quarta-feira, 5 de maio de 2010

Distância

Ela não aguentava mais aquele sofrimento. Desesperada por um amor não correspondido, ela queria, acima de tudo, esquecer o homem que tanto a fizera sofrer. Largou o emprego, trancou a matrícula naquela tradicional universidade. Desligou o telefone, cancelou a linha do celular, apagou seus perfis do orkut, twitter, msn e facebook. Não respondia aos e-mails ou a qualquer outra forma de comunicação. Acreditava que, incomunicável, estaria isolada em seu mundinho particular, isolada de todo sofrimento que a perseguia.
Mesmo isolada, ainda era seguida por todos os seus tormentos. Sentia que, morando naquela cidade, estava próxima demais do homem que não a amava. Decidiu então vender quase tudo que tinha, mantendo apenas algumas roupas e objetos pessoais. Tal qual os pássaros que migravam para o Norte, fugindo do inverno, ela comprou a primeira passagem para Belo Horizonte, deixando o Rio de Janeiro para trás naquela mesma noite.
Na capital mineira, ela descobriu uma nova vida. Conseguiu um bom emprego e um apartamento razoável na região central da cidade. Recomeçou sua vida do zero. Mas a angústia por não ter o amor daquele homem e a sensação de ainda estar muito próxima dele ainda a perseguia, apesar dos mais de 350 km que os separavam. Cada vez mais infeliz, e com muita saudade do mar, em pouco tempo deixou Belo Horizonte para trás, indo para Salvador.
Na capital baiana, ela se reestabeleceu mais uma vez. A experiência profissional adquirida no Rio e em Belo Horizonte pesaram na hora de conseguir um emprego e os amigos que ela tinha naquela cidade lhe ofereceram um lugar para ficar. Na Bahia, há mais de 1000 km do Rio e em outra região do país, ela imaginou que se sentiria mais confortável. Mas, numa noite de Lua Cheia, quando andava pela orla de Salvador, ela se sentiu solitária e ainda próxima demais de seu amor não correspondido.
De Salvador, ela se mudou para Recife, onde ainda estava muito perto dele. E de Recife para Fortaleza, onde também não estava longe o suficiente.
Neste momento, ela está sentada no saguão do Aeroporto Internacional de Manaus, esperando o próximo avião para a Venezuela. Talvez lá, ela acabe com essa sensação de proximidade, que a impede de esquecer o seu amor.

Lucas C. Silva

5 comentários:

Tatiane disse...

(...)
Hoje, sou o que serei!
Sim, porque os sonhos se enfileiraram e tornaram-se planos com hora marcada.
Havia há tempos esquecido de ser feliz!
Esquecia-me de ser eu! Como pode?
E agora eu não me contento em mim!
Tantas idéias!
Tanta inspiração!
A cabeça tomba para o lado e as palavras caem-me pelo ouvido,
As letras pipocam em minhas digitais,
A paixão aflora-me aos lábios... hum...
(...)

Jacque ... disse...

Olá Lucas,
Total identificação com seu texto...=/
E certas vezes fugir é a única alternativa de tentar arrancar alguma coisa, que de certa forma, se entranhou em nós.

E uau...adorei o poema da Tatiane....

Beijo Luquinhas..

Raysner d' Paula disse...

Acho que esse negócio de amor a gente não esquece nem no Saguão de embarque da NASA, com passagem comprada pra Marte!

Boa sorte pra moça!


Opa,


voltei.

Flávia Pupo Sad جميلة disse...

Noossa super me indentifiquei com o texto. E digo mais,fugir nunca é o melhor caminho, no entanto a sensação de recomeço nos torna de alguma forma pessoas melhores, nem que seja naquele momento de vida. E nao existe lugar que acabe com essa sensação de proximidade, que nos impeça de esquecer os amores vividos.. a menos que o tempo possa, nesses casos ser considerado um lugar ¬¬

Fernanda Fratelli. disse...

Nossa, belo texto e bem parecido com alguém que conheço. Muito lindo, parabéns!!