sexta-feira, 20 de março de 2009

A incrível jornada

Parte 1: Rio de Janeiro

A história que vou contar aqui, tem tudo pra uma ótima ficção, mas é a mais pura realidade. E, não sei se foi o melhor, ou o pior disso, essa história aconteceu comigo.
Era uma sexta feira, 13 de fevereiro de 2009. Dois dias depois o Atlético enfrentaria o Cruzeiro pelo Campeonato Mineiro e, mesmo sabendo que não poderia ir a esse jogo, decidi ir a Belo Horizonte, como eu estava querendo ir durante todas as longas férias de verão da UFRJ.
Minha viagem tava marcada pras 23 horas, mas como não gosto de sair muito tarde, fui com a minha mãe pro ponto às 20 horas, pra esperar o ônibus 173, o mais rápido pra quem quer ir da Zona Sul para a rodoviária do Rio de Janeiro. Assim que entramos no ônibus, não tínhamos idéia (a reforma ortográfica não chegou nesse blog!) da enrascada que nos metemos.
Motorista gosta muito de falar mal de motoboy (ainda vou abordar isso aqui no MP), mas não está entre as 15.000 criaturas mais respeitosas do mundo. E o motorista desse ônibus não era exceção. O cara era louco! Cortou o túnel Santa Bárbara a mais de 70 km/h costurando entre os carros, fez curvas a toda quase tombando o ônibus e freou bruscamente umas 3 vezes, derrubando muitos passageiros. Eu, que não sou muito supersticioso, comecei a me perguntar se era uma boa mesmo escolher uma sexta-feira 13 pra viajar.
Rapidinho, e graças a Deus, o ônibus chegou à rodoviária inteiro. Desci dele meio tonto e, ainda acompanhado da minha mãe, fui comer alguma coisa. Reabastecido, sentei com ela em um dos poucos bancos da rodoviária (já comentei que a infra-estrutura do Rio de Janeiro é um pouquinho mal planejada? Cara, uma rodoviária supermovimentada daquelas tem uma quantidade absurdamente pequena de cadeiras!). Do meu lado uma mulher dormia e uma criança a rabeava. Com susto, ouvi um grito e um xingamento. Parece que o guri esbarrou nela, a despertando de seu sono. Ao som de xingamentos e resmungos, peguei as malas e desci pra plataforma.
Chegando lá, me despedi da minha mãe e fui procurar algo pra beber. Comprei uma água, sentei num banco e botei os fones de ouvido. Ao som de Shiny Happy People do REM, percebi algumas coisas naquela plataforma.
Um homem baixinho e de terno caminhava por ali cantando alto e indo até o telefone público, onde falava sozinho, antes de desligá-lo pra voltar à cantoria. Do meu lado um cara lia quadrinhos, me fazendo lembrar do Gabriel, um amigo meu fanático por HQs. E do outro lado da plataforma, havia algo que me preocupou um bocado.
Quatro caras estavam juntos. Um deles arrancou algo do bolso de outro dando início a uma grande troca de socos. Era visível que eles estavam bêbados e a briga estava piorando. Um guardinha da rodoviária correu até lá para separar a briga. Só foi o guarda sair pra ela recomeçar.
Eu tava rezando pro ônibus chegar logo, pra eu ir embora pra BH e, assim que ele chegou, peguei a mala e corri até ele. Sentei na minha poltrona, recoloquei os fones de ouvido (tocava Capitain Nemo, da Sarah Brightman). Pouco depois, um cara se sentou do meu lado.
Ele, entre uma frase e outra com um companheiro de viagem, olhava para mim de rabo de olho. Não virava o rosto pra mim, me olhava como se não quisesse que eu visse. Olhava pro meu rosto, parecia olhar pros meus bolsos e voltava a olhar pra frente. Tipo, nos últimos 6 anos sofri 4 assaltos. Depois de tal experiência, você passa a desconfiar até de sua própria sombra. Com medo, mas sem demonstrar, fiquei olhando pra fora.
Já passava das 23 horas e ainda estávamos presos na plataforma. O que tinha acontecido? Aqueles quatro caras que trocavam socos também estavam indo pra Belo Horizonte (assim como o cantor maluco e o cara dos quadrinhos). Um deles estava tão bêbado que mal conseguia entrar no ônibus.
Pois é, depois de um bom atraso, o quarto bêbado entrou, despencou em sua poltrona e dormiu. O ônibus ainda andava pela linha vermelha quando o cara que se sentava do meu lado se virou pra mim e disse...

CONTINUA!

Lucas C. Silva

5 comentários:

Gabriel Guimarães disse...

maneiro, kra!
vlw pela menção e pelo link pro meu blog... vlw msm! pod deixar q na minha próxima postagem eu devolvo a referência, pod crer!
abração, luks! fik c Deus

Raysner d' Paula disse...

... dar pra fechar a cortina???

ARRISQUEI UM PALPITE,

Jacque disse...

Aahhhh,nao acreditooo q vc teve a audacia de fazer isso..vc nao me contou essa parte...alias...omitiu muitas coisassss...o q ele disseeee?o qqq? faaalaaaaa!!!

hauahuhauhauahauhauahaua....essa sua viagem foi o maximo..juro q queria ter ido junto...se vc contando eu ja morro d rir...imagina vendo a situçaoo....hauhuahuauhaua

sóuma obs...vc acha q é muito 70km/h?

experimenta pegar o 485 vindo do Fundao, q o motorista ta a 80km/h fazedo a curva na linha vermelha pra descer em sao cristovao...só t falo uma coisa...HEAVY METAL!! PUNK!..Esses motoristas qnd morrerem vao pro céu, pq é um tal d fazer promessa, rezar,orar, clamar qnd os loucos tao dirigindo e agradecer tanto a Deus por ter chegado a salvo no seu destino...hauahaauhuhau

Ahh..ja q ta falando da viagem....como faço pro seu primo disponibilizar aquele video, hein?(ééé..aqueeeeelee) haauahuauaaua

shooowww....a trilha sonoro foi show tb hein!!

bjinhos

Lucas Conrado disse...

Jac, é a primeira parte ainda! É o que o César disse, to criando o ponto de tensão pra segunda parte!

Euzer Lopes disse...

Eu vou matar você...
Como é que você faz um post inteiro para dizer, no final que o cara "se virou e disse CONTINUA".
Isso é coisa que se faça conosco?
Ruindade isso...
Atiça a curiosidade...