terça-feira, 11 de maio de 2010

Ivana Bentes, cotas e os alunos branco-danoninho da UFRJ

Logo apos responder, em seu Twitter, a uma pergunta de um aluno sobre a posição da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ivana Bentes, a diretora da ECO, postou a seguinte afirmação:
A declaração provocou reação instantânea dos alunos, sendo que a grande maioria se sentiu ofendida pela colocação da diretora, provocando uma onda de tweets.

Eu também me senti ofendido pela declaração dela. Não é nem tanto pela discriminação racial (porque, chamar um negro de "macaco" é tão crime quanto chamar um branco de "branco-danoninho"), mas pela forma que se dirigiu aos alunos da instituição que ela própria dirige.

Quer dizer então, cara Ivana Bentes, que eu, que passei no terceiro vestibular mais concorrido da UFRJ depois de muito estudo entrei por que fui facilitado? Por acaso a senhora já me viu dizer qualquer coisa me gabando, ou me achando um gênio só por ter entrado na ECO? Aliás, quer dizer então que os alunos da Escola de Comunicação (que os professores enchem a boca para dizer que é a melhor do Brasil) não entraram por esforço próprio, mas porque todos estudaram nas melhores escolas e moraram nos melhores cenários das novelas das 8? Ah, e só existe aluno branco na ECO e aluno negro não-universitário?


Essa história de cotas raciais é um racismo disfarçado. O governo, e seus defensores, ao apoiarem as cotas acabam por afirmar que a pessoa que tem mais melanina na pele não tem a capacidade intelectual para passar num vestibular, então precisa de uma ajuda para entrar. As cotas sociais parecem ser, a princípio, a forma mais justa. O problema é o seguinte, muitos governantes alegarão que mais alunos de escola pública estão entrando na universidade. E com isso, eles taparão o sol com a peneira, afirmando falsamente que as escolas estão melhores, quando, na verdade, ficou mais fácil (para os alunos formados nessas escolas) entrarem na universidade.

Não discordo da senhora, Ivana Bentes, quando afirma que a ECO é muito elitista, nem que o acesso deveria ser mais democratizado. Mas eu, particularmente, não acredito que as cotas, raciais ou sociais, resolverão este problema. Muito pelo contrário, só servirão para a manutenção da não capacitação dos alunos vindos de escolas públicas para encarar a vida na universidade. Vida essa que muitas vezes é complicada até para os alunos branco-danoninhos que estudaram nas melhores escolas. E peço para que a senhora, como diretora de uma faculdade de comunicação-social, escolha melhor suas palavras, até mesmo para não arranhar sua imagem, ou da instituição.

Lucas C. Silva

32 comentários:

Debora Diva disse...

É muita falta de respeito! quer dizer que só porque eu sou BRANCA tudo pra mim sempre foi mais fácil... até numa prova em que avaliam MEU conhecimento. ah tá!

Mari Verdun disse...

Eu concordo! Até porque os dados da UERJ, por exemplo, mostram que a cota foi algo meio fail! Uma porcentagem muito pequena consegue se formar... aí tem os que dizem "mas pelo menos 'salvamos' esses poucos." Mas se eles foram tão esforçados pra se manter numa universidade apesar de todas as dificuldades, será que não conseguiriam passar no vestibular por mérito próprio??
E tem outras infinitas questões! Como tudo no Brasil, as costas não seriam bem fiscalizadas! Ia acontecer o que acontece na UERJ: pessoas mentindo renda e quem entra sendo de escola pública MESMO, é do Pedro II, da CEFET... piada, né?!
E a própria universidade não está preparada pra receber esses alunos! Eu vejo muitas pessoas na ECO que tem dificuldades de arcar com as despesas - os professores nos consideram milionários - e também com a falta de base... muitas vezes, cultural. Então, a UFRJ... a ECO, que falam que é a melhor do Brasil, "diminuiria" o nível pra ser justa com aqueles que eles deram incentivo pra entrar? Ou não e só fariam essas pessoas entrarem pra abandonar o curso em 6 meses?
É claro que algo tem que ser feito para que o ingresso seja mais justo, mas não assim! Não com esse vocabulário!
Enfim! UHEUHAHUA Beijos!

Tatiane disse...

Muito bom pensamento!

Karol Paiva disse...

Concordo totalmente com suas ideias. Parabéns pelo texto. (aliás eu nao ia nem comentar, mas o mascote me convenceu do contrário <3)

Marcos disse...

A Mari Verdun falou tudo. O que mais me surpreende, ainda, é utilizar a marca de uma das maiores instituições do país dessa maneira, ofendendo a maior parte(como ela defende)dos alunos da UFRJ. mais do que não estar qualificada pra representar a instituição, não está qualificada para usar o twitter.

Anônimo disse...

Irmão, tu tá falando muita coisa equivocada nesse post. Te peço pra que guarde ele em algum lugar que não somente no blog e volte a lê-lo daqui a uns 3 ou 4 anos.

Abraço

Anônimo disse...

Rídiculo o posicionamento da Ivana. Espero que os alunos façam protestos.

Pessoal, comecem a ter idéias!

PB disse...

Gente,

se me permitem, gostaria de expressar minha discordância em relação a alguns pontos do texto contra as cotas. Numa boa, como convém a um debate democrático, sem agressividade:

a)Em primeiro lugar, dizer que os brancos desse país são beneficiados não constitui nenhum absurdo, basta pegar qualquer estatística de pobreza, violência, acesso a serviços públicos que vocês verão a diferença gritante e o corte eminentemente racial que existe nessa sociedade. Isso não quer dizer que os responsáveis sejam vocês, no sentido de que vocês tenham feita o país assim, da forma como ele é. Mas por outro lado, também é inegável que, se não fizermos nada diferente das gerações anteriores (que sempre negaram a existência do racismo no Brasil), a situação permanecerá como está. Como diz Primo Levi, nós não somos responsáveis pelas vítimas, mas diante delas! Não quero responsabilizar ninguém, mas cabe destacar que a persistência do racismo (não apenas simbólico, mas em sua materialidade concreta mesmo) é um desafio a ser superado pelo conjunto da população e pelo Estado brasileiro, do qual a universidade é uma ponta e um serviço (e sempre é bom lembrar, financiado por toda a população) do qual apenas uma ínfima parcela desfruta.

b)Segundo: dizer que as cotas raciais são uma forma de "racismo disfarçado", além de constituir uma simplificação grosseira (sem qualquer argumento que a justifique), ignora o fato de que o racismo já existe, que o Brasil é um país violentamente racista (basta checar as estatísticas de mortes entre jovens, e dentre esses, os negros!) e que não há outra forma de combater o racismo senão sob a forma de ações afirmativas de cunho "racial". Argumentar que as cotas levam a uma racialização das relações sociais é fingir que a cor das pessoas não importa na hora de conseguir um emprego ou de ser parado "aleatoriamente" pela polícia, coisa que sei que vocês conhecem perfeitamente. Apenas uma ressalva: não se trata de casos individuais, mas da ampla persistência de um determinado tratamento dispensado aos negros (e pardos, e assim sucessivamente por meio de várias camadas de cores até chegarmos aos brancos, sem dúvida, os que mais se beneficiam dessa situação - ainda que involuntariamente e sem precisar ser declaradamente racista, pois não se trata de opinião pessoal, mas de constituição política, social e econômica).

PB disse...

c)Terceiro: as cotas não se referem à capacidade dos negros (ou indígenas) em desempenhar qualquer função, mas à realidade extremamente desigual que condena milhares de pessoas tão capazes quanto quaisquer outras a não ter possiblidade de avançar nos estudos porque não teve condições de pagar por uma escola de melhor qualidade. Aliás, seria interessante se perguntar, quanto ao mérito, por que alunos da rede privada de ensino (básico e médio) migram em massa para a rede pública quando chegam à universidade? Onde está o mérito do setor privado no Brasil (quando se trata da universidade)? Outra questão: não seria essa migração em massa uma forma de privatizar a universidade pública ou, dito de outra forma, não seria o mérito dos alunos brancos - como eu e alguns de vocês, imagino - a outra face da desigualdade social e racial que impera nesse país, a despeito dos meus esforços e qualidades individuais?


d) por último: mais uma vez, as cotas raciais não se referem à indivíduos particulares, mas a uma realidade e a uma consituição material racista, portanto não se sintam perseguidos! Não se trata de caça às bruxas, mas de uma medida democratizante que visa dar a uma população que não tem recursos a possibilidade de desfrutar de um serviço público (não se esqueçam!) e que portanto deveria ser para todos. Dito de outra forma, as cotas "raciais" são uma forma de garantir que o único quesito na avaliação dos candidatos não seja o financeiro, ou seja, que alunos extremamente capazes, mas que por motivos de racismo histórico e constitutivo da sociedade brasileira (não é coincidência os negros serem os mais pobres!) jamais tiveram condições de desenvolver todo seu potencial, terão sim a possibilidade de chegar à universidade!

e) Não há mérito em chegar a uma universidade (a pública) onde só entra 3% da população, por mais que isso pareça especial. O verdadeiro mérito só pode vir de uma sociedade mais democrática onde todos possam acessar igualmente os serviços e assim desenvolver plenamente suas faculdades, da forma como melhor lhes interessar. Nesse sentido, não considerem que vocês não têm mérito, mas que a concorrência já nasce viciada, torta, enviesada para um lado (ínfimo) da sociedade. É por isso que o nome das cotas é ação afirmativa: não se trata de rebaixar os que já estão estabelecidos, mas de dar condições àqueles que não tem, de poder, a despeito das dificuldades, trassar o mesmo percurso que os demais. Não se trata de privilégio ou concessão a uma determinada cor, mas do reconhecimento de que, do arco-íris de cores que compõem a população brasileira, algumas (como os negros) certamente estão sub-representadas na universidade pública. Trata-se portanto de afirmar essas cores! E acho que isso nenhum de vocês haverá de negar!

abraços,
Pedro Mendes

Lucas C. Silva disse...

Pedro, não há problema nenhum em expressar sua opinião aqui. Confesso que o comentário está um pouco grandinho demais e agora (que estou me arrumando para a faculdade) não conseguirei ler, mas se você tem alguma posição contrária ao texto, ou mesmo a partes dele, fique a vontade para se expressar. Até porque, como você disse, isso aqui é um debate! =)

sindia santos disse...

Gente, o Brasil foi a última nação a abolir a escravidão no mundo! Essa vergonha bastaria para defender as cotas. Mas a coisa não para por ai, todos os dias quando saio nas ruas, aqui na zona sul, vejo mulheres negras carregando mochilas pesadas de alguma criança branca. Para receber um salário minimamente constrangedor, elas deixam os filhos em casa (e casa aqui são morros, favelas, as mesmas que têm de enfrentar agora as tais remoções, porque elas não têm o direito de morar num lugar com vista bonita) provavelmente sozinhos, ou com a irmã, porque o pai, está trabalhando tanto que mal para em casa, ou está preso ou esta morto (o risco de um jovem negro ser vítima de homicídio é 130% maior do que de um branco, faço referencia aqui a políticas genocidas que determinam quais vidas são descartáveis).
Então, porra, do que a gente está falando? É para isso que sentamos a bunda durante cinco, dez anos nos bancos da universidade, para ficarmos brabinhos quando nos dizem que fomos mimados pelas políticas sociais. Acreditem, fomos, somos. Há quem não consiga comprar um livro, chegar na escola, e mesmo assim, criam cultura, literatura, musica, dança, criam coisas que não tem nome porque são atravessados por essa força de existir que é vital. Então, que bundamolice é essa! A Ivana está dizendo uma “realidade” feia, que nos coloca ridículos na medida que não fazemos nada e fingimos que não é com a gente.
O branco-danoninho foi pontual, caricato, voltou o ridículo da situação para aqueles que se sentem acima dela, muito embora a sustentem. A Ivana inverteu a situação, quem tem cotas agora?, no mínimo colocou a gente não para pensar, mas para se olhar. E se o que vemos não nos agrada é porque está na hora de colocar a mão numa questão que, como disse o Pedro Mendes, foi evitada pelas gerações anteriores. Chega de comer mosca quando o assunto é cotas, afinal, fomos criados com danoninho.

Anônimo disse...

Cota é muito bom, muito bonito, mas é paliativo. Cutucar a ferida e fazer a educação pública funcionar no Brasil ninguém quer. Ver por que alunos terminam o ensino fundamental sem saber ler ninguém quer. Descobrir por que o Brasil sempre fica na lanterna de exames que comparam estudantes de ensino fundamental e médio no mundo inteiro ninguém quer.

Mesmo as universidades públicas, topo de linha do ensino nacional, ficam devendo a suas congêneres de outros países.

Portanto, a discussão está com foco no lugar errado. Outra coisa: o Brasil precisa mesmo de tanta gente com diploma de ensino superior? Pra que esse "diplomismo"? Cadê os cursos de tecnólogo?

Lucas C. Silva disse...

Pedro Mendes.

Concordo plenamente que o país é racista, que os negros tenham mais dificuldade para conseguir um emprego, ou mesmo que sejam mais vezes parados pela polícia. Mas no vestibular as pessoas não são avaliadas pela cor da pele, até porque as provas não são assinadas. Então, o que determina a entrada de alguém na universidade é seu preparo no ensino fundamental e médio, independentemente de sua cor de pele.

Outra questão, o que é ser negro? É ter melanina na pele, ascendência africana ou o que? Minha pele é clara, mas minha bisavó era negra. Então posso alegar que sou descendente de africanos também. E outra, puxando para o lado genético, o que determina a "raça" é um conjunto de genes, assim como o que determina a cor dos cabelos, o formato dos olhos e por aí vai. Então existem infinitas raças por aí.

Mas, mais uma vez, sou contra qualquer tipo de exclusão. Assim como a Ivana sempre diz, a UFRJ, assim como outras universidades públicas pelo Brasil, é muito elitizada. Eu sou a favor de uma universidade onde pessoas de todas as classes sociais possam estudar juntas, trocando experiências e construindo uma sociedade muito mais justa e igual. Mas não creio que as cotas (onde muita gente rica declara que é pobre para conseguir entrar) sejam a solução. O clichê "reformar a base" é, na minha opinião, a melhor forma de inclusão social.

Aliás, uma última observação: Nos dois anos que estou na UFRJ, não tive nenhum professor negro. Aliás, só vi UM pelos corredores da universidade. Será que não seria o caso de pedir cotas para a admissão de professores negros, então?

Mais uma vez, muito obrigado por seu comentário. Gosto disso, de debates e opiniões diferentes. Como o título do blog diz, aqui estão MEUS PENSAMENTOS, e não verdades absolutas.

Lucas C. Silva disse...

Sindia Santos

Concordo plenamente com você quanto ao absurdo da tardia abolição da escravatura (aliás, a própria escravidão é um absurdo) e do modo em que muita gente é tratada aqui na Zona Sul do Rio e em todo o Brasil. Sou do interior de Minas Gerais, onde muita gente, branca, negra, parda, indígena vive em situação de pobreza.

Já que a questão é combater o preconceito cometido contra um grupo social, já parou pra pensar no preconceito cometido contra pessoas vindas de outras regiões do país? Olha os nordestinos que vem pro eixo Rio-São Paulo-Belo Horizonte, que empregos eles conseguem? Como são tratados por PARTE DA POPULAÇÃO e pela mídia? Sempre que aparece um negro, nordestino e até mineiro na TV é em papel menor e caricato. Meu pai, mesmo tendo pele clara, nos 20 e tantos anos que passou em São Paulo cansou de ouvir que os migrantes iam para lá tomar os empregos dos paulistas, mesmo discurso de europeus que os paulistas atacam. A discriminação existe em todos os campos, não é só contra negros.

Não tiro a razão de sua reclamação e concordo plenamente que a muita gente não tem nem a oportunidade de lutar por um futuro melhor. Mas, essa gente que não tem oportunidade, não é composta só por negros. Há muito branco que mora em favela, há muito branco que não tem o que comer no dia seguinte. Essas pessoas merecem tanto uma oportunidade de luta quanto os negros. E, para isso, deveria-se cobrar melhores condições de educação, saúde, segurança e moradia a todas as pessoas, através de programas que os assistissem em todas as ocasiões da vida, não apenas na entrada da universidade.

Obrigado pelo comentário! Assim como eu disse pro Pedro, todas as opiniões são bem vindas aqui!

Karen disse...

Cota é muito bom, muito bonito, mas é paliativo. Cutucar a ferida e fazer a educação pública funcionar no Brasil ninguém quer. Ver por que alunos terminam o ensino fundamental sem saber ler ninguém quer. Descobrir por que o Brasil sempre fica na lanterna de exames que comparam estudantes de ensino fundamental e médio no mundo inteiro ninguém quer. [2]

Eu acho que o centro da questão é a generalização da Ivana. Não é porque eu sou branca que tive facilidades para estudar na ECO. Moro na baixada e estudei minha vida toda com bolsa de estudos (incluindo o pré-vestibular). Conheço muitas pessoas na ECO com o discurso parecido e muitas delas também são brancas.

Então é essa a questão, falta de melanina me faz ser menos "merecedora" do que alguém negro que tenha a mesma história que a minha?

Como mandei via twitter pra propria Ivana, tem branco pobre e negro rico. Pessoalmente, sou contra qualquer tipo de cota, porque não passa de uma desculpa de um governo que não consegue equilibrar as contas públicas e prefere gastar em tecnologia de perfuração de petroléo do que em Saude e Educação. Mas se quiserem implantar alguma coisa, que seja a social, já que ai vão lembrar dos pobres-danoninhos, que na cabeça de muita gente não existem.

Everaldo Vilela disse...

Meu caro Lucas.
Confesso que estou no mínimo surpreso com a declaração.

E tão logo li seu post me veio em mente um livro que considero excelente: "NÃO SOMOS RACISTAS - Uma reação aos que querem nos transformar numa nação bicolor" o livro é de autoria de Ali Kamel
Um trecho do livro [36pgs] pode ser lido aqui

Ali Kamel é diretor da CGJ, Central Globo de Jornalismo - fato que faz muitos por aí torcerem o nariz com aquele discurso manjado de emissora manipuladora, etc.

Abstenha-se desse outro preconceito e se tiver oportunidade leia o livro que, de uma maneira geral, mostra que a dividir o país em negros e brancos não resolverá o problema da educação. A escola básica de qualidade sim. Como se não bastasse a divisão bicolor faz ruir o que o Brasil tem de mais valioso: a mistura de raças que nos torna um povo único, tolerante e "igualmente diferentes".

abraço.

Tatiane disse...

Ah, gente, fala sério!

MUITO BONITO isso de defender os fracos e oprimidos mas, na real, QUEM realmente QUER, corre atrás e ALCANÇA!

Não é por nada, mas meu pai é filho de mecânico, de mãe analfabeta q nunca matriculou um único filho na escola pq não entendia a importância do estudo. Meu pai SOZINHO estudou, se matriculou em escola pública, trabalhava de motorista de caminhão e PASSOU PRA MEDICINA NA UFF, porra!
E digo mais, já é bem difícil conseguir explicar determinadas matérias para algumas pessoas q não sei como passaram para faculdade, nós vemos a diferença de base, isso até mesmo depois de formados, poxa! Percebemos VISIVELMENTE a diferença entre faculdades, imagina entre bases educacionais!!

Essas cotas só podem resultar em duas coisas:
1- OU os favorecidos vão acabar desistindo pq não vão aguentar o tranco...
2- OU o ensino nas universidades públicas VAI TER Q CAIR O NÍVEL para q consigam acompanhar!

Não sou a favor NEM DE UMA COISA NEM DE OUTRA! #prontofalei!

Renata Fontanetto. disse...

Admiro muito o seu blog: adoro debates.

1º - Surpresa fiquei com a declaração da minha futura diretora. Eu sou branca nordestina, não fui criada a base de danoninho (meus pais não tinham dinheiro pra comprá-lo e tampouco queriam me mimar), não passei no meu segundo vestibular por conta do excelente ensino ao qual tive acesso. Pelo contrário: o Pedro II não oferece base para o vestibular, como um professor meu dizia: "ele prepara para a vida!" (ridículo)... em 2008 eu cursava o ensino médio, o CURSO PRÉ-VESTIBULAR, o ensino médio integrado de informática que, felizmente, não me conquistou, e o meu estágio na fiocruz. Não tinha tempo para estudar para nada e acabei me dando muito mal em todas as provas de seleção para as faculdades públicas. E como o mercado de trabalho já fecha portas para pessoas que, iguais a mim, correram (e correm) atrás de todas as oportunidades para conseguirem uma multiqualificação pirotécnica e exuberantemente diplomada, eu afirmo que aqueles que tentam uma via mais facilitada irão empacar posteriormente. Sem qualquer curso preparatório, cursando uma faculdade simultaneamente, sem qualquer regalia eu quis passar, sentei a bunda e sozinha. Passei. De segunda, mas passei. Correr atrás existe e vontade própria também. Então não me digam que não existe oportunidade: a pessoa cria sua própria oportunidade.

2º - A realidade não é outra senão a péssima qualidade de ensino para aqueles que não tem condições de pagar cursos. Quantos e quantos amigos negros eu conheço, moradores de favelas inclusive, se desdobram de estudar a noite, pegam livros emprestados, vão para bibliotecas públicas e passam.

3º - Concordo plenamente quando o Lucas disse que durante a prova não assinamos o nosso nome, tampouco discriminamos a nossa cor. Exite prova diferenciada só porque sua cor é negra, parda, roxa ou azul? Ou ela faz a mesma prova? O conhecimento é o mesmo. As respostas são as mesmas. Então porque uma pessoa tem de entrar com uma nota menor? Desculpa pela cor da pessoa?

Sei que não abordei vários pequenos detalhes e nem terei tempo em fazê-lo. Ficaria hoooooras a fio conversando sobre isto. Ainda tem um assunto mais delicado ainda: a sociedade brasileira, com toda sua miscigenação, e seu preconceito sem fim. Não adianta: é cultural. Infelizmente. Desculpa se meu pensamente está um pouco confuso e vago mas é porque tenho que correr pro trabalho!
beijo grande!

Adam disse...

Ai, que raiva disso, vou reclamar muito no twitter!

Anônimo disse...

A questão das cotas no Brasil me parece uma deturpação da questão das cotas americanas. Sou a favor das cotas na lei americana porque o sistema americano de seleção inclui uma entrevista cuja dispensa de candidatos é subjetiva. Lá, o racismo servia como critério na eliminação de candidatos. Aqui no Brasil isso não ocorre. O vestibular é objetivo e quem corrige as provas da UFRJ não tem como saber nem o nome, muito menos a cor de quem fez aquela prova.

Anônimo disse...

Entretanto, o mesmo não se aplica as provas para professor da eco. As bancas observam o candidato e algumas notas podem sim serem afetadas pelo preconceito que os professores branco-danoninhos da eco carregam. Nesse caso me parece que urge abrir uma cota para professores negros na casa. Principalmente para os professores da pós (já que tal qual na sociedade, os poucos negros do corpo docente são marginalizados e concentram-se apenas na graduação -se é que 1 pode ser chamado de concentração)

Marcello disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcello disse...

Se vosso (no plural pois me refiro ao pseudo-movimento que o senhor e outros fundaram) objetivo é de fato o debate, então por favor parem de insultar a professora Ivana Bentes e apresentem réplicas logicamente válidas às ideias apresentadas pela mesma.
Grato,
Marcello La Rovere

Tatiane disse...

Caro Sr. Marcello, ao que me parece o senhor não leu os comentários deste debate onde o foco é justamente a discussão das cotas e a Indignação que nós, alunos de universidades públicas, sentimos pela ofensa que a Sra. Ivana Bentes nos inferiu (e não o contrário).

Sabe quem são os defensores das cotas? Políticos em busca de votos e aqueles acomodados que sentem-se privilegiados pela lei, pois todos os que se dedicam com afinco conseguem passar, como é o caso acima, exemplo de um de nossos comentários, da sra. Renata Fontanetto e mais incontáveis que conheço de colegas de classe e que com certeza, quem estuda em instituições públicas também conhece e sentem-se revoltados por haver a possibilidade de facilitar o ingresso de quem não faz por merecer.

julia disse...

"ao apoiarem as cotas acabam por afirmar que a pessoa que tem mais melanina na pele não tem a capacidade intelectual para passar num vestibular, então precisa de uma ajuda para entrar."

Discordo totalmente dessa assertiva. Eu defendo as cotas e acredito que a incapacidade do destinatário da cota de concorrer com os demais alunos não decorre de inferioridade intelectual, mas de carências óbvias em relação ao acesso ao conhecimento dos conteúdos que são cobrados no vestibular.
Apoiar a cota significa, ao meu ver, manifestar crença no potencial daqueles que não dispuseram da chamada "educação de qualidade". Significa não descartar esse potencial, como fazem aqueles que afirmam que o aluno cotista não logrará concluir o curso com êxito.
Alguns poderão questionar o que acabei de dizer, partindo da ideia de que, se o aluno cotista possui potencial acadêmico, possui também potencial para passar no vestibular sem dispor de benefício, caso se esforce para isso. Esse questionamento se sustenta sobre bases fracas.
O vestibular avalia os alunos segundo o critério do que ele aprendeu na escola. Ora, os conteúdos que se aprendem na escola são alvo de críticas frequentes, como a denúncia do seu caráter "decoreba" e da sua inaplicabilidade e até inutilidade na vida prática.
Muitas vezes, o aluno beneficiário de cota não domina esses conteúdos de forma suficiente para passar no vestibular (devido ao fato de que não estudou nas melhores escolas e blá blá blá), mas isso não prejudicará em nada seu desenvolvimento acadêmico.
Eu estudo em uma faculdade que adota sistema de cotas, então observo como o sistema funciona na prática. Tenho muito orgulho de fazer parte de uma instituição que acredita no potencial das pessoas, e que consegue visualizar que esse potencial reside não apenas no conhecimento dos conteúdos cobrados em vestibular, mas no conhecimento igualmente rico adquirido por outras fontes que não o ensino formal.

Ademais, concordo com absolutamente tudo que o Pedro Mendes falou.

Só mais uma colocação. Lucas, respeito muito o seu posicionamento, apesar de discordar com ele. Parabéns por suscitar no seu blog um debate tão importante para a UFRJ no momento em que se encontra e para a sociedade como um todo.

Anônimo disse...

Lucas, esse seu post distorce tudo o que foi dito, fazendo uma leitura "racial" da expressão "branco danoninho" quando não tem nada a ver.

Branco danoninho é simplesmente uma forma rápida de descrever o garoto branco que teve boa alimentaçao e condições!!!!

O QUE TEM DE OFENSIVO NISSO? Nada! A profa. Ivana explicou no próprio twitter:

"@ivanaBentes Gente não tem ofensa nenhuma: O aluno branco da UFRJ só passa no vestibular pq tem uma COTA de vantagens sociais atrás dele. Cota somos nós! " 2:45 PM May 11th via web

Acho sua leitura totalmente errônea, nem parece que você é estudante de Comunicação!

Branco-danoninho nõa é "raça", danoninho é rosa!

A referência ao consumo de danone é um dado de consumo de certos grupos sociais, só isso

Você está fazendo mau jornalismo ao "deturpar" totalmente o que foi escrito, que é totalmente correto

Sou a favor das cotas raciais e sociais

Ana Inês, estudante do IFCHS da UFRJ

Anônimo disse...

Viva as Cotas sociais e as cotas Raciais! Admiro a profa. Ivana Bentes pela coragem e lucidez. Os dados na UFRJ são vergonhosos!

Quero ver vocês dizerem na cara de um garoto negro de 16 anos que ele tem que esperar a "reestruturação do ensino médio e fundamental" para entrar na UNiversidade!

Isso é ridiculo! Tem que dar VANTAGENS sim para quem nunca teve vantagem nenhuma, como parte dos jovens brancos de classe média.

NA hora de dar porrada todo mundo sabe quem é negro como diz o rapper MV Bil, na hora de dar COTAS E VANTAGENS, a classe média fica indignada!!!

Sou negro, estudei em escolas públicas e sei que estou EM DESVANTAGEM diante de alunos melhor preparados da Zona Sul que são sim uma COTA, uma MINORIA.

É muito triste ver jovens universitarios que ja entraram na Universidade BARRANDO a nossa entrada! As cotas são uma alternativa URGENTE, AGORA, para que eu não tenha que esperar 10 anos e perca a UNICA oportunidade que tenho hoje de entrar para uma universidade

É muita covardia de quem já entrou falar essas barbaridades, dizer que as cotas supões que somos "incompetentes" para entar sozinhos.

Ao contrario, AS COTAS RACIAIS são uma politica dos que ACREDITAM QUE SOMOS COMPETENTES PARA ENTRANDO NA UNIVERSIDADE POR COTA OU DO JEITO QUE DER CONSEGUIRMOS SAIR TAO BONS PROFISSIONAIS QUANTO QUAISQUER OUTROS

Jorge Mário Oliveria, um jovem negro que acredita na justiça das COTAS Raciais e na Solidariedade dos Jovens que ja entraram na Universidade para que lutem para que a gente entre o + rapido possivel também, pela Cotas!

Anônimo disse...

Eu recebi essa Nota da Ivana Bentes pelo ECOPress...É isso ai! Vamos debater galera, mas em alto nível!!!! bijus Tainá

NOTA DA DIREÇÃO DA ECO SOBRE DEBATES DAS COTAS NA UFRJ

Prezados professores, estudantes e funcionários

Com intuito de encaminhar da forma mais democrática a discussão sobre as Cotas na UFRJ e as diferentes formas de acesso, a Direção da ECO está a disposição para organizar debates com todos os seguimentos e acolhendo todas as posições sobre este tema complexo.

Destacamos o direito de todos os professores, estudantes e funcionários da ECO a se pronunciarem, com liberdade, sobre a questão sabendo que a Escola de Comunicação, como já foi explicitado pela direção da ECO em nota, não tem uma posição única sobre o assunto. Podendo debatê-lo de forma ampla e, se necessário, tomar alguma posição na Congregação da Escola, órgão máximo de deliberação.

Professores, estudantes e funcionários tem todo o direito de organizar debates, de forma respeitosa, defendendo suas posições. Alertamos para um maior cuidado no uso público das redes sociais na internet, por estudantes, professores e funcionários, principalmente o uso de termos que possam ser interpretados como ameaças, de cunho racista ou sexista (mesmo que os autores vejam apenas como "brincadeira"), evitando maiores consequências dentro e fora do ambiente virtual.

Lamentamos qualquer tipo de mal-entendido inicial sobre esse tema difícil e urgente e conclamamos a todos a participar dos debates presenciais em toda a UFRJ, da forma respeitosa e democrática com que a ECO sempre debateu os temas mais complexos e polêmicos.

Cordialmente,

Ivana Bentes
Diretora da Escola de Comunicação da UFRJ


Divulgação: Elizabete de Cerqueira

Núcleo e Assessoria de Imprensa da ECO/UFRJ

Fernando André disse...

Essa história de cotas é o velho "Os fins justificam os meios". Muito lindo, muito lindo MESMO pessoas de todas etnias e classes sociais compartilhando conhecimento dentro do ambiente universitário. Agora, a que custo? O sistema meritório do vestibular é falho por que favorece o mais abastado? Ok, é. Mas no momento que você separa um número de vagas pra certas pessoas baseando-se em outros critérios vira suruba. Deixa de ser método meritório pra virar método nenhum.
Mas whatever.

felipeClaudino disse...

Caramba...rs

fiquei sabendo a pouco tempo deste comentário da Ivana pelo twitter. Acho que ela falou algo certo da forma errada. Por ser no twitter, um espaço aberto, ela falou o que quis, e fiquei pensando nisso.
Sou negro, passei na ECO (como em outras 3 faculs públicas) sem cota, pq tive oportunidade de fazer um bom curso pré-vestibular. Há muito tempo era totalmente contra as cotas, defendendo isso em varias discussões. Mas algo que aconteceu me fez repensar esta questão (não que eu tenha mudado de opnião). Certa aula na ECO, assim d bob, fiquei olhando a sala inteira, e vi que só tinha um negro: eu. Sabe, as cotas são só paleativas, mas po, olha a realidade. Qual o acesso que o negro tem à universidade? Sei que há vários outros negros na UFRJ, mas a discrepância ainda é ridícula. Só uma educação de base vai fazer todos ficarem em pé de igualdade, mas enquanto isso. A "cota social" que realmente prevaleceu a classe média continuará? A idéia ainda não está fechada na minha cabeça, mas não discordo totalmente dela.

♀♥Kiara ♥♀ disse...

O vestibular numa universidade pública é difícil até para quem estudou em bons colégios!

Acho muito insensato criticar quem passou no vestibular, mesmo tendo estudado em colégio particular! É pagador de imposto, estudou e por isso conseguiu. Se não tivesse estudado, não entraria, a menos q comprasse a vaga por um bom dinheirro, mas isso é outro assunto!

Falam desses alunos com hostilidade até. Parece até que o sucesso é ofensa pessoal!

Melhor ele estudando pra ser alguém consciente do que ganhar carro do ano do pai e da mãe, pra dirigir bêbado com os amigos ou sair pra agredir trabalhadores gratuitamente!

E quando um pobre e/ou negro/qquer minoria entra sem cotas, nem usam como incentivo, ao contrário, falam que ele é exceção ou teve sorte!

O problema é que acham que é "burrice demorar mais tempo pra conseguir as coisas"... (leia-se: quem faz mais de uma vez o vestibular pra mesma universidade até conseguir) o que não é bem por aí. Se demorar pra conseguir, mas de maneira limpa, sem coitadismo, é sinal de paciência e inteligência...

gerson disse...

A questão das quotas é polêmicas, mas a discussão muitas vezes é irracional.
É um debate muito longo pra ser feito no meu comentário. De todo modo, vejo que muitas pessoas criticam a ideia com o argumento de que os critérios usados são inadequados. Seria como criticar a democracia porque a Constituição brasileira tem um critério distorcido de representação parlamentar dos Estados.
Fui aluno e professor. Não dei aula pra dez negros em alguns anos de prossissão. A segregação é evidente. Uma segregação social e econômica. Acho que isso justifica algum tipo de prioridade para os afrodescendentes.
É um debate longo, que envolve um problema crônico do país, que a abolição não resolveu.
Abraço!