terça-feira, 29 de abril de 2008

De BH a Diamantina

Parte 3 - A procura do Cânion

O carro parou naquela estradinha deserta e o casal se olhou. Mariana, assustada, disse:
"Perdidos? Como assim?"
"Uai, perdidos! Não sei onde a gente tá indo!"
"Pro cânion, não?"
"Eu também pensei que a gente ia pro cânion, mas a gente já andou uns 30 quilômetros e nem sinal do bendito! Já era pra gente ter chegado nele!"
"Mas também, amor, o tanto de desvios que a gente pegou, não é de surpreender que a gente não tenha chegado."
"Claro, não tem uma bosta duma placa pra indicar o caminho! " disse Eduardo enfurecido, dando meia volta.
Enquanto voltavam, Mariana permaneceu em silêncio. Sabia que o noivo estava a ponto de explodir e não queria uma discussão ali.
"Pode desligar o rádio, por favor?" perguntou Eduardo e Mariana o fez.
Para ajudar, já passava do meio dia e nenhum dos dois havia almoçado. E o carro havia chegado num lugar onde a estrada se dividia em duas. Eduardo olhou para as estradas, que pareciam exatamente iguais e procurou ao redor por alguém que pudesse dizer como se chegava ao Cânion Travessão, ou pelo menos na MG 010.
"Você lembra por onde a gente veio?" perguntou Eduardo com uma falsa calma na voz.

"Lembro não, Edu."
O rapaz saiu do carro, pegou uma pequena picareta que usou semana anterior na reforma de casa e se esquecera de tirar do carro, caminhou até a estrada da esquerda e deu duas batidas raivosas no meio da terra seca. Então voltou ao carro, jogou a picareta atrás de seu banco e seguiu pela estrada onde acabara de cavar um pequeno buraco.
"O que você tá fazendo, Edu?"
"Marcando o caminho que estamos fazendo, além de descontar um pouco da minha raiva." disse Eduardo rindo. "Quero saber por onde a gente foi, pra não corrermos o risco de passar 2 vezes pela mesma estrada."
Aquela estradinha foi parar num riacho. Voltaram até o entroncamento e pegaram a estrada da direita, onde cairam em outro entroncamento. Nessas idas e voltas, ficaram rodando a Serra do Cipó por horas. Os salgadinhos e refrigerantes já foram comidos e a fome já estava voltando. Era umas 3 da tarde, quando Mariana disse:
"Edu, eu lembro dessa cachoeira. Acho que estamos voltando."
Minutos depois voltaram à estrada. Eduardo parou no acostamento e perguntou:
"Quer tentar chegar no cânion?"
"Ah, amor, mexe com isso não... A gente pode acabar se perdendo de novo."
Eduardo ia falar alguma coisa, então viu uma placa atrás de uma moita, perto do desvio onde quase entraram. Ele desceu do carro e chamou sua noiva para acompanhá-lo. Ao chegarem, tiveram uma enorme surpresa.
"Cânion Travessão, a 7 km."

Numa mistura de alegria e raiva, os noivos voltaram correndo ao carro e pegaram a estradinha. Chegaram ao Travessão 20 minutos depois. Até ali era a vista mais bonita que tiveram. Do lugar que estavam, o cânion se estendia mais 1 quilômetro e meio à direita, até o fim da chapada e mais três quilômetros à esquerda até se abrir no vale do Travessão. Os paredões de pedra se distanciavam cerca de 500 metros e bem no meio do desfiladeiro, o Rio Cipó descia na mesma calma que teve para esculpir aquela linda paisagem nos últimos milhões de anos. Eduardo olhou para o paredão oposto, pensou um pouco e gritou:
"GALO!!!"
Mariana se assustou com a atitude do noivo e antes de perguntar o porquê daquilo, um grito identico chegou a seus ouvidos, como se houvesse outro Eduardo do outro lado do cânion. Rindo, o rapaz perguntou:
"Nossa, então assim é minha voz? Não é isso que eu ouço quando eu falo."
"É essa, sim. Linda, né?" perguntou a moça abraçando o noivo e beijando sua bochecha.
"É... ai, se eu não fosse eu mesmo, me apaixonava por mim!" brincou Eduardo "Amor, foi a maior burrice a gente ter virado pra esquerda. O Rio Cipó está à direita da estrada..."
Mariana não disse nada, apenas concordou com a cabeça.
"Bem, mas eu tava pensando aqui. A gente tá seguindo a Estrada Real. Quer ir nela até Diamantina?" perguntou Eduardo.
"Ah, não sei... Diamantina é meio longe."
"Mari, a gente tá sem compromisso nas férias... Vamos, vai?"
“O problema é que se a gente for lá, só vai voltar pra casa de madrugada. Eu não quero andar em BH tão tarde.”
“Mari, se o problema for esse, a gente para em Serro, ou Diamantina, passa a noite por lá numa pousada e no dia seguine a gente termina a viagem.
Um pouco mais animada, Mariana concordou. Afinal, adorava ir à pousadas com o noivo e desde menina queria ir a Diamantina.

Continua...

Lucas C. Silva
É o que eu disse antes, as fotos são dos lugares descritos aqui. Se quiserem mais fotos, recomendo o Google Earth e o site Panoramio.

* Foto de Heitor M.B. Moraes

6 comentários:

gerson sicca disse...

Sigo acompanhando o conto.Ah, tem uma indicação do meus pensamentos lá no blog
Abraço

Debora Ferreira disse...

aaa que graaciinhaa
GAAAAAAAAAAALOOOOOOO
heheehehehe

ainda bem que o eduaardo não se acha né ! kkkkk

termina, termiiiiinaaaaaaaaaa

DuDu Magalhães disse...

faço faculdade de Turismo e achei super interessante seu blog, se tiver mais matérias do tipo em outros blogs e tals... vou olhar seus posts mais antigos, creio que são bons...

quiser da um confere no meu.

abras


http://www.visaocontraria.blogspot.com/

Antonio † disse...

interessante, as fotos, esse lugar nem parece o brasil
realmente tem muita coisa aqui além de RJ E SP ;@

peguei o lance pelo final mas comecei a ler os anteriores e até que deu pra entender mais ou menos.
real? utópico?

flw

Euzer Lopes disse...

"Brasil... mostra tua cara!"
E a gente só pensando em praias do nordeste ou viajar para a Europa ou Estados Unidos...

Mario Henrique disse...

concordo mais ou menos com o Euzer..
pensamos tanto em viajar para fora, q acabamos nos esquecendo das belezas que temos aqui msmo..
as chapadas, dunas, recifes, praias paradisiacas, matas, campos...etc..etc..

hehehe ^^
o negócio é conhecer o Brasil! ;D

se puder, visite e comente tmb:

http://esfiha-berta.blogspot.com

abraços!