
Quer saber? Vale tudo no amor. Porque, se a água mole não furar a pedra dura, uma coisa é certa: a água só se esgotará para esta pedra dura.
Ficará mais fácil tirar aquela pedra dura da frente da água e colocar outra pedra no lugar.
Certamente outra pedra dura furará para tanta água mole sobre ela.
Valeu Júlio, seu amor é incondicional.
Valeu Maria, digna de um amor profundo.
Resta saber se até o fim de semana haverá casamento.

Bruna disse...

Muito bom Lucas!!!

Declarações de amor (as explícitas como a de Júlio e tbm as subentendidas) nem sempre são suficientes pra se conquistar alguém, não é mesmo??

Será frieza da parte de Maria negar um amor tão grande como o de Júlio?

Acho que não... até porque não conhecemos Vinícius, que pode amá-la tanto quanto Júlio, mas mesmo sem escrever na lua seu amor, conseguiu conquistá-la...

Mas penso q a grande lição que tirei desse conto é:
Não perca tempo tentando provar o seu amor, pq vc pode esquecer do mais importante: de cultivá-lo.

No mais, o texto é bem escrito... vc é mto talentoso!! Continue nos presenteando com sua escrita!

bjossss

Bia Mól disse...

MEU DEEEUS!
coitado do julio! depois de tanto estudar (física, por sinal) e conseguir fazer o coração lá na lua...vem essa maria louca e faz isso? ah bem, no próximo episódio garanto que ele vai projetar na lua "maria, sua maldita!" auahauhaeu
muito bem escrito seu texto, lucas. pra variar, né?
beijos!

Tyler Durden disse...

Sei bem como é isso.
Mas infelizmente não podemos ganhar todas. Nem tudo está em nossas mãos.

Raysner d' Paula disse...

gosto de reviravoltas!
voltei, lucas.
desejo me tornar um leito 'constante.

vou colocar um feed seu na minha página.

até.

Bahh Barbosa disse...

Típico texto teu sobre amor.