segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Games: Rainbow Six Lockdown

Comprei ontem pela revista Fullgames o jogo de 2005 Tom Clancy's Rainbow Six Lockdown, quarto jogo da série baseada nos livros homônimos do escritor estadunidense Tom Clancy, autor de, entre outros, A Soma de Todos os Medos.
Tenho os dois primeiros jogos da série e, na vontade que eu estava de arrumar um First Person Shooter (jogo de tiro em primeira pessoa) pro meu computador, quis apostar nesse para ver quais foram as modificações que aconteceram nas últimas versões. E as modificações não foram poucas.
Antes, deixe-me contar uma pequena sinopse do jogo. O jogador assume o papel de Domingo Ding Chavez, líder da Rainbow Six, uma organização internacional criada pelos membros da OTAN para combater redes terroristas pelo mundo. Em Lockdown, através de 16 fases, a organização viaja pela África e Europa para combater um grupo terrorista que está criando um vírus altamente mortal, cumprindo missões como sabotagem de computadores, resgate de reféns, desativação de bombas e eliminação de terroristas perigosos.
Voltando às modificações em Lockdown, Logo de cara, nos primeiros jogos da série, Rainbow Six e Rogue Spear, antes de cada missão havia um mapa onde se poderia criar a estratégia de invasão. Controlando quatro equipes (Vermelho, Amarelo, Verde e Azul), o jogador criava estratégias, ordenando que as equipes esperassem por comandos para invadirem as casas/quartos, podendo entrar em silêncio, atirando pra todos os lados, etcetera e tal. O Lockdown eliminou isso, passando a assumir uma postura mais tradicional dos jogos de tiro, onde você simplesmente invade e vai atirando. Falar que não existe um mínimo de estratégia seria injustiça da minha parte, já que você pode ordenar que seus homens que invadam salas, desativem câmeras e hackeiem computadores, mas nada comparado à gama de opções dos primeiros jogos da série.
Outra diferença é que neste jogo, você não escolhe os membros de sua equipe. Apesar de ser uma organização criada pela OTAN, a Rainbow Six conta com policiais do mundo inteiro (incluindo o brasileiro - e belo-horizontino!) Alexandre Noronha. Nas versões anteriores, o jogador podia assumir o personagem que quisesse (fato que eu só jogava como Noronha). Já em Lockdown, o jogador assume o papel de Domingo "Ding" Chavez e os membros de sua equipe são selecionados pelo jogo (infelizmente, o brasileiro não está aí). Isso causa uma sensação de estranhamento, uma vez que há missões que ocorrem um dia após a outra. E, se o policial é gravemente ferido ou até morto em uma delas, na outra ele está disponível e zero quilômetro! Mas, se a linearidade e opções de criação de equipe, deixam a desejar, as armas melhoraram muito, uma vez que você tem mais variedade e você pode customizar sua arma.
Infelizmente, o jogo tem uma falha grave na questão da inteligência artificial. Pelo lado dos policiais, em boa parte do jogo você tem que se virar sozinho, uma vez que eles ficam, fazendo sabe-se lá o que metros atrás de você. Se eu ganhasse um real pra cada vez que fui morto por um terrorista por falta de alguém pra me cobrir... É uma falha relativamente comum em FPS, esta dos bots da sua equipe serem estúpidos a ponto de simplesmente ficarem parados numa sala enquanto você avança, mas não deixa de dar uma sensação de trabalho feito nas coxas. Mas os terroristas não ficam muito atrás não. Quase um terço dos que matei no game simplesmente estavam parados (muitos de lado e de costas) estranhamente sem perceber a invasão policial por mais barulho que eu fizesse. O cara fica ali, a 3 metros de você, parado com a arma na mão e não faz nada. Só espera ser baleado. Em outros jogos semelhantes, como a série SWAT, você chega a perder a paciência com a intensidade que os bandidos atacam. Em Lockdown, a falta de paciência vem com a longa hesitação dos terroristas. Outra coisa irritante é o fato de o terrorista há 150 metros te enxergar escondido no meio de árvores ou atrás de uma janela. Como assim? Há 3 metros ele não vê nada, mas há 150 metros vê! Já os reféns... aí é um capítulo a parte. A coisa mais tranquila que você pode fazer no jogo é invadir uma sala cheia de reféns. Eles vão sair intactos. Os terroristas, sabe-se lá por quê diabos, não atiram nos reféns! É, não atiram! Nos Rainbow Six mais antigos, e até mesmo na série SWAT, já cansei de perder missões por ter reféns baleados pelos bandidos. Em Lockdown, eu invadia as salas com reféns com a tranquilidade que vou à padaria, por exemplo.
Os modos de jogo como Terrorist Hunt (onde você caminha pelos mapas só matando terrorista) ou Lone Wolf (onde você cumpre as missões sozinho, o que não muda muita coisa em relação a cumprir as missões com a equipe) deixam o jogo mais interessante. Em relação aos Rainbow Six mais antigos, a jogabilidade é mais fácil, visto que enxugaram as teclas de ação (sério, o primeiro Rainbow Six exige uns 3 dias até você se acostumar com as teclas), mas isso causa alguns problemas, uma vez que, pra você abrir a porta e mandar os soldados abrirem, tem que apertar o espaço, causando umas portas abertas em horas erradas.
Rainbow Six Lockdown é um bom jogo policial, mas deixou uma certa decepção no ar. Apesar dos bons gráficos, dos mapas muito detalhados, grande variedade de armas e acessórios, o jogo peca pela (falta de) inteligência artificial e alguns bugs, como balas que atravessam terroristas sem matá-los. Quem comprá-lo, terá algumas horas de diversão especialmente pelos modos de jogo que vem nele. Só não vá esperando inimigos enlouquecedores de tão inteligentes e difíceis como os de FEAR (shooter mais difícil e assustador que já joguei, inclusive no modo fácil), ou uma ação policial mais realista, onde os bandidos matam reféns e você tem a opção (e obrigação) de preferencialmente prendê-los a matá-los como na série SWAT. Isso passa longe de Rainbow Six Lockdown.
Minha nota pro jogo? 7.5.

Lucas C. Silva

Um comentário:

Lusca disse...

Deu vontade de jogar os outros, se alguma coisa rodasse no meu notebook ¬¬