sábado, 30 de março de 2013

O Incrível Guia Empírico de Viagens Meus Pensamentos

Destino nº 1: Santiago do Chile

Estreio hoje no meu blog a seção O Incrível Guia Empírico de Viagens. Vou falar um pouco sobre as cidades que visitei, dando dicas de lugares legais pra ficarem, onde comer, passear e tal. É um guia totalmente empírico, baseado nas minhas experiências no lugar.

Nosso primeiro destino: Santiago do Chile! (Foto: Lucas Conrado)

Vou começar o guia falando de uma das cidades mais legais que já visitei. Fui lá duas vezes e estou louco para ir uma terceira. Falo tanto dessa cidade que umas cinco pessoas vieram me pedir dicas de passeios por lá. Preparem-se para conhecer um pouco de Santiago do Chile!


Como dá pra comprovar aqui, gosto pouco do Chile! (Foto: Lucas Conrado)

1 - Panorama geral
Construída aos pés da Cordilheira dos Andes, Santiago é a capital do Chile. Tem uma população de aproximadamente 5 milhões de habitantes. Como toda cidade grande, tem toda aquela loucura de muita gente nas ruas, trânsito intenso, poluição, vendedores de rua, entre outras características... mas não se deixe desanimar: a cidade é muito legal de se visitar, cheia de atrações para todos os gostos!

Não sei se vocês sabem, mas a CNN fez uma pesquisa das cidades mais amadas do mundo e Santiago ficou em terceiro lugar. Não sei que critérios utilizaram, mas o terceiro lugar quer dizer alguma coisa! E não é pra menos, a cidade tem atrações para todos os gostos! Você quer bares? Tem. Um parque para passear? Também! Shopping Center? Logo ali! Museu de artes? No coração do centro turístico! Você não curte artes e quer um museu de ciência e tecnologia? A 15 minutos de metrô... A cidade tem de tudo! E o melhor: tudo fica perto.

Sério, Santiago é uma cidade pra se conhecer a pé. Especialmente se você estiver num hostel perto do centro, você poderá conhecer boa parte das atrações caminhando. Se você estiver com preguiça cansado, pertinho você acha uma estação de metrô e, de forma barata e rápida, você chega em qualquer ponto de Santiago. Aliás, quase qualquer ponto.

Os chilenos têm fama de serem caladões, na deles. Sim e não. Peguei o metrô num domingo de manhã e estava um silêncio absurdo. A chilenada toda calada, olhando pra baixo. Mas, se você puxa conversa ou pede uma informação, o chileno vai te explicar direitinho. Se percebem que você é brasileiro, ajudarão da mesma forma, até falando mais de vagar, se for preciso - depois falo sobre o chilenês.

Seja como for, Santiago é uma cidade bem bacana e que exige uns três dias pra você desfrutá-la com calma. Em dois, dá pra conhecer os principais pontos turísticos, mas, com três dias, você vê os pontos com tempo de sobra, podendo até voltar a um deles, caso tenha gostado bastante.

2 - Algumas informações importantes:

Não sei falar espanhol. Posso me virar com o portunhol?
Sim! Mas, como em qualquer país do mundo, quanto mais você dominar da língua falada por lá, melhor. Bem, os chilenos não falam o espanhol. Eles falam chilenês, um idioma rápido e embolado que lembra o espanhol às vezes, como esse vídeo abaixo pode mostrar.



Calma! Não precisa entrar em pânico. Santiago tem mais brasileiro do que chileno, então os chilenos que trabalham em lojas e restaurantes estão acostumados a lidar com turistas brasileiros. Aliás, até as pessoas na rua. Não tenha medo de falar que não está entendendo e pedir para repetirem mais devagar. A grande maioria dos chilenos é muito educada e prestativa, vão fazer o máximo pra te ajudar. Na pior das hipóteses, eles se comunicam com você através de mímica (o que pode ser mais difícil de entender do que o chilenês, como comprovei em uma viagem de ônibus).

Ô Lucas, qual é o dinheiro que eles usam?
No Chile, a moeda utilizada é o Peso Chileno. A menor nota chilena é a de 1000 pesos, que equivale uns 4 reais. Por isso, brasileiro, atenção redobrada. Até por ser verdinha, a gente pode acabar gastando 1000 pesos como se fosse 1 real. Não faça isso! 1000 pesos são quatro reais!

Tô falando isso porque, certa vez, comprei um sanduíche com Coca-Cola e batata-frita. Me custou 15 mil pesos. Paguei felizão, achando que eram 15 reais. Eram SESSENTA REAIS! Então, pra saber se você está pagando barato ou caro por alguma coisa, multiplique o valor por 4 e corte 3 zeros. Complicado? Não.

Por exemplo, digamos que você é o Ronaldinho Gaúcho e quer comprar uma bonequinha praquela sua amiga do coração la no Mercado Central. Você pergunta quanto custa a bonequinha e a dona da barraca manda na lata: "5000 pesos". Aí você calcula: 5000 x 4 = 20.000. Aí corta os 3 zeros: 20.000 = 20. A boneca custa 20 reais! Fácil!

Eu, particularmente, não confio em cartões, estilo Travel Money. Até para me controlar melhor, eu prefiro viajar com dinheiro vivo. O que eu fiz das duas vezes que fui ao Chile: comprei uns 20 mil pesos no Brasil, que vão me levar do aeroporto até a cidade (já já falamos sobre isso). Chegando na cidade, fui a uma rua chamada Augustina, que fica bem no centro. Lá, tem várias casas de câmbio, com preços que valem mais a pena trocar do que aqui no Brasil. Procure a casa que tenha o maior valor para real. Tipo, em algumas, a placa indica Real = 240 pesos. Em outras, Real = 243 pesos. Aí você anda mais um pouco e vê Real = 246 pesos. Vai nessa última! Elas mostram quantos pesos você consegue comprar com um real.

Parece uma dica idiota, mas viajante no exterior pela primeira vez pode se enrolar com esses valores. Eles mostram quantos pesos você compra com cada real trocado.

Ah, outra questão. Na minha última visita ao Chile, levei meus cartões do meu banco brasileiro. Desbloqueei o cartão da poupança para saque em dinheiro e compras no débito e o cartão da conta corrente pra saques em dinheiro. Em todo o Chile (não é em toda Santiago, é em todo o Chile mesmo), há uns caixas azuis, com uma placa Redbanc (ou algo assim), onde você pode realizar saques, mesmo sendo estrangeiro. É cobrada uma taxa de 3 mil pesos (que, se você tiver aprendido direitinho, dá uns 12 reais) para cada saque que você fizer. Então, prefira só um saque.

Fiz bastante compras no meu cartão. Mas, confesso, não sei quanto era a taxa que eu pagava. Isso aí você vê com o seu banco.

Como é o clima de Santiago?
Antes de falar da temperatura em si, fica um alerta: Santiago do Chile é bem seca. Por isso, se prepare pra gastar uma graninha com bebidas, além de ser bom sempre ter um hidratante à mão. Sério, agora em 2013, no meu primeiro dia em Santiago, comprei um copo de suco. Acabei de beber, comprei uma lata de refrigerante. Logo depois, uma garrafa d'água. Aí uma garrafa de gatorade e outra de suco. E continuava com sede! Você deve estar se perguntando: "não vale a pena levar uma garrafa e encher de água?". Não. A água da torneira em Santiago é potável, mas ela tem um gosto salobre muito escroto. É ruim até pra escovar os dentes. Dizem os santiaguinos que ela tem muito cloro e que nós, brasileiros, não estamos acostumados a isso. Por isso, os próprios chilenos recomendam que compremos água mineral.

Agora, falando sobre a temperatura. Visitei a cidade no verão e no inverno. O verão, no começo do ano, é bem quente durante o dia, mas é sempre bom levar um casaquinho leve, porque a temperatura pode cair um pouquinho à noite. Já no inverno, a situação é oposta. Apesar de não nevar em Santiago, a cidade faz muito frio, especialmente à noite. Nos dias que passei por lá, a temperatura variou entre -2ºC e 14ºC. Leve bastante agasalhos e se prepare pra dormir debaixo de um quilo de cobertores. Sei lá, eu saía com uma camiseta, uma camisa de manga comprida, um moleton e uma jaqueta por cima. Além da luva, cachecol e touca.

Vou voltar a falar sobre isso mais pra frente, mas os agasalhos que temos aqui no Brasil não protegem da neve. É bom alugar casacos especiais, impermeáveis, caso queira subir a Cordilheira dos Andes.

Tá. Legal, mas como chegar na cidade? 
Quem vai de avião, chega no Aeroporto Internacional Arturo Merino Benitez. Como alguns dos principais aeroportos do Brasil (Cumbica, Galeão, Confins, Afonso Pena...), o aeroporto de Santiago não fica propriamente em Santiago. Fica, sei lá, a uns 30km. Apesar de táxi ser barato em Santiago (pelo que dizem, eu nunca peguei), sai meio caro pegar esse tipo de transporte. Há opções mais baratas.

A primeira - e mais confiável - e o transfer. Tem uma empresa chamada Transvip que te dá algumas opções de transporte do aeroporto até o seu ho(s)tel no centro de Santiago. Você pode pegar um carro privativo, que custa 18 mil pesos (uns 72 reais - CARO!). Ou você pode pegar o transfer coletivo. A Transvip coloca uns seis ou oito turistas dentro de uma van e, ao custo de 6 mil pesos (uns 24 reais), vão deixando as pessoas em seus ho(s)téis. Se você está chegando com malas grandes, vale muito a pena - até porque, se você for o último a descer, ainda fez um tour pela cidade.

A segunda é a utilização dos ônibus. Tem uns ônibus azuis que te levam do centro de Santiago ao aeroporto - e vice versa - custando menos de 2 mil pesos (oito reais). O ônibus é confortável e te leva rapidamente ao aeroporto. Não sei exatamente em que lugares ele passa. Peguei pra ir embora ali na avenida em frente ao Terminal Alameda. Rapidinho, eu já estava no aeroporto. Ah, por falar no terminal, você também pode pegar um ônibus da TurBus (uma grande companhia de ônibus do Chile) dentro dos terminais. Eles te levam ao aeroporto com comodidade, mas acho que sejam mais caros...

Onde você ficou, Lucas?
Cara, essa postagem não é patrocinada, que fique bem claro. Da primeira vez que fui ao Chile, fiquei na residência universitária chamada El Punto, que não existe mais. Da segunda vez, fiquei num hostel bem legal chamado H Rado. Ele fica na rua Pio Nono, uma área bem boêmia de Santiago! Se você gosta de barzinho, vai adorar ficar nesse lugar!

Outro motivo legal para você gostar de ficar ali: a localização. Ele fica a cinco minutos da estação do metrô Baquedano. A três quarteirões da casa do Pablo Neruda em Santiago, La Chascona, e do Cerro San Cristóbal. E, a partir dali, você pode caminhar para (quase) todos os pontos turísticos da cidade.

Fiquei num quarto coletivo, com armário bem amplo, roupa de cama trocada todo dia. O clima é bem legal e tem gente do mundo inteiro (e, pra variar um pouco, brasileiro até dizer chega). É bem fácil fazer amizade no H Rado. O terraço do hostel tem dois computadores liberados pra você acessar a internet, além de Wi Fi gratuito. A única coisa que achei meio fraquinha foi o café da manhã. Não é "self service". Eles te dão uma quantidade meio limitada de frutas, iogurte e suco. Os pães parecem ser liberados, mas se você quiser uma fruta a mais, vai ter que torcer pra um de seus novos amigos não quererem...

Sobre a diária, acho que vale mais a pena consultar o site do hostel. Paguei uma diária de 18 dólares (36 reais) pelo quarto coletivo. Meio salgado, mas acho que valeu a pena. E tem quartos para casais também!

Como se locomover por Santiago?
Metrô de Santiago: Barato, abrangente e com pneus!
(foto: Lucas Conrado)
Se você quiser passear pelo centro histórico/turístico, a melhor forma é a pé. O centro é relativamente pequeno e é muito agradável andar pelas ruas da cidade, apesar do ar seco. Andando, você tem mais calma para poder tirar as fotos que quiser, além de poder observar como a cidade é limpa. Mas, se você estiver cansado ou com preguiça de andar, opções de transporte não faltam.

O primeiro - e melhor, é o metrô! Rápido, barato e bem amplo, vai atender ao turista em 90% dos casos. Todos os principais pontos turísticos tem uma estação perto e, como há cinco linhas na cidade, você pode até se afastar um pouco do centro, que tem uma forma fácil de voltar pro ho(s)tel. O bilhete custa uns 650 pesos (que dá pouco mais de 2,50 reais) e te dá direito a uma viagem, independentemente de quantas baldeações você vai fazer.

Você só pode andar de ônibus por Santiago se
tiver esse cartão (Foto: Lucas Conrado)
Você também pode pegar um táxi. Como eu falei lá em cima, eu não peguei, então não sei direito como é, mas, até onde eu sei, o táxi é bem mais barato que aqui no Brasil.

Outra opção é o ônibus. Peguei um do aeroporto de Los Cerrillos até o Palácio La Moneda e foi bem confortável. Ah, dica importante, você tem que comprar o cartão bip! para poder andar nos ônibus. Eles não aceitam pagamento em dinheiro para andar. Nesse link, você confere os locais de compra e recarga do cartão.

Ainda há outra opção bem legal pra se passear por Santiago: Aluguel de bicicleta. A cidade é plana e bem servida de ciclovias. Uma ótima pedida é passear por lá pedalando, seja sozinho, seja nos tours oferecidos pelas diversas agências em toda a cidade!

ATENÇÃO
Santiago é uma cidade grande, com quase 6 milhões de habitantes. Por isso, tem alguns problemas inerentes a qualquer metrópole. Um desses problemas são os batedores de carteira.

Eu não tive nenhum problema assim, mas a toda hora, os chilenos me alertavam sobre os batedores. Por lá, assaltos são raros. Mas furtos são, pelo que dizem, relativamente comuns. Por isso, sempre preste atenção na sua bolsa, mochila. Não dê bobeira com carteira, câmera fotográfica nem outros objetos de valor. Você pode fotografar os pontos turísticos, mas sempre guarde a câmera num lugar seguro, porque os ladrões chilenos são muito profissionais! Muitas vezes, você só percebe que foi roubado horas depois.

OK, cheguei, troquei o dinheiro, deixei as malas no hostel... O que tem pra fazer em Santiago?
Muita coisa! Santiago tem atrações para todos os gostos acho que já falei isso. Vamos fazer uma enumeração do que há no centro da cidade:

Ah, detalhe, a ordem que aparecem as atrações aqui é totalmente aleatória. Não é um roteiro para se seguir direitinho, é só pra me organizar mesmo.

1 - Palácio La Moneda
La Moneda (Foto: Lucas Conrado)
O palácio tem uma grande importância pra história chilena. Antigamente era o local onde a moeda do país era fabricada (cachai de onde vem o nome?). Depois se tornou a sede do governo. O palácio foi bombardeado pelas tropas do general Augusto Pinochet em 11 de setembro de 1973 e o então presidente, Salvador Allende, cometeu suicídio lá dentro. As marcas do bombardeio ficaram no prédio durante muitos anos.

Hoje em dia, o La Moneda está reconstruído, parece novo em folha. Gostaria de falar que transpira liberdade em seus arredores mas, infelizmente, as coisas não estão bem assim. Quando fui em 2011, a gente podia chegar bem perto do palácio. Andava pelos gramados, tirava fotos com os cavalos dos carabineros (a PM chilena), via as fontes e tal. Voltei em 2013 e vi grades cercando o gramado do palácio. Novidades do atual governo chileno, do Sebastian Piñera. Nos dias normais, só os policiais têm acesso ao gramado, infelizmente.

Troca de guarda no La Moneda (Foto: Lucas Conrado)
Mas, dia-sim-dia-não, as grades são retiradas pela manhã e as pessoas podem chegar perto do espelho d'água para assistir a um evento bem interessante: a troca de guarda do La Moneda. Como eu disse, dia-sim-dia-não, há a troca de guarda. Em alguns meses, a troca acontece nos dias pares. Em outros, nos ímpares. Começa às 10h da manhã com um grande desfile militar, com banda e cavalos. As tropas se encontram na porta do La Moneda e rola todo um cerimonial, conduzido por uma grande variedade de músicas. Músicas chilenas e gringas, de filmes, seriados, é bem interessante. Quando fui, a guarda tocou Aquarela do Brasil. Como falei lá em cima, tinha mais brasileiro que chileno em Santiago. O povo pirou (eu queria ouvir algo mais chileno, mas isso é outra história).

O La Moneda conta ainda com um centro cultural no subsolo. Confesso - com uma certa vergonha - que não visitei. Mas, de acordo com o guia que estou lendo aqui (que começa o artigo do centro cultural com "VISITA OBRIGATÓRIA")... aliás, esquece o guia! Ele só fala da lojinha do centro. De acordo com o site oficial do lugar, o centro tem um grande acervo cinematográfico e audiovisual, além de exposições artísticas itinerantes. Parece ser bem divertido.

2 - Plaza de Armas
A Plaza de Armas é o local da fundação de Santiago. Em 12 de fevereiro de 1541 (eu sei a data de cor, não conferi em lugar nenhum), os espanhóis estabeleceram ali o primeiro assentamento. Os Mapuches, índios que viviam ali, expulsaram os espanhóis, que se refugiaram no Cerro Santa Lucia (vamos falar sobre ele daqui a pouco). Do alto do morro, os colonizadores partiram para o contra-ataque e dominaram a região.

É uma grande praça, muito movimentada. Tem turistas do mundo inteiro, idosos vendo o dia passar, artistas de rua, gente indo e voltando do trabalho/escola/faculdade/compras, universitários pedindo ajuda para pagar as caríssimas faculdades chilenas, muitos peruanos, pessoas dançando a cueca - dança típica chilena, vendedores de rua, batedores de carteira... tem de tudo! Apesar dessa loucura de centro de cidade grande, é um clima bem legal. No chão da praça, em uma das ruas, há uns mapas de bronze mostrando a evolução de Santiago. Pelo que me lembro é um mapa do século 17, outro do 18 e outro do 19, onde vemos como a cidade cresceu. Há um grande monumento de pedra, com o rosto de um índio (como se isso fosse reverter o que os Mapuche passaram durante a invasão européia). Tem também uma estátua de Pedro de Valdívia (se não me engano) em cima de um cavalo. Pedro de Valdívia foi o fundador de Santiago. O interessante dessa estátua é que o cavalo não está no arreio. Além disso, tem feições Mapuche, representando a não-submissão dos índios perante os espanhóis.

3 - Catedral Metropolitana
Catedral Metropolitana de Santiago
(Foto: Lucas Conrado)
Ao lado da Plaza de Armas há uma gigantesca catedral, a Catedral Metropolitana de Santiago. É a segunda maior igreja que eu já entrei (só fica atrás da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo). Sério, a igreja vista por dentro é impressionante!!! Colunas, paredes e teto todos detalhados, mas o que impressiona mesmo é o comprimento e a altura da igreja. Ah, algumas coisas bem legais pra nós, turistas. A entrada na igreja é gratuita (coisa rara entre as igrejas turísticas aqui no Brasil). Você pode filmar e fotografar - inclusive com flash - lá dentro (chupa, Ouro Preto!). Sério, mesmo você não sendo religioso, vale muito a pena visitá-la.

4 - Cerro Santa Lucia
Santiago do Chile e Cordilheira dos Andes vistas do Cerro Santa Lucia (Foto: Lucas Conardo)
Quando foram expulsos do local onde está a Plaza de Armas, os espanhóis se refugiaram no Cerro Santa Lucia, um morro localizado bem no coração de Santiago. Ali, montaram uma fortificação de onde partiram para o contra-ataque. Hoje, é um dos principais parques da cidade. Já fica o aviso, quem quiser visitá-lo deve deixar a preguiça de lado. Como eu disse, é um morro, logo, tem que subir para ter uma visão panorâmica bem bonita de Santiago e da Cordilheira dos Andes.

Entrada do Cerro Santa Lucia (Foto: Lucas Conrado)
As escadas são bem íngremes e, em alguns pontos, perigosas. Isso porque os degraus são estreitos, altos e de pedra. Cair é muito fácil, especialmente durante/logo após uma chuva. Por isso, é preciso atenção. Apesar disso, vale muito a pena visitar o lugar. No alto do morro há uma torre de castelo, com aquelas espécies de lunetas onde colocamos um dinheirinho para poder ver a cidade. Aliás, essa é uma das vistas mais legais de Santiago, onde podemos ver os prédios de Sanhattan (o centro comercial) com os Andes no fundo!

Ao lado do cerro há um mercadinho de lembrancinhas indígenas. Há muito artesanato ali (mas também postais, camisetas, chaveiros e outras bugigangas). Do outro lado da Libertador O'Higgins - a principal avenida da cidade - tem uma feirinha de lembranças bem legal. Acho que, na cidade, não tem lugar melhor pra comprar lembrancinhas! FICA A DICA!

5 - Cerro San Cristóbal
Imagem de Imaculada da Conceição no alto do San Cristóbal
(Foto: Lucas Conrado)
Além do Cerro Santa Lucia, Santiago tem outro morro bem no centro, o Cerro San Cristóbal. Aliás, esse faz o Santa Lucia parecer um castelinho de areia. Com 280 metros de altura, o San Cristóbal permite a melhor vista de Santiago - desconsiderando o que dá pra ver dos Andes. Alguns guias e revistas de turismo dizem que dá pra subir o San Cristóbal por um teleférico. Não dá mais! No terremoto de 2010, o teleférico foi danificado e o governo decidiu desativá-lo (até porque, não deve ser nada seguro estar num teleférico durante um grande terremoto). Então, para subir o morro, sobraram outras três alternativas.

A primeira - e mais tradicional - é o furnicular. É tipo um bondinho que te leva ao topo do morro, bem parecido com aqueles do Santa Marta, aqui no Rio de Janeiro. Agora, em fevereiro de 2013, ele estava em manutenção, por isso não sei quanto custava pra subir. Mas acho que não chegava a 1000 pesos.

Subindo o San Cristóbal (Foto: Lucas Conrado)
Com o furnicular quebrado, o parque disponibilizou duas formas de subir o Cerro. A primeira era o ônibus, gratuito, mas com longas filas. Não sei se ele vai continuar existindo com a volta do furnicular. O segundo é o táxi. Enquanto o furnicular está em manutenção, existe a opção de 1000 pesos (4 reais). Há também os táxis convencionais, mas eles cobram um pouco mais caro.

A alternativa mais divertida e cansativa é subir a pé! Assim, se prepare pra uma caminhada difícil e empoeirada. Como eu falei lá em cima, o morro tem 280 metros de altura, desde a base até a imagem de Imaculada de Conceição no topo. A subida é segura de se fazer (especialmente se for feita durante o dia), mas é bem íngreme em alguns pontos. Não íngreme ao ponto de você escorregar e cair, mas ao ponto de exigir um esforço absurdo para chegar ao topo. Fui, vi e venci! A sensação de superar o morro é recompensadora!

De lá do alto, é possível ter uma visão panorâmica de boa parte de Santiago. Se o tempo estiver bom (e você estiver no inverno), conseguirá ver a Cordilheira dos Andes e a Cordilheira da Costa cobertas de neve.  O Estádio Nacional, as principais avenidas da cidade, parques... dá pra ver muita coisa de lá de cima! Sério, acho que é o lugar de Santiago que mais gostei de visitar. É legal ver o sol se por atrás da Cordilheira da Costa e os Andes com um tom alaranjado.
Andes iluminados pelo pôr do sol, vistos do Cerro San Cristóbal. Você não vai ver isso no verão
(Foto: Lucas Conrado)

6 - La Chascona
La Chascona, casa do Pablo Neruda em Santiago (Foto: Lucas Conrado)
Pablo Neruda teve três casas. Uma em Isla Negra (a mais legal das três), uma em Valparaíso e a La Chascona, em Santiago. O nome da casa significa "A Descabelada", e é uma homenagem à amada do poeta, Matilde Urrutia. Cara, que casa interessante! Ela é construída no pé do Cerro San Cristóbal, então fica num terreno acidentado. Visitar a casa é subir um pedacinho - bem inho - do morro. E um passeio inesquecível.

Cômodos com tamanhos diferentes, corredores, passagens secretas e muita, muita bugiganga! Tudo que você imaginar, o Neruda colecionava! E um pedacinho dessas coleções pode ser visto ali. Pedacinho porque o filho da puta do Augusto Pinochet ordenou que a casa do Neruda fosse invadida e saqueada. Os filhos da puta dos militares fizeram um grande estrago na coleção do poeta. O que há lá hoje é uma pequena parte do que já existiu. Infelizmente!

Uma curiosidade: é possível ver algumas fotos do Evandro Teixeira, fotógrafo brasileiro que foi o único a cobrir o funeral do poeta. Se você curte fotografia e conhece um pouco da obra do Evandro, essa seção é um gostinho a mais.

DETALHE IMPORTANTE: A casa é um dos principais pontos turísticos de Santiago. E as visitas são guiadas, com grupos de 15 pessoas. Logo, é preciso fazer reserva com alguns dias de antecedência, caso você queira visitar a casa. Fui lá de sopetão e dei muita sorte. Consegui a última vaga do dia, isso porque o cara que reservou, não foi. Mas muitos turistas chegaram na casa pouco depois de mim e deram com a cara na porta. Então, reserve o passeio com alguma antecedência. Veja mais informações no site da Fundación Pablo Neruda.

7 - Mercado Central
Mercado Central, projetado por Gustave Eiffel (Foto: Lucas Conrado)
Uma das coisas que acho mais interessante nas cidades que visito são os mercados centrais. O de Belo Horizonte é uma experiência por si só. Em Fortaleza tem outro bem legal. O de Mercado Central Santiago não é diferente! Pra começar, a estrutura do telhado é repleta de arcos de metal. Quem olha, pode se lembrar da Torre Eiffel. Não é de se espantar, a cobertura do mercado foi projetada pelo Gustave Eiffel, o mesmo cara que projetou a torre! Ele tem duas áreas. A parte "externa" (ainda dentro do mercado) é dedicada à venda de frutos do mar e de restaurantes. Mesmo que você não goste de frutos do mar (tamo junto!), vale a pena passear pelos corredores, vendo aqueles curstáceos e peixes diferentes do que temos aqui no Brasil. Na área mais central, há o mercado de frutas e lembrancinhas. Se você for comprar presentinhos por lá, pesquise bem os preços, não vá comprando na primeira barraquinha. Também pechinche, pode dar certo! A barraca de frutas é impressionante. Pêssegos do tamanho de maçãs, bananas também gigantescas (UI!), amoras, umas outras frutinhas chilenas cujo nome eu não sei... Sério, vale muito a pena passear por lá com calma.

Também é um bom lugar pra almoçar, ou jantar. Os restaurantes não são dos mais baratos, mas a comida é excelente. O restaurante onde comi (não lembro o nome, desculpa) ainda servia uma rodada de pisco sour (uma espécie de caipirinha chilena - vamos falar dele mais pra frente)  de cortesia. É bem melhor do que parece pela descrição. Comi um bife a lo pobre , enquanto as meninas que estavam comigo comeram centolla, o maior caranguejo que eu já vi!

8 - Paris-Londres
Rua do Paris-Londres, que lembra muito a Europa
(Foto: Lucas Conrado)
Perto do Palácio La Moneda, existe um bairro bem charmoso chamado Paris-Londres. É um pedacinho da Europa no centro de Santiago! As ruas e os prédios foram construídos para imitarem as capitais da França e Inglaterra e, se você for num dia frio, a sensação de estar do outro lado do Atlântico é ainda maior.

É uma pena que o bairro seja tão pequenininho. Se tiver quatro ruas é muito. Mas é muito bonitinho. Só que ele tem um lugar que guarda uma triste memória. Na frente do nº 40 da rua Londres há um prédio cuja calçada tem plaquinhas de bronze, com nomes e idades. São pessoas torturadas e mortas pela ditadura de Pinochet no local (sério, como tem gente que apoia ditaduras militares?). Parece que na época, ninguém desconfiava do que acontecia ali. Só foi se tornar público anos após o final da ditadura. Uma triste lembrança num bairro tão bonito.

9 - Parque Forestal
Bem pertinho do hostel que fiquei nessa segunda viagem a Santiago há uma grande área verde chamada Parque Forestal. Esse parque é muito grande. Deve ter alguns quilômetros de comprimento e chega até perto do Museu Nacional de Belas Artes (que também não visitei, foi mal!). Assim como em diversas áreas de Santiago, o parque está cheio de cachorros de rua (o governo chileno aboliu a carrocinha!), além de muitas crianças brincando nos playgrounds. Uma coisa curiosa que eu vi foi uma fonte gigantesca em homenagem aos alemães que colonizaram uma boa parte do Chile. A fonte em si é muito grande e linda, mas o que me impressionou é que muitas crianças - e adultos - brincam na água. Não são moradores de rua, como os que tomam banho nas fontes brasileiras. São pessoas bem aparentadas, muitas até turistas, que se banham nas águas dessa e de outras fontes!

10 - Barrio Lastarria
Bairro Lastarria (foto: Lucas Conrado)
Colado no Parque Forestal está o bairro mais charmoso que visitei em Santiago, o Lastarria. Repleto de livrarias, barzinhos, ruas arborizadas e ateliês, o bairro tem um clima cultural muito gostoso! Vale muito a pena passear pelas ruas com calma, olhando a feirinha de livros e coisas usadas e depois parando num dos cafés pra aproveitar a tarde.

11 - Parque Quinta Normal
Um pouco mais afastado do centro turístico de Santiago está o Parque Quinta Normal. Ele é bem grande e, além da área verde, ele conta com uns museus bem legais. O primeiro que eu destaco é o Museu de Ciência e Tecnologia. Não é muito grande, mas tem salas de experimentos físicos, de botânica, de geologia, de astronomia, ciência e tecnologia... Cara, é bem interessante. Como outros museus de Santiago, nele você pode filmar e fotografar, inclusive usando o flash (chupa museus brasileiros!). Mas, o museu mais legal que visitei foi o Museu Ferroviário. É uma grande área aberta com dezenas de locomotivas dos séculos 19 e 20! Tem desde locomotivas pequenininhas, pouco menores que um furgão até bichões de 4 metros de altura e uns 20 metros de comprimento. Algumas locomotivas são assustadoras! O parque tem outros museus que não visitei. Tipo o Museu de História Nacional e o Museu de Arte Contemporânea. Para chegar nele, a dica é pegar o metrô até a estação de Quinta Normal. De lá, ainda é possível visitar a riquíssima Biblioteca Municipal de Santiago e Universidad de Santiago de Chile (USACH).
Lago com pedalinhos no Parque Quinta Normal. Excelente pra passar a tarde! (Foto: Lucas Conrado)

12 - Rio Mapocho e Costanera Center
Você dificilmente verá um prédio tão
alto por aí! (Foto: Lucas Conrado)
O Cerro San Cristóbal tem 280 metros de altura. O Costanera Center é o maior prédio da América Latina e mede só 300 metros de altura! Sério, é um colosso visto de qualquer lugar de Santiago! Uma torre espelhada, ainda em construção, que fica no meio de Sanhattan, o coração financeiro de Santiago. Ao lado da torre, está localizado o maior shopping center que visitei no Chile. Um shopping normal, mas gostei da loja da Lego que tinha dentro dele!

A torre fica na margem do Rio Mapocho. Você pode ir até ela de metrô ou caminhando, o que é bem mais divertido. É uma caminhada longa, dá uns 6 quilômetros, mas é bem legal. Você anda pela margem do rio, num grande parque urbano com ciclovia e pista de caminhada. Há diversas esculturas e quase infinitos casais deitados na grama se pegando. Sério, é muito normal ver casais deitados nos gramados de Santiago. Se você tem disposição pra caminhar, fica a dica.



13 - Museo Aeronautico y del Espacio de Chile
Entrada do Museu Aeroespacial! Vale a pena visitar!
(Foto: Lucas Conrado)
Esse é pra quem curte aviação. No aeroporto de Los Cerrillos fica o Museo Aeronautico y del Espacio de Chile. Até pouco tempo atrás, esse era o palco da FIDAE, maior feira de aviação da América Latina. A feira foi transferida para o Aeroporto Internacional Arturo Merino Benitez, mas o museu continua firme e forte em Los Cerrillos. Com entrada gratuita, você pode ver dezenas de modelos de aviões que contam um pouco da história da aviação no Chile e no mundo. Destaque para um avião que foi encontrado destruído no Deserto do Atacama e que foi totalmente reconstruído.

14 - Locais que não visitei.
Além dos pontos que não visitei citados acima, como o Museo Nacional de Bellas Artes ou o Museo de Historia Natural, Santiago tem outras opções que vão ficar para a próxima vez que eu for à cidade:

Museo de La Moda
Até fevereiro de 2013, o Museu da Moda recebia uma exposição que parecia ser bem bacana, sobre os anos 80 (tinha até um DeLorean - o carro do De Volta Para o Futuro - exposto por lá!). Pelo que sei, o museu está fechado, montando a próxima exposição, mas vale a pena dar uma conferida.

Estádio Nacional
Palco do bi-campeonato mundial do Brasil na Copa de 1962, o Estádio Nacional faz parte da história do Chile. No golpe militar de 1973, ele foi transformado num campo de concentração, onde os "subervsivos" foram aprisionados, torturados e mortos pela ditadura. Hoje, em tempos de democracia, o estádio cumpre bem sua função: receber o futebol. É a casa do Universidad de Chile, um dos times mais tradicionais do país.

Estação Mapocho
Pertinho do Mercado Central está a Estação Mapocho, antiga estação de trem transformada em centro cultural. Quando fui, ela estava fechada por causa de uma falta d'água que atingia Santiago, mas ela tem uma arquitetura muito bonita e recebe diversas exposições o ano todo.

Parque de las Esculturas
Pertinho do Costanera Center, do outro lado do Rio Mapocho está o Parque de las Esculturas. Quem curte arte contemporânea vai adorar passear por entre diversas obras de artistas de diversos países. Em janeiro, o parque recebe um festival de jazz!

Viña Concha y Toro
O Concha y Toro é dos vinhedos mais tradicionais do Chile fica nos arredores de Santiago. Você faz um tour por dentro do vinhedo, conhecendo todo o processo de fabricação do vinho, desde a plantação até as adegas. Pra chegar, deve pegar o metrô da linha 4 (azul) até a estação Las Mercedes e de lá pega um táxi ou um ônibus. Tem gente que diz que dá pra ir a pé ou de bicicleta, mas acho que é meio longe pra isso...

E fora de Santiago, o que tem de legal?
Então, Santiago está nos pés da Cordilheira dos Andes e a uns 100km da praia. Então, se você curte uma montanha, Santiago é o lugar ideal para você. Se você gosta de praia, perfeito, Santiago também é um destino muito aconselhável.

1 - Cordilheira dos Andes
A estação de esqui de El Colorado é a mais próxima de Santiago. Costuma abrir na última semana de junho.
(Foto: Lucas Conrado)
Mesmo durante o verão, é possível - e relativamente fácil - subir a Cordilheira dos Andes. Na cidade, há uma série de empresas de turismo que organizam passeios todos os dias para o alto das montanhas. Se não me engano, eles custam entre 10 e 15 mil pesos (de 40 a 60 reais). Se você for no inverno, o custo vai ser um pouco maior, por causa do aluguel dos equipamentos.

Explicando, no inverno, a cordilheira está coberta de neve. E, por mais bem agasalhado que você vá, você vai congelar lá em cima, porque nossos agasalhos não são preparados para a neve. Uma coisa deve estar bem clara na sua cabeça: neve é água congelada. Em contato com o corpo humano, ela derrete. Derrete e molha a roupa. O frio dos Andes esfria a roupa e a água descongelada. Em resumo, você se molha e congela lá em cima. Aí você vai ter que alugar agasalhos impermeáveis em Santiago, o que não é muito barato.

Se você vai passar só um dia no alto dos Andes, NÃO VALE A PENA TER AULAS DE ESQUI. Você vai ter que contratar o serviço de subida, vai ter que alugar os agasalhos especiais, vai ter que alugar os equipamentos de esqui e vai ter que contratar um professor. Além da grana violenta que você vai gastar, você vai perder um dia inteiro tomando aulas. Um dia que você poderia ficar brincando na neve, vai perder tendo aula, de algo que, se bobear, só vai praticar de novo em alguns anos.

Ah, uma questão importante, os efeitos da altitude. Quando subi os Andes, não senti nada a princípio. Nem falta de ar, nem dor de cabeça, sequer os ouvidos entupidos. Nem lembrei que estava a 2500 metros de altitude. Isso até tentar correr uns 60 metros. A vista escureceu, o coração disparou, pensei que fosse desmaiar! Gente, o efeito da altitude é real. Não é frescura de quem vai jogar Libertadores, é perigoso mesmo. Evitem correr no alto dos Andes!

2 - Praia
Santiago está a umas duas horas de ônibus das cidades litorâneas de Valparaíso e Viña del Mar. Pra chegar até elas, você pode alugar um carro ou então ir de ônibus. Pela Tur-Bus, a viagem para Valpo pode custar uns 4 mil pesos, o que dá 24 reais. É mais caro do que eu lembrava, mas ainda vale a pena.

Se você quer conhecer as cidades com calma, recomendo que vá num dia e volte, pelo menos, no outro. Na própria rodoviária de Valparaíso há bancadas com hostels da cidade. Você já combina com o hostel que mais te interessou e alguém te leva até ele. Quando fui ao Chile pela primeira vez, visitei três cidades em dois dias. Vou falar um pouco delas agora.

2.1 - Isla Negra
Já viu aquele filme O Carteiro e O Poeta, onde o Pablo Neruda vai morar numa ilha italiana e um carteiro pede ajuda dele pra conquistar uma garota? Pois é, na história original, o cenário é Isla Negra. O vilarejo, perto de El Quisco, é conhecido por ter a maior casa de Neruda.

A casa foi construída para parecer um barco, por isso as portas são estreitas e os tetos são baixos. Dentro da embarcação, ou melhor, da casa, é possível ter uma boa ideia das coleções do poeta. Tem de tudo: pratos, garrafas, insetos, conchas, livros, enfeites de navios e até um grande cavalo de madeira no meio de uma das salas. Aliás, o próprio Neruda está ali. Ele e Matilde estão enterrados na varanda em forma de quilha de barco, bem de frente pro oceano.

2.2 - Valparaíso
Valparaíso é uma das cidades mais charmosas que já visitei! Pena que não voltei em 2013! (Foto: Lucas Conrado)
Depois de Santiago, minha cidade chilena favorita! Antes da construção do Canal da Mancha, Valparaíso foi a maior e mais rica cidade do Chile, superando a capital. Ela nasceu em função do porto, que ainda é um dos maiores do continente.

Valpo, como é chamada carinhosamente, é dividida em duas áreas, a parte baixa e a parte alta. A parte baixa é a mais comercial, com prédios, lojas, bancos e o porto. A parte baixa da cidade tem alguns pontos interessantes como a Praça Sotomayor, com o prédio da Armada de Chile logo ao fundo. Ali perto está localizado o porto, com sua feirinha de artesanato e, pegando um dos 17 furniculares, você chega ao Museu Marítimo e Naval, que conta a história da marinha chilena. Uma coisa interessante que tinha nesse museu quando fui, em 2011, era a sonda Fénix, usada para resgatar os 33 mineiros em Copiapó!

Música ao vivo no Casino Social (Foto: Bruna Acácio)
Ah, outra coisa bem legal pra se visitar na parte baixa é o bar Casino Social J. Cruz. Ele fica nos fundos de um prédio e, para entrar nele, você atravessa um corredor lateral cheio de "pichações" na parede. Essas pichações são, na verdade, parte da experiência de se comer lá. É costume que você coma e deixe seu nome escrito em algum lugar do bar. Aliás, a decoração é espetacular: vários relógios, armários, fotografias e até uma bomba(!) amarrada no teto! Enquanto você come, vários músicos entram no bar cantando e tocando instrumentos. Vale muito a pena comer uma chorrillana por lá!

Os famosos furniculares de Valparaíso (Foto: Lucas Conrado)
A parte alta da cidade é mais residencial. São inúmeras casas coloridas, muito bonitinhas que dominam as encostas de Valparaíso. Passei poucas horas na cidade, mas gostaria de ter tirado um dia inteiro para ficar passeando pelas vielas. Valpo é uma cidade muito artística. As escadarias e muros são repletos de grafittis, e é relativamente comum encontrar atelieres de arte. Fui em um - infelizmente não lembro onde, em que eram vendidos cartões postais muito bonitinhos, com desenhos feitos pelo dono do atelier.

Na parte alta está localizada La Sebastiana, a terceira casa de Pablo Neruda no Chile. Infelizmente, não a visitei, mas fica aqui o link para você ver o que tem por lá.

2.3 - Viña del Mar
Valparaíso é uma cidade linda, mas não tem praias. Quem quiser dar um mergulho no Pacífico, terá de pegar um ônibus ou um metrô para a cidade vizinha, Viña del Mar. Passei pouquíssimo tempo na cidade, então nem cheguei a conhecer seus pontos turísticos. Sei que há um relógio de flores, onde todo o mundo tira foto (menos eu) e as praias, onde vi o sol se por.

Legal, mas quanto tempo dura conhecer esses lugares?
Então, quando fui ao Chile em 2011, a viagem durou seis dias. Desses, um foi para ir e outro foi para voltar, então passei quatro dias no país. Deu para visitar rapidamente essas três cidades, mas ficou meio corrido demais. Acho que o tempo mínimo que você tem para poder visitar esses locais com calma são cinco dias (descontando os dias de viagem), a serem distribuídos assim:

SANTIAGO - 2 dias.
Três é ideal pra desfrutar a cidade com calma, mas em dois, você conhece os principais pontos turísticos sem correr muito.
ISLA NEGRA - 1 dia.
O vilarejo é pequeno. Se você chegar lá pela manhã e visitar logo a casa do Pablo Neruda, pode dar uma voltinha pelo vilarejo e, à tarde, já pegar o ônibus até Valparaíso, podendo desfrutar da noite da cidade.
VALPARAÍSO - 1 dia.
Para poder passear com calma pela cidade, visitando a parte alta e a parte baixa, você vai precisar de um dia inteiro. Você pode usar um hostel de Valpo como base para poder visitar a cidade e Viña del Mar, que fica a meia hora de ônibus.
VIÑA DEL MAR - 1 dia.
Assim como Valpo, acredito que dê pra visitar o que a cidade tem a oferecer em um dia.

Já sei onde visitar, agora, me diz ae, o que posso comer de bom no Chile?
A força gastronômica do Chile são os peixes e os frutos do mar. Com um litoral daquele tamanho não poderia ser diferente. Eu, particularmente, não curto muito essa gastronomia, mas vou falar um pouquinho de alguns pratos que eu conheço, mesmo que seja só de nome. Ah, e também vou colocar opções de comida para quem não curte peixe.

Aji Pebre
Visitar o Chile e não experimentar o Aji Pebre não é visitar o Chile. Aji Pebre é um molho muito bonito, que parece molho de tomate. Mas, na verdade, é a pimenta mais forte que já experimentei. Sério, quando um chileno te falar para colocar pouco aji, ouça o que ele diz. O molho não pode ser subestimado.

O aji pebre é componente obrigatório de qualquer lanche. Cachorro quente, batata frita, hambúrguer, seja lá o que for, cai bem com o aji. Mas você tem que ir comendo aos poucos pra se acostumar ao sabor fortíssimo.

Ceviche
O ceviche um picadinho de peixe "cozido" no limão. "Cozido" entre aspas porque a carne é colocada no limão crua e o ácido faz sua magia deixando, pra quem gosta, um sabor muito bom.

Centolla
Como falei lá em cima, Centolla é um caranguejo gigante servido em diversos restaurantes chilenos. Ele custa uns 50 200 reais, mas dá pra umas 3 ou 4 pessoas comerem tranquilamente. O garçom traz o bicho inteiro e vai cortando os pedacinhos com a maestria de um cirurgião.

Pastel de Choclo
Apesar do nome, não é um pastel. É um tipo de torta com batata, frango, carne picada, cebola e milho (choclo em espanhol). Também não comi (desculpa, gente), mas quem experimentou aprova e recomenda!

Empanadas
Cara, assim como o aji, quem vai ao Chile e não come empanada, não foi ao Chile. As empanadas são muito comuns na América do Sul, menos no Brasil. Parecem pequenos pasteizinhos assados, com uma massa fina e recheio que pode variar. As mais tradicionais são as empanadas de pino, com recheio de carne picadinha, mas tem de queijo, camarão, caranguejo e uma infinidade de sabores. As empanadas fritas são muito parecidas com nosso pastel de feira, mas têm uma massa mais grossa.

Sopaipilla
Outro petisco típico da cozinha chilena. Sopaipilla é uma massa frita de abóbora, vendida em diversas barraquinhas de rua, tipo nossas barraquinhas de tapioca ou de churros. Seu gosto é neutro, então pode ser comida com caldas doces ou então com "molhos" salgados, como maionese, catchup, mostarda e aji pebre. Se você tiver coragem, coma uma de barraquinha de rua! Eu comi e adorei!

Chorrillana
Nutricionistas vão fechar o blog agora. Chorrillana é um AVC em forma de comida. É uma porção muito generosa de batata frita, coberta com ovo mexido e bife picado. O ovo é mexido com os pedaços do bife, além de outras coisas que variam de receita pra receita, mas a que eu comi levava cebola. É uma delícia, mas seu colesterol vai pro espaço! No lugar onde comi, a Chorrillana estava pingando de óleo! Saudade...

Bife a Lo Pobre
O Bife a Lo Pobre é tipo uma chorrillana, mas um pouco mais civilizado. É uma porção de batata-frita com um bife não picado e um ovo frito, bem parecido com o nosso bife à cavalo.

Quarto de Pollo con papas fritas
Um pedação de frango, coxa e sobrecoxa frita ou assada com batata-frita. É muito comum encontrar desses no Chile.

Agora vamos para o melhor!
Completo con Palta
Completo é a forma como os chilenos chamam cachorro quente. Palta é abacate. Sim, o cachorro quente chileno é com abacate. E sim, é uma delícia! Para de preconceito e, pisando em Santiago, peça seu Completo con Palta. Existem dois tipos:

Completo - Pão, salsicha, tomate picado, chucrute, abacate e maionese.
Italiano - Pão, salsicha, tomate picado, abacate e maionese.

Eles ainda vendem o Churrasco, que é um sanduíche bem parecido, mas com carne picada no lugar da salsicha.

Pra beber

Pisco Sour
É a caipirinha chilena. Feita com pisco (uma espécie de cachaça feita com casca de uva), limão, açúcar e clara de ovo batida, estilo suspiro. Até eu que não gosto muito de bebida, tomei um shot e gostei bastante. Fica a dica!

Vinhos
Os vinhos são bem baratos por lá. Os Concha y Toro chegam a custar metade do que custam aqui. Você pode trazer até 12 litros para o Brasil, o que dá umas 8-10 garrafas. Como não sou muito fã de vinho, não tenho propriedade pra falar sobre o assunto.

Sem Álcool
Fica ainda a dica para experimentar os refrigerantes de Papaya. O mais tradicional é o Pap, que, junto do Bilz, fazem parte da cultura refrigerantística chilena, mais ou menos como o Guaraná Antártica faz parte da brasileira. Tem também o refri de Papaya da Fruya, uma outra marca que eu gostei mais! Eles também têm refris de abacaxi, além daqueles que temos aqui, como Coca-Cola, Fanta (laranja e morango) e 7Up (que não existe mais aqui, eu sei). Quem curte suco, os chilenos vendem suquinhos em garrafa muito melhores que os brasileiros! Tem uma marca que tem aqui também (não sei o nome, mas é daquela caixinha xadrez), que vende sucos de abacaxi, pêssego, frutas vermelhas e laranja. Foi a ÚNICA VEZ que tomei um suco que tinha o gosto verdadeiro da fruta.

Glossário
Fica aqui um pequeno dicionário de chilenês, com expressões que você vai ouvir por lá:

Cachai? - Entendeu? Sacou? Fragou? (vem do inglês Catch = pegar)
ex: Para llegar a la estación, sigue derecho, cachai? (Para chegar na estação, siga direto, sacou?)

Al tiro - É pra já; Rápido; Agora mesmo
ex: Voy a traer suas empanadas al tiro! (Vou trazer suas empanadas já já!)

Fome - Ruim; Chato; Sem graça
ex: ese paseo es muy fome! (Esse passeio é muito chato!)

Buena Onda - Legal
ex. Que chica buena onda! (que garota legal!)

Pololo/Polola - Namorado/Namorada

Que te vayas bién - Vai com Deus; muito comum em despedidas.
ex: - Gracias, amigo!
- Que te vayas bién!

Po - não sei traduzir isso, mas é muito usado pelos chilenos no final das frases. Acho que não tem tradução.
ex: - Tu eres de Chile?
- Si, po!

Bacán - Bacana
ex: Santiago es muy bacán! (Santiago é muito bacana!)

Yá! - Sim; de nada; entendi; certo; ok; mais uma infinidade de significados de que entendeu/ouviu o que você disse.

Huevón (fala-se Weón) - Pode significar babaca ou amigo, dependendo do grau de amizade com a pessoa. É bom evitar usar.

Vete a la chucha! ou Andate a la conchatumadre! - Só use se for extremamente necessário. São xingamentos.

Dica final para quem está indo embora de Santiago do Chile: VOLTE! (Foto: Lucas Conrado)
@OLucasConrado

5 comentários:

Karla disse...

Que maravilha de post! Muito obrigada pelas informações, Lucas!

Giz disse...

Amei!!!! Muito completo, irá me ajudar muito. Obrigada!!!

Urban Santiago Magazine disse...

Muy buena guía de Santiago, felicitaciones !!!

Urban Santiago Magazine disse...

Muy buena guía de Santiago; felicitaciones !!!!

Amanda Mesquita disse...

Anotando tudo para usar em dezembro... muito bom, Lucas! Obrigada! ^^