quarta-feira, 17 de julho de 2013

Me mantenha voando

Atlético, sente-se aqui do meu lado. Vamos ter uma boa conversa, que não temos há um bom tempo.
Foto: Bruno Cantini/Flickr do Clube Atlético Mineiro
Primeiro, gostaria de te pedir desculpas. Desculpa por não acreditar que você... você não, nós, nós não estaríamos aqui, onde estamos. Desculpa por, mesmo se classificando em primeiro lugar na fase de grupos, mesmo eliminando o São Paulo, mesmo defendendo aquele pênalti do Tijuana aos 47 do segundo tempo, não acreditar que você chegaria à final da Libertadores. Não foi legal da minha parte, eu sei, mas, por favor, não duvide do amor que eu tenho por você.


Atlético, eu não acreditei nisso por uma questão de autodefesa. Sabe, entre todos os meus amigos fãs de futebol, os únicos que nunca vi comemorarem algum título de expressão foram os atleticanos. Vamos ser justos, você me ensinou a não criar expectativas. Me mostrou quão perigosas elas podem ser. Desculpa, Atlético, mas, em 1999, 2001, 2009 e em 2012 (mentira, 2012 não foi culpa sua), você me ensinou que as expectativas são as maiores inimigas que podemos ter. Lição essa que é bem difícil aprender.

Você não foi o único a me ensinar isso. Certa vez, alguém, que me criou bastante expectativa, acabou com todas elas em apenas uma frase: "Lucas, me desculpa por não te manter voando". Atlético, doeu demais ler aquilo. Por mais que eu soubesse que essa frase viria, uma hora ou outra, lê-la foi um duro golpe, que eu não gostaria de passar novamente. Por isso que eu te peço, Atlético, me mantenha voando.

Não me abandone quando mais preciso de você. Não faça com que as defesas do Victor, a água do Ronaldinho, a luta na altitude boliviana ou a raça no gramado mineiro tenham sido em vão. Não transforme as expectativas de uma nação, de 11 milhões de pessoas em mais uma decepção. Sabe, estamos calejados. Estamos cansados de sermos aqueles que nadam e morrem na praia. Estamos cansados de sermos desrespeitados por outros torcedores. Aliás, te contei o que aconteceu semana passada?

Moro no Rio de Janeiro, estado onde você, Atlético, era pouco respeitado até muito recentemente. Desci de um carro na frente de dois garotos cariocas. Um flamenguista, outro botafoguense. Eu vestia o Manto Sagrado. Em outras épocas, eles apontariam o dedo pra mim e ririam. Fariam alguma piada, gritariam "freguês", alguma coisa assim. Desci do carro e fiquei olhando para eles, eles me olhavam de volta. Quando virei de costas, um deles falou "Galo!". Virei para eles e eles sorriam pra mim, fazendo sinal de positivo.

É disso que estou falando, Atlético. Continue lutando, continue voando, continue fazendo com que esses torcedores olhem pra gente com respeito. Continue jogando o melhor futebol do continente, continue nos enchendo de orgulho, de gosto, de bons sonhos. Atlético, não nos decepcione quando mais precisamos de você. Estamos juntos, mais juntos do que nunca! Se descumpri a promessa de nunca mais vestir a sua camisa depois daquele 6 a 1, me mostre nas próximas quartas-feiras que essa decisão valeu a pena.

Atlético, não faça como aquela menina - que é cruzeirense, por sinal.

Atlético, me mantenha voando.

@OLucasConrado

2 comentários:

Gabriel Rozendo disse...

Doido! Hoje tem #GALO, hoje o Atlético irá fazer por onde e mostrar a força que estamos aguardando... vai pra cima deles galooo...

William Santos disse...

Melhor crônica que li sobre a final, sem dúvidas!