quarta-feira, 4 de abril de 2012

Vamos falar sobre carros?

Carros são máquinas incríveis. Te dão uma sensasão de poder e liberdade que nada mais te dá. Carros são bonitos. Carros são atraentes. Sem querer parecer machista, carros atraem mulheres. Não são todas, mas atrai muita mulher (quem já foi na minha cidade sabe que é bem assim).

O carro é o sonho de consumo de grande parte das pessoas. Muitas sonham em tirar sua carta de motorista, depois juntar uma grana e comprar seu carrinho. Outras, mais ricas, já ganham carros de presente dos pais. Vira e mexe, surge uma promoção sorteando um carro. Eles são máquinas desejáveis. Eu, mesmo, já quis muito um carro. Espera, já quis, no passado?

Sim, no passado. Apesar de todas essas vantagens, vou confessar que, ao contrário de 90% dos caras da minha idade (que ainda não têm um carro), este não é um sonho de consumo meu. Tenho 23 anos nas costas, não tenho carteira de motorista e não faço a menor ideia de quando vou ter a minha. Na verdade, nem sei se me faz tanta falta assim.

Atualmente, tenho apenas dois compromissos na vida: Faculdade e estágio. A faculdade está a 3km da minha casa. O estágio está a 6km. Dá para ir a qualquer um dos dois de ônibus, de taxi ou mesmo a pé. Quando o horário de verão estava aí, bonitão, alegrando e alongando as nossas tardes, eu vinha embora a pé, ouvindo podcasts ou músicas, vendo o sol se por no Rio de Janeiro. Era uma caminhada de quase uma hora, mas que passava assim, num piscar de olhos. Sem estresse, sem buzinas, sem congestionamentos nem nada. E mantendo uma vida mais saudável, o que é o mais legal!

Agora, quando eu vinha embora de ônibus, era um tormento! Claro, a viagem era bem mais rápida que vindo a pé, mas ainda assim, o ônibus ficava um tempo absurdo parado nos congestionamentos, cada vez mais comuns nas ruas estreitas do Rio de Janeiro. A cidade pode ser linda, maravilhosa, o que for, mas é mal planejada. Aliás, mal planejada para os dias atuais. Quando as ruas foram feitas, estreitas, não existia a quantidade absurda de carros que existe hoje em dia. O trânsito fluía melhor, com um fluxo suportável para as ruas. Nos últimos anos, a quantidade de carros que brotaram em nossas ruas e avenidas é impressionante! E insustentável! Isenções e isenções de impostos provocaram uma procura por carros nunca antes vistas. E qual é o resultado disso? Congestionamento.

Dia desses pra trás, preso num congestionamento, dentro do ônibus, comecei a olhar para os carros e contar quanta pessoas estavam dentro deles. Num geral, era uma pessoa por veículo, duas no máximo. Meu ônibus vazio, milhares de carros vazios indo para o mesmo lugar e a rua entupida de carros. Gente, por que não dividir o carro? Por que não desenvolver um sistema de caronas? Por que não deixar seu carro em casa e ir para o trabalho de transporte público?

Claro que, em muitos casos, o transporte público não colabora. Ônibus velhos, demorados e lotados, trens e metrô em situação parecida. Mas não são todos os casos assim. Por exemplo, não posso reclamar da lotação, estado e nem dos horários dos ônibus que pego para ir ou voltar do trabalho. Se eu posso reclamar de algo, é do congestionamento. Porque, 20 minutos para atravessar dois quarteirões de ônibus não é natural, nem aqui, nem em São Paulo.

Isso sem contar que, apesar de ficar parado no trânsito por tempos absurdos, achar um lugar para estacionar é outra odisseia. Estacionamentos são caros. As ruas já estão lotadas de carros parados. Quando você consegue um lugarzinho pra parar, surge um flanelinha querendo te estorquir. Isso sem contar com aquele grande parceiro que todos temos, o Governo, que, além do IPVA, enfia imposto sobre combustível, lubrificante e em qualquer peça que você for comprar. E, se você quer viajar, ainda tem os pedágios...

Aí alguém vai falar: "Ah, você diz isso só porque não tem carro". Será mesmo? Repetindo o que eu disse lá em cima, não tenho nem previsão de quando vou tirar a carteira de motorista e, se eu realmente quisesse mexer com isso agora, teria como parcelar um curso e fazer as aulas aos sábados. Ia balançar meu orçamento, mas dava pra fazer alguns sacrifícios... Mas não vale a pena! Pelo menos não por agora. Meu pai não empresta o carro (ele é adepto da filosofia - muito certa, diga-se de passagem - de que carro e namorada não se empresta). Os custos para se manter um automóvel são altíssimos, muito maiores que meu orçamento. Pra quê vou arrumar um carro agora? Pra colaborar com esse caos que se instaurou nas ruas?

Não estou dizendo que nunca quero ter um carro, mas não é o que eu quero nesse momento. Por mais legais e libertadores que sejam, ter um veículo não é só festa e diversão. E no momento, o custo é maior que o benefício.

2 comentários:

Guilherme Madeira disse...

Eu sou um que tenho 31 anos e AINDA não tenho Carteira Nacional de Habilitação! Mas estou na luta para obter a minha.
Não me matriculei na autoescola aos 18 anos porque, na época, minha família enfrentava dificuldades financeiras. Depois, mais tarde, comecei a trabalhar 40h semanais numa repartição pública, mas eu ganhava pouco, tinha várias despesas e não tinha condições de custear minha habilitação. E logo em seguida entrei na faculdade. Cursava à noite, quase todos os dias, e não se conseguia autoescola que tivesse aulas aos sábados.
E ainda tinha mais uma barreira que me cercava durante todos estes anos: o medo de dirigir. Tinha medo de causar acidentes e não saber lidar com eventuais problemas mecânicos do carro. Foi somente no ano passado, 2012, que eu consegui vencer essa barreira. Já tentei dois exames de direção, mas não passei ainda. Espero ter minha CNH até julho deste ano, que é quando finda meu processo.
Enquanto isso, vou fazendo uso de transportes coletivos aqui em Porto Alegre: ônibus, lotação e eventualmente o táxi.

Guilherme M. - funcionário público - Porto Alegre/RS.

Guilherme Madeira disse...

Finalmente habilitado! Em agosto de 2014, depois de várias tentativas frustradas, fui aprovado no teste prático de direção. Já foi comprado o carro logo em seguida para eu não ficar muito tempo sem praticar.
Com algum tempo de prática, agora me desloco ao trabalho e outros compromissos de carro ou de ônibus, dependendo do horário, se não for bem à noite, e do trajeto, se não for complicado ao ponto de a gente ter de pegar dois ou mais coletivos.
Guilherme M.