quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A trilha sonora de uma época...

Ou como conheci a podosfera brasileira

Semana dessas pra trás, fui convidado pelo Thiago Miro pra participar de um Telhacast sobre o Caso Varginha. Aceitei o convite com muita empolgação. Primeiro, porque é um tema que muito me interessa. Fã de ufologia do jeito que sou e totalmente crente que alguma coisa aconteceu em Varginha em 1996, adorei ser chamado pra falar sobre aquilo. O segundo motivo, e não menos importante, é estar participando do Telhacast, um dos maiores podcasts brasileiro e um dos melhores que já ouvi.

Não tô escrevendo isso aqui pra puxar o saco do Thiago, nem pra fazer propaganda do Telhacast. Tô escrevendo esse texto mais por um pedido que a Nilda Alcarinquë fez no Twitter. É engraçado como alguns detalhes ficam marcados na nossa vida, quando coisas grandes estão acontecendo. Por exemplo, na noite da primeira partida da final da Libertadores da América, quando o Olímpia venceu o Galo por 2 a 0, lembro de pouca coisa do jogo. Menos ainda do que aconteceu no bar durante a partida. A lembrança mais forte que tenho daquela noite foi um beijo na bochecha que recebi depois que a partida terminou. Tipo, o Atlético disputava a partida mais importante da história até então e o que eu lembro da noite, é um beijo. E na bochecha! Com as devidas proporções, as primeiras lembranças que eu tenho do Telhacast são mais ou menos parecidas com as que tenho da final da Libertadores (apesar de ninguém do podcast ter me beijado, que fique bem claro).

O período entre novembro de 2012 e março de 2013 foi de grande transformação na minha vida. Nessa época, consegui o meu primeiro emprego, numa agência de comunicação que faz o conteúdo dos sites do Globo Cidadania. Estava começando a escrever a minha monografia - que teria de apresentar em março. Estava perto de completar 24 anos e tinha uma viagem ao Chile, a minha segunda viagem, planejada. Já era fã de podcasts, o meu programa, Papo di Minero, estava germinando e eu já estava enjoando da tríade Nerdcast, Matando Robôs Gigantes e Rapaduracast. Queria novos podcasts, novas experiências. Tinha tentado um ou outro programa, mas nada que tivesse me empolgado de verdade.

Aí que conheci o Na Porteira Cast. Provavelmente, eu estava procurando um podcast que falasse sobre a viagem de Che Guevara pela América Latina, porque, não lembro como descobri o programa do Randal Bergamasco e do Alexandre Sacutti, só sei que ouvi o episódio sobre o revolucionário argentino e gostei bastante do conteúdo e da forma que era conduzido. Baixei outros episódios e sempre falavam de um Telhacast, Telhacast, Telhacast, inclusive com a participação do Thiago, em outro episódio bem legal, cidade pequena versus cidade grande. Aí que fui procurar o tal do Telhacast e, vi que ali tinha um conteúdo diferente.

Aliás, assim como o Randal, o Thiago tinha uma abordagem mais séria dos assuntos do que o Jovem Nerd e o Matando Robôs Gigantes. Seguindo um pouco a linha do Rapaduracast (tô usando esses três podcasts porque são os que eu conhecia na época), os programas eram menos pra rir e mais pra fazer pensar. Comecei ouvindo o episódio onde a equipe do Telhacast entrevistava o Jurandir Filho. Depois ouvi o programa sobre fracassos amorosos (se tem uma coisa que eu sei como é, são fracassos amorosos). Lembro de estar caminhando pro estágio, ouvindo o Thiago falar sobre a tatuagem que ele fez.

Sei que curti bastante o programa, me viciei. Fui ouvindo episódios, episódios e mais episódios. Lembro de estar um dia, na frente do Shopping Rio Sul, aqui no Rio, esperando meu ônibus pra casa, depois do estágio. Era o Telhacast sobre teorias conspiratória sobre a Aids. Quando começou a leitura de emails, uma menina com uma voz muito bonitinha começou a ler. Dava pra perceber que era uma garota nova, mas ela tinha uma visão de mundo, uma maturidade bem legal. Na hora, tuitei pro Thiago, falando que a garota tinha uma voz linda. Ele respondeu, citando a Clarice Sena. A gente não sabia, mas ali começava uma nova amizade.

Isso era ainda em novembro. Entre dezembro e janeiro, entrei num ritmo frenético de monografia. Foi um verdadeiro parto, com trabalho longo, demorado e doloroso, onde eu virava noites e noites. Na época, eu já estava na agência onde trabalho hoje, que ficava no Leblon. Pegava o ônibus pra casa toda noite, mas como a Marginal Lagoa Rodrigo de Freitas ficava congestionada toda noite, eu tinha um bom tempo para ouvir um ou às vezes dois podcasts. Foi a época que mais ouvi Telhacast! Vinha pra casa, ouvindo os programas, jogando no celular, doido pra chegar e continuar batendo a monografia. Mas, os programas estavam tão bons que, quando eu chegava, ainda esperava ele acabar para pegar no TCC.

Nessa época, ouvi outros tantos episódios com a Clarice lendo emails e, com a amizade que estávamos pegando pelo Twitter, queria que ela lesse uma mensagem minha. Isso acabou acontecendo. Justamente num comentário que deixei lá dizendo que eu queria que ela lesse (fiquei sem graça com isso). O Telha publicou um episódio excelente sobre o Comércio da Fé. Por algum motivo, lembrei do meu tempo de escola, e enviei uma mensagem, que foi lida no episódio seguinte.

Com a monografia incompleta, fui ao Chile pela segunda vez. Lá, visitei Pucón, cercada por quatro estratovulcões, ouvindo o Juliano Yamada dizer que aquele tipo de vulcão era o mais perigoso. Passeei pelo calçadão de Valdívia ouvindo o Igor Guedes e o Jota Brito contarem como foi a proclamação da República (irônico você aprender algo da história do seu país, estando fora).

Para além de o podcast me acompanhar nessa época de profundas transformações, a própria existência do Papo di Minero se deve muito ao Telhacast. Desde o início, o Thiago sempre se dispôs a dar dicas, indicar caminhos. O Daniel Lopes, que chegou a gravar o Papo di Minero muito antes de integrar Os Comentadores, foi outro que nos deu dicas e ajuda nesse início. Não posso esquecer do Armando Galleni, do NossoCast, outro cara que nos apoiou bastante (e hoje é condômino do Thiago), e dos outros Comentadores, Alessandro Leitte, Igor Gudima e Fernando Minotto, que deram o maior apoio pra volta do Papo di Minero. Tem a Kell Bonassoli, o Victor Snaga, o pessoal do Terra Estrangeira... bem, é gente demais pra citar aqui, mas certamente vou esquecer de muitos nomes, ainda mais com o sono que tô sentindo ao escrever esse texto.

É por essas e outras que, durante a gravação do episódio sobre Varginha, eu fiquei meio calado. Não falei tudo que gostaria, mas é porque a ficha não tinha caído. Eu me sentia escutando mais um episódio do Telha, não participando dele.

Só estou atendendo ao pedido da Nilda, pra compilar num texto o agradecimento que fiz ao Thiago pelo Twitter, e pra contar um pouquinho de como o Telhacast me acompanhou no início de 2013. Assim como o beijo daquela garota na final da Libertadores, foi um "detalhe", que tornou uma época especial ainda mais legal!

Abraço a todos,

7 comentários:

Igor Guedes disse...

A forma como as pessoas se conectam inesperadamente é surpreendente. Fico feliz por ter me conectado com você no Chile, país pelo qual tenho imenso carinho.

Thiago Miro disse...

Mano, estou muito satisfeito que o Telha tenha feito parte de uma época marcante da sua vida.

Muito obrigado pelas palavras. Certamente esse texto dá um gás gigantesco pra seguir em frente.

Daniel Lopes disse...

Este é o Meu garoto!!

Saudações Mineirescas. É com muito orgulho que vejo meu nome citado no texto. O Telhacast é sim um dos melhores podcasts do Brasil e sua participação é mais do que merecida. Fico Feliz com a ascensão do PDM, espero que haja mais crossovers entre podcasts com o PDM.

Nilda disse...

Olá moço!

Que bom que aceitou o meu pedido e postou a sua história aqui. Quando li os seus tuítes contando como estes podcasts e episódios foram importantes nesta fase da sua vida pensei: esta história não pode ficar perdida aqui, nesta rede caótica em que coisas interessantes o deixam de ser em questão de minutos.
Me identifiquei muito com seu relato, por ter acontecido algo parecido comigo. Não em viagens e muito menos perto de vulcões, mas no que se refere à importância que os podcasts tiveram em fases bem difíceis da minha vida. Alguns deles foram uma espécie de âncora a segurar minha sanidade e vontade de continuar vivendo, pois me mostraram que o mundo é mais interessante do que parece normalmente.
E, como você, eu também travei ao gravar um episódio do Papo Lendário. Foi a mesma sensação: não conseguia acreditar que não estava apenas escutando e sim participando.

Obrigada por postar este relato e espero que muita gente o leia. Não apenas os mencionados, mas todos que se importam pela mídia podcast.

abraços

covildoorc disse...

Pior que é sempre assim, eu também nunca falo tudo o que havia planejado na gravação.
E foi um prazer gravar contigo também. Espero que possamos gravar outros! Foi a primeira vez que um grupo de mineiros dominou o Telha!
Tanto aquela quanto a de hoje foram ótimas gravações!

Eu demorei um pouco pra me enveredar pela podosfera, mas hoje tenho ouvido bastante podcast diferente e, com isso, conhecido muita gente legal. Só é uma pena que o Thiago pague tão mal.
Mal dá pra manter meu padrão de vida com o salário que ele me paga.

Randal Bergamasco disse...

Fiquei bastante feliz em ler seu texto e saber que a gente também fez parte da sua vida. Ao produzirmos nosso conteúdo, acho que qualquer podcaster espera exatamente isso. E fico mais satisfeito ainda por você compreender nossa proposta. "Aliás, assim como o Randal, o Thiago tinha uma abordagem mais séria dos assuntos do que o Jovem Nerd e o Matando Robôs Gigantes... os programas eram menos pra rir e mais pra fazer pensar."
É isso! Se a gente tiver meia dúzia de ouvintes como você, Conrado, nossa missão está totalmente completa!

Clarice Sena disse...

Lucas, muito obrigada por ter escrito esse texto! Me identifiquei e me emocionei bastante, haha.

É engraçado como a podosfera e/ou os podcasts são coisas que marcam as pessoas tão "profundamente". Lembro dos primeiros podcasts que ouvi e da sensação engraçada que era sentir um carinho enorme por cada pessoa que eu ouvia sem nem conhecê-la direito.

E foi nessas andanças e coincidências da vida que você acabou me ouvindo e essa amizade tão legal surgiu! Fico imensamente feliz por ter o meu nome nesse texto e por ter marcado essa época da tua vida.