segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Poesia em forma de lugar

Oh my Belo Horizonte
You're the only light I see
Oh my Belo Horizonte
You're the only one for me
(Dick Dale - Belo Horizonte)



Poesia em forma de Lugar - Lucas Conrado (Flickr)


Belo Horizonte. Acho esse um nome lindo, imponente. Gosto muito mais do nome completo, Belo Horizonte, do que da sigla, Beagá. Belo Horizonte é pomposo, tem jeito de Belle Epoque, arquitetura mais para o estilo clássico. Beagá é simples demais, parecendo arquitetura contemporânea, reta, direta e sem graça.

Belo Horizonte. Ao pensar na cidade, são tantas lembranças, tantas pessoas, tantas emoções. São tantos lugares... O Parque das Mangabeiras, o Parque Municipal, a Lagoa da Pampulha, a Praça da Liberdade, a UFMG, o Mineirão... São tantos lugares nesta linda cidade, que hoje completa 114 anos, que estive e que gostaria de voltar todos os dias. São tantos sorrisos, lágrimas, dias de disposição e dias de doença que me deixaram de cama que me trazem um aperto no peito, uma saudade incontrolável, uma vontade de trancar a faculdade, pedir demissão e voltar para Belo Horizonte.

Belo Horizonte. Cidade de grandes contrastes, cidade de alegrias indescritíveis, de saudades, de amores correspondidos e não correspondidos, cidade grande com gostinho de interior. Cidade com o movimento infernal da Afonso Pena durante as tardes de semana, mas ao mesmo tempo, as noites calmas de interior do Teixeira Dias, silenciosas a ponto de você ouvir uma agulha cair do outro lado da rua. Cidade de gritos, cantos, de pensar que o coração vai explodir no peito nos domingos de jogos no Mineirão. Cidade de beijos, de abraços, de mãos dadas e de silêncio cúmplice em manhãs no Parque das Mangabeiras, tardes na Praça da Liberdade e noites na Pampulha. Cidade de madrugadas e madrugadas de videogame regadas à Coca Cola e cachorro quente que provocam uma queimação na barriga dias depois, queimação que vai embora para podermos nos entupir novamente de refrigerante, enquanto jogamos videogame.

Belo Horizonte. Cidade que justifica o nome. Cidade onde os prédios se misturam à Serra do Curral, que se mistura ao céu, formando um belíssimo horizonte. Cidade onde as águas da Lagoa da Pampulha se misturam à arquitetura modernista de Niemeyer, formando uma fluidez sem igual. Cidade onde as árvores do Parque Municipal surgem no meio da selva de concreto, uma ilha de tranquilidade e sossego no meio de uma cidade com cara de metrópole, mas alma de interior.

Belo Horizonte. Cidade dos meus sonhos. Cidade onde quero morar no futuro, onde quero me casar, onde quero criar meus filhos, onde quero fazer carreira e onde quero me aposentar. Cidade onde tive alguns dos melhores momentos da minha vida e onde quero ter ainda tantos outros bons momentos. Cidade que amo radicalmente, que eu quero ficar.

Belo Horizonte. Parafraseando Felipe Peixotto Braga Netto, poesia em forma de lugar.

Lucas Conrado

domingo, 4 de dezembro de 2011

Uma crônica de coração e sonhos despedaçados

Sou um romântico. Romântico à moda antiga, que quer se casar e ter filhos. Vou relatar nas linhas abaixo, o sonho que eu tinha há exatos 11 meses. Antes, uma pequena contextualização da época.

Em janeiro de 2011, estava no auge da minha felicidade. Um estágio legal, num grande canal de TV e que pagava bem, férias chegando, tinha alguém que dizia gostar de mim. Tudo que um cara com quase 22 anos gostaria de ter. Além dessas realizações, eu tinha um sonho, que contei para essa garota num ônibus, voltando de Ouro Preto. O sonho era:

Dali a alguns anos, nós iríamos nos casar. Eu estaria morando em Belo Horizonte, perto dela, poderíamos dividir um apartamento e começar uma vida a dois. Depois de alguns anos juntos, com carreira estabilizada (na medida do possível, contando que eram duas pessoas formadas em Jornalismo), poderíamos ter filhos. Dois estão de bom tamanho.
Quando tivéssemos filhos, iríamos, nos fins de semana (que não viajássemos pra Carmo do Cajuru, Piranga, Ouro Preto ou qualquer outra cidade dessas), ao parque. Parque Municipal, Parque das Mangabeiras, Parque Ecológico da Pampulha, Lagoa do Nado, etc... Não gosto desse negócio de shopping (apesar de ir a um todo final de semana), prefiro o ar livre. A garota de quem eu gostava também tem essa opinião. Durante todo tempo que ficamos juntos, só íamos ao shopping para ir ao cinema. Isso porque cinemas na rua são cada vez mais raros na Belo Horizonte de hoje. Bem, mas voltando, criaria meus filhos nos parques, brincando ao ar livre.
Os guris teriam um time definido (pelo pai). Seriam atleticanos. A mãe era cruzeirense, mas pergunta pra ela o nome de três jogadores do Cruzeiro? Os guris teriam de seguir o pai, conhecedor da história do clube, orgulhoso de mostrar ao mundo a camisa alvinegra. Todo domingo iríamos ao Mineirão, comer tropeirão e vibrar com mais uma vitória do time! Se o time perdesse, paciência, no jogo seguinte estaríamos lá de volta e vibraríamos com uma vitória que certamente viria!

E assim viveria minha vida, nossas vidas. Felizes para sempre? Sei lá, não sei se acredito em contos de fada. Mas viveríamos felizes. 

Bem, esse era o meu sonho. Sonho que, pouco a pouco, e pelas mãos de muitos, foi sendo destruído. Pra começar, a garota foi embora. E hoje, vi um golpe duríssimo direto no meu coração, quase tão duro quanto aquela noite de sábado que ela me disse que não queria mais nada comigo. A falta de comprometimento, de caráter do Clube Atlético Mineiro com seus milhões de torcedores, que se mobilizaram no Brasil inteiro para ver o time jogar foi um golpe duro demais para esse meu coração suportar.

Vou dormir hoje com o coração em pedaços, como venho fazendo ao longo do ano. Quando finalmente colo os cacos de um relacionamento subitamente terminado (NÃO VENHA ME FALAR QUE NÃO FOI ASSIM PORQUE FOI!), vem o Atlético, último repositório do meu amor pra me trair desse jeito.

O pior, para o Cruzeiro da minha ex-namorada!

domingo, 2 de outubro de 2011

Lo que doleria por siempre ya se desvanece...

Mejor o peor, cada cual seguirá su camino
Cuanto te quice, quizás, seguirás sin saberlo
Lo que doleria por siempre ya se desvanece...
(Jorge Drexler - La Vida es Más Compleja de lo que Parece)

É muito estranho. Estranho passar o dia ao seu lado sem te desejar. É estranho ter você por perto e não querer mais te abraçar, te beijar. É esquisito ler os e-mails antigos, as mensagens no celular da mesma forma que se lê um livro, uma história de outras pessoas. Ouvir a nossa música num show, trocar olhares e não sentir todas aquelas sensações que imaginei que teria nesse momento. É diferente isso, essa sensação de que as memórias são apenas sonhos terminados e que aquele sentimento que cresceu comigo nos últimos dois anos simplesmente terminou. Morreu. Acabou.
Não falo da amizade. Ela segue intacta, firme, forte, muito bem, obrigado. Falo daquele algo a mais, sem um nome certo que me acompanhou e me levou mais longe que eu sonhei chegar um dia. Bem, vamos chamar esse sentimento de 'amor', por falta de um nome melhor. O 'amor' acabou, não resistiu à distância. Não estou falando da distância física, geográfica. Não estou falando de rios, florestas e montanhas. À essa distância, o 'amor' resiste. Estou falando da distância entre duas pessoas tão iguais e ao mesmo tempo diferentes, que o acaso inventou de cruzar. Este acabou.
Estou só escrevendo aqui o que eu não consegui te dizer ao vivo.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Feliz Cumpleaños!!!

Você adora me atormentar. 
Adora contar piadas pra me deixar sem graça.
Não perde a chance de me fazer sentir um bobão!
Você já me tirou noites e noites de sono. 
Já me fez acordar no meio da madrugada pra te ligar.
Já me fez rolar de um lado para o outro da cama inúmeras vezes, sem pregar os olhos.
Você já me fez perder, ao menos, uma garota que gostava de mim.
Já me fez chorar como uma criança inúmeras vezes, mesmo tendo barba no rosto...

Apesar disso tudo, você é minha melhor amiga. Sabe por quê?

Com você do meu lado, cheguei mais longe do que sonhei chegar.
Com você conheci Ouro Preto, conheci outro país, conheci a neve.
Para você, contei segredos que tinha prometido a mim mesmo nunca revelar a ninguém.
Você conheceu meus temores como ninguém, minhas qualidades como ninguém.
Você me conheceu como ninguém mais.

Você é minha melhor amiga porque esteve sempre ao meu lado, mesmo estando em outras cidades, estados e até países.
Naqueles dias que adoeci, você esteve sempre ao meu lado.
Naquelas noites de febre, você não se afastou de mim em nenhum momento.
Você me mostrou o verdadeiro significado da palavra 'amizade'.
Ri muito em sua companhia.
Tive seu ombro nas vezes que chorei ao seu lado.
Tive suas palavras quando precisei de um conselho.
Tive seu bom senso quando meus sonhos me faziam voar cada vez mais alto.

É por isso e muito mais que hoje, no seu aniversário, te desejo toda felicidade do mundo.
É por essas e outras que eu sempre agradeço muito por ter uma amiga como você!
É por isso que você sempre está nas minhas orações, no meu desejo por sucesso, saúde, felicidade e amor.
Que esse seu 21º ano seja repleto de realizações, aprendizados e experiências incríveis e inesquecíveis. Que você continue sempre sendo essa pessoa inteligente, esforçada, batalhadora, essa Mulher com M maiúsculo, que batalha e sempre batalhou muito pelo que sempre quis. Continue batalhando, que você está no caminho certo para o sucesso.

Mas, se você permite que eu dê um conselho de amigo, permita-se sonhar mais. Tire os pés do chão só um pouquinho. Isso faz um bem danado!

Se um dia fui duro com você, não foi por mal. Se um dia te feri por algo que eu disse, não foi de coração.
Mas se um dia eu te agradeci por tudo que vivemos juntos e te elogiei, por sua inteligência, por seu talento, pelo seu esforço e sua beleza, saiba que foi com toda sinceridade e gratidão que tenho dentro de mim.
Para você, minha melhor amiga, feliz aniversário.

Lucas Conrado

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Por que torcemos?

Mudei de cidade
Mudei de partido político
Mudei de religião e ao catolicismo voltei
(...)
Eu só não mudei de time. Faça sol, faça chuva, anoiteça ou amanheça, na alegria e na dor, eu só não mudei de time.
Roberto Drummond - Amor em preto e branco


Sempre me perguntei por que idolatramos um time de futebol. Tentando racionalizar, não ganhamos nada quando nosso time vence. Não perdemos nada quando nosso time é derrotado. Ainda assim, nosso domingo pode ser salvo com uma vitória ou podemos passar a semana mal-humorados após uma derrota. Pessoas terminam relacionamentos pelo futebol. Se matam pelo futebol. Viajam centenas de quilômetros e gastam grana preta por um time de futebol. Na hora do gol, pessoas desconhecidas se abraçam como grandes amigos. A pergunta que não cala: Por quê?

Hoje, vindo para casa, passei numa livraria e comprei o livro "Bilhões e Bilhões" de Carl Sagan. No livro, o astrônomo fala sobre diversos temas, desde a possibilidade de existência de vida em Marte até aquecimento global, quase 10 anos antes de o tema cair nas graças da grande mídia. No terceiro capítulo "os caçadores de segunda-feira à noite", Sagan se propõe a explicar justamente por que milhões de pessoas torcem por um time.

As Olimpíadas surgiram na Grécia Antiga como uma alternativa pacífica à guerra. Ao invés de se degladiarem num campo de batalha, os homens gregos passaram a disputar quem era mais apto em diversas categorias, muitas delas, simulações de aspectos do campo de batalha. Por exemplo, arremesso de dardo, corrida, arco e flecha e as lutas num geral. Os homens com melhor pontaria, força no braço e maior velocidade eram, teoricamente, os mais aptos ao campo de batalha.

Hoje, os esportes não têm essa conotação, pelo menos não tão claramente. Mas eles nos despertam uma sensação de união, de civismo e, em muitos casos, de identificação com uma cidade ou com um povo, especialmente nos Estados Unidos, onde cada cidade tem seu time de futebol americano, basquete e beisebol. No Brasil, onde as principais capitais têm 2 ou 4 times grandes e a mídia colabora muito para a construção da torcida de alguns times no país inteiro, essa sensação de identificação com a cidade/estado é menor, mas não é inexistente.

Vamos ao Sul do Brasil. Sem querer esteriotipar, mas já esteriotipando, o gaúcho é muito ligado a seu estado. Quando o Grêmio ou o Internacional entra em campo contra um time de fora do estado, surge em muitos torcedores a sensação de que é o Rio Grande do Sul contra alguém de fora. Me lembro da narração de um gol do Inter na Libertadores da América, onde o narrador gritava a plenos pulmões que era um gol do estado. Tem como não dizer que o time pode representar um povo? Há ainda aquela situação onde uma equipe chega à final de uma competição internacional, como a própria Libertadores, e muita gente, que torce por outros times, torce por ela durante aqueles 105 minutos. Afinal, como diria Galvão Bueno "É o Brasil em campo!"

A vontade de torcer vem da nossa necessidade de estarmos envolvidos numa vitória em uma "batalha", mesmo que isso não nos provoque esforço ou cansaço. É um resquício da época em que nossos ancestrais precisavam caçar e trabalhar em equipe para sobreviver. Aqueles que caçavam, passavam seus genes mais a diante e, milênios depois, chegamos nas torcidas de futebol, vôlei, basquete ou seja lá que esporte for.

Claro que aqui dei uma pincelada no tema, com uma explicação muito superficial. Sem querer fazer propaganda, caso queira saber sobre o tema mais profundamente, dê uma olhada no livro. Se é verdade ou não, eu não sei, mas é muito interessante.
Lucas C. Silva

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

aB dB

Semana passada, eu procurava uma foto específica, com uns amigos da faculdade. Não lembrava exatamente de quando a foto era, sabia que era de meados de 2009 ou 2010. Foi aí que me peguei pensando algo que ando pensando muito nos últimos tempos:

"Quando a gente tirou essa foto, eu já conhecia a B. Então a foto é de depois de junho de 2009."

Apesar de saber que meu relacionamento com a B. terminou de uma forma que não tem volta, apesar de hoje não sentir nada por ela (além daquele carinho que temos por nossos amigos), ela ainda é um parâmetro para minha vida. Um parâmetro temporal, mas um parâmetro. Vários acontecimentos da minha vida nos últimos anos são marcados por essa pergunta. "Quando eu fiz isso/ fui nesse lugar/ ouvia essa música, eu já conhecia a B.?". Ou pelo pensamento "Cara, da última vez que eu fiz isso/ fui nesse lugar/ ouvi essa música eu ainda não conhecia a B.!"

Sou um romântico inveterado, confesso. Tenho uma certa facilidade para me apaixonar. Mas nunca antes eu tinha dividido minha vida entre antes e depois de uma paixão. Claro que o que eu tive com a B. é diferente do que eu tive com as outras garotas. Estará aí o motivo de eu ter dividido minha vida em aB e dB?


Querendo embasar essa filosofia de buteco e dar uma de pseudo, vou  botar um teórico na história. Segundo Quezé (um sociólogo francês, se eu não me engano - joga no Google), um acontecimento é algo que abre possibilidades de futuro e muda a leitura do passado. Por exemplo, o 11 de Setembro mudou a história e, ao mesmo tempo, fez os especialistas em segurança perceberem uma série de erros de segurança que cometiam antes. Em resumo, mudou o futuro e a leitura do passado.

Passando para um exemplo menos trágico, o simples fato de eu ter conversado com a B., transformou todo o meu futuro. Desde o relacionamento que tivemos até o fato de eu ter conhecido a neve foi uma decorrência de falar com a B. Além disso, conhecer a B. mudou minha leitura do passado. Pelo menos do fato de ter conhecido a B. ou não quando os eventos aconteceram.

Bem, é isso. Não sei se falei, falei, falei e não falei nada, ou o quê. Só sei que queria compartilhar com alguém essa mania estranha que eu adquiri nos últimos tempos.

Até breve!

Lucas C. Silva

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Sobre amizades de um dia e meninas bonitas no metrô

Onde estão
Todas as crianças
Todas as pessoas
Que eu já chamei
Que eu procurei aqui
E que eu tanto amei?
Onde estão meus irmãos?
Onde estão?
(Samuel Rosa, Nando Reis - Onde Estão?)

Fim de expediente, hora de ir pra casa. Entro no ônibus com umas outras 30 pessoas e, no meio de toda essa gente, alguém em especial me chama atenção. Ela é loira, ou morena. Alta ou baixa. Seus olhos são verdes, azuis ou castanhos. A pele é morena, ou é clara. Ela é linda! Eu, bom nerd e metido a fotógrafo, fico apenas a olhá-la de longe, meio voyeur, tentando pescar cada detalhe de seu belo rosto. Então ela dá sinal, desce do ônibus e some da minha vida para todo o sempre. Em dois dias, já a terei esquecido.

Fila longa. No mercado, no aeroporto, no posto de saúde, no banco ou no parque de diversões. A pessoa a sua frente, de repente, começa a conversar com você. Sobre o dia quente, ou frio. Sobre o tamanho absurdo da fila. Sobre o jogo de domingo, ou a corrida de Fórmula 1. Sobre a vida, o universo e tudo mais. Surge uma afinidade entre você e a pessoa, mas, de repente, a fila termina. Cada um segue seu caminho sem sequer, em muitas das vezes, se lembrar da existência da outra pessoa. Talvez, se houvessem trocado contatos, poderia surgir ali uma grande amizade. Ou um amor pra vida inteira. Uma parceria que mudaria a humanidade? Talvez...

Sempre que vejo uma garota bonita no ônibus, ou que converso com alguém numa fila ou numa viagem, quero (e guardo esse desejo para mim) de saber mais sobre a pessoa. Gostaria de saber qual é o nome dela, onde vive, quais são os gostos em comum comigo, para onde vai e, em alguns casos, onde foi parar depois de todos esses anos? Será que as pessoas que conheci ainda estão vivas? Ainda estão no Brasil? Se lembrarão de mim caso os veja? E eu, me lembrarei delas?

Estou escrevendo isso porque uma grande amiga minha foi ao Chile, Peru e Bolívia em julho e disse que conheceu várias pessoas que ela nunca mais encontraria, mas que gostaria de saber mais sobre elas. Justamente o meu "drama". Quantas delas a minha amiga se lembrará no mês que vem? E no ano que vem, quantas dessas pessoas ela se lembrará de rosto, ou de nome? E eu, quantos amigos de um dia só e meninas lindas do ônibus ainda me lembro? Se forem 5, são muitos. E ainda assim, mal lembro dos rostos deles.

E você? De quantos se lembra?

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Antônia, a rua e o conto

Após algumas postagens, a Tássia Veríssimo volta ao Meus Pensamentos, dessa vez com um conto. Nossa amiga, que tem sobrenome e talento de escritor  está concorrendo no prêmio Eu Amo Escrever, da loja Cantão. Os vencedores terão seus textos publicados.

Leiam o texto com carinho e, se curtirem, CLIQUE AQUI para votar na Tássia! É só clicar no 5° coraçãozinho! Deem essa força, pessoal!

Antônia, a rua e o conto
Por Tássia Veríssimo

Subindo a rua que dava para seu apartamento na zona norte do Rio de Janeiro Antônia ia pensando sobre a ideia antiga, e sempre empurrada com abarriga, de voltar a escrever. Voltar era modo de dizer, afinal nunca escreveunada que achasse que valia a pena. Fez uns livrinhos de papel grampeadoquando criança e na adolescência escreveu uma aventura infantojuvenil que sepretendia ser ao estilo Pedro Bandeira, mas que teve como único leitor seu pai.A timidez não permitiu que deixasse mais ninguém ler. O arquivo foi perdidona troca de computador na qual não foi feito back up do texto, o pai acabouperdendo o original em meio a sua papelada e assim morreu a carreira quenunca nasceu de Antônia.

Pensava que de desse modo havia sido toda sua vida, um amontoado de planos inacabados e histórias por contar. O balé que ficou pelo meio, a natação que nunca a conseguir fazer aprender a nadar, as aulas de piano esquecidas na poeira do tempo. Uma sucessão de quases e de projetos que não deram em nada.

Vinte e três anos, recém fornada em comunicação, logo ela que tem vergonha até de fazer um telefonema!, tentando um mestrado para falar sobre sei lá o que. Por um tempo pensou que a carreira acadêmica era para ela, mas será que tem talento para dar aulas? Será que quer dar aulas?

O que Antônia quer? Pensava consigo mesma se referindo a ela própria à moda Pelé, em terceira pessoa. Ia tão absorta em seus pensamentos que tropeçou em uma pedra. Não caiu, mas cambaleou. Pensou que toda vida fora assim. Tropeços por sonhar acordada, por viver em um mundo à parte, onde imaginação e realidade muitas vezes se confundiram.

Tantos sonhos! Acreditou por muito tempo que conseguiria abarcar o mundo com os pés. Ser escritora, ter uma livraria pequena e aconchegante, onde crianças fizessem roda para ouvir contadores de história e onde adultos se sentissem à vontade para tomar um café e folhear os livros. Ter sua própria marca de roupas, poder criar modelos, adorava moda, sempre gostou. Escrever livros de sucesso, romances. Viajar o mundo!

Sonhos excludentes? Achava que não. Qual o mal de alguém que goste de literatura também ser apaixonado por moda? Não entendia porque Chanel e Dostoievisk não podiam andar juntos em seus planos.

Acabou em comunicação, que não era nem moda, nem letras. Mas comunicar não fazia muito bem. Seguia a vida, emprego médio, mas agradecia por ter algo com o que pagar a sua metade nas contas do apartamento dividido com outras duas colegas. Fazia cursinho para tentar um emprego público, estabilidade não iria mal, achava que já estava velha para viver com a cabeça nas nuvens. Namorava um cara legal. Escrever ia ficando cada vez mais distante. A vida cada vez mais monótona.

Ficou sabendo de um concurso cultural para contos, focado em jovens autores, com bom prêmio e chance de publicação. Era nisso que pensava ao subir a rua. Uma chance de escrever, quem sabe ser publicada, talvez uma oportunidade de sair da inércia na qual sua vida havia se transformado.

Nesse momento, ao cruzar a portaria percebeu que a menina que desenhava e escrevia livros em papel ofício, com páginas grampeadas e vendia para a família ressurgiu. Seus os olhos castanhos brilharam. Chegou ao apartamento. Décimo oitavo andar. Ligou o computador. Tela em branco. A vida em branco. Teve então a certeza que todos os sonhos do mundo caberiam ali. Se sentiu feliz como há muito tempo não se lembrava de ser.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

CHI CHI CHI LÊ LÊ LÊ! VIVA CHILE!!! (parte 1)

Acordo numa manhã de quinta-feira, após viajar mais de 14 horas. Tiro os cinco cobertores pesados de cima de mim e vou caminhando até a janela. Abro a cortina e olho para fora. Árvores secas ou repletas de folhas avermelhadas, uma arquitetura diferente daquela que estou acostumado e o mais impressionante, no horizonte, sobem montanhas. No topo das montanhas, lá está ela. Branca, fofinha e gelada: NEVE! Não estava sonhando, eu estava acordado... Em Santiago do Chile!

Amanhecer em Santiago, a partir do quarto onde fiquei
Após todo estresse pré-viagem causado pelas cinzas do Vulcão Puyehue e o estresse durante a viagem causado pela hospitalidade e educação dos funcionários do Aeroporto de Buenos Aires, o negócio foi relaxar e aproveitar os dias que tinha no Chile. Logo na chegada ao país, a estonteante visão da Cordilheira dos Andes que, mesmo durante a noite, aparece como um gigantesco tapete cinza sob seus pés, algo lindo e inesquecível.
 
Santiago é a cidade onde passei mais tempo, e que conheci melhor. Não que eu tenha conhecido muita coisa, afinal um dia não é suficiente para se aproveitar tudo que a capital chilena tem a oferecer. Até por isso, vou me focar mais nas impressões que a cidade dispertou em mim do que em dicas de lugares para visitar.
 
Santiago vista desde o Cerro San Cristóbal
 Logo de cara, o que chama atenção em Santiago é a segurança. A região metropolitana conta com 7 milhões de habitantes, mas com pouquíssimos casos de assalto. Tanto que eu e a Bruna (amiga minha que está fazendo intercâmbio no Chile) andamos por algumas ruas escuras do Centro, com câmera na mochila, muito mais tranquilamente que andaríamos por ruas semelhantes no Rio de Janeiro, ou em Belo Horizonte. Assaltos são raros em Santiago, mas a criminalidade está presente. No Chile, é muito comum a ocorrência de furtos, batedores de carteira são, pelo que dizem por lá, comuns. Por isso, é bom evitar carregar carteira no bolso das calças, porque os caras são mão leve mesmo. Eu, sempre que podia, levei a carteira, celular e outros documentos importantes no bolso interno do casaco. Ainda assim, não tive o menor problema quanto a segurança.
 
Bem, mas falando de coisas boas, Santiago tem várias curiosidades e coisas a serem observadas. As ruas são limpas e as calçadas amplas. Não vi nenhum mendigo, pouquíssimos vendedores de rua (na verdade, acho que não vi nenhum), mas a cidade é lotada de cachorros de rua. Aí que vem a parte interessante e engraçada. Os cães são, muitas vezes, de raça. Os chilenos não se espantam ao ver Huskies, Pastores-alemães, Cockers ou mesmo Labradores andando pelas ruas. Claro que há o bom e velho vira-lata nas ruas de Santiago, mas a quantidade de cachorro de raça (e bonito) nas ruas chilenas é impressionante. Os cães são mansinhos e sabem fazer como ninguém cara de cachorro sem dono, para derreter nosso coração de turista. Não só o nosso, mas dos santiaguinos também. Isso porque muitos dos cachorros de rua são agasalhados! Sabe aquelas roupinhas de cachorro que brasileiros compram para seus pets? Então, lá, elas são dadas a cães de rua, assim como cachecóis(!).
 
Pombos gordos do Chile
Falando ainda em animais, os pombos santiaguinos são impressionantes. Eles são bem maiores que os brasileiros, muito provavelmente, para combater o frio de -1.2°C que fez em Santiago, nos dias que estive por lá. Não sei se eles são mais gordos ou se tem as penas mais estufadas, mas eles são maiores, mais cheios do que os pombos daqui. Além disso, são mais corajosos. Desconfio que o pessoal do Chile não os persiga, por isso, quando você passa por eles, eles apenas saem do caminho, mas não se afastam das pessoas. Sendo politicamente incorreto, chutar um pombo em Santiago não é difícil. Não que eu tenha tentado.
 
Em questão de transporte, o Chile tem coisas muito boas e também coisas... peculiares. Começando pelas peculiares, viajei para El Quisco (Isla Negra), Viña del Mar e Valparaíso de ônibus (vou falar sobre essas cidades na próxima postagem). Segundo a Bruna, as passagens de ônibus de viagens não têm um preço fixo, como no Brasil. Varia de acordo com o horário e a procura pela viagem. Saca a Lei da Oferta e da Procura? É ela que rege os preços das passagens chilenas. Ainda assim, são muito baratas. Por exemplo, de Santiago a Isla Negra a passagem custou uns 10 reais. Belo Horizonte a Divinópolis (MG), que dá quase a mesma distância, as passagens não saem por menos de 30. Quando você embarca no ônibus, repara numas televisõezinhas no teto. Nas viagens costumam ser exibidos filmes ou DVDs de clipes musicais. Indo de Isla Negra para Valparaíso, fomos obrigados a assistir em loop um DVD chato pra caramba de músicas dos anos 90 remixadas. Já de Viña para Santiago, a empresa exibiu o filmaço Peixe Grande, com Ewan McGregor. Pena que a viagem acabou antes do filme.
 
Dentro de Santiago, você pode se transportar via ônibus e metrô. Nos ônibus, você não paga com dinheiro, apenas vale-transportes e, ao que parece (não peguei ônibus), você paga para entrar no ponto e não para entrar no ônibus, no melhor estilo Curitiba (se eu estiver errado, me corrijam). Já o metrô é um espetáculo a parte. Cinco linhas cortam Santiago, te levando para qualquer lugar da cidade. O metrô, curiosamente, tem pneus no lugar das rodas de metal que vemos por aqui. Não são todos os trens, mas a maioria que peguei são com pneus. Entre uma composição e outra, o tempo de espera é menor que um minuto. Para quem está acostumado ao metrô demorado e mal administrado do Rio de Janeiro, o sistema de Santiago é de deixar de queixo caído.

Se locomover pela cidade não é difícil. Como eu disse, o metrô te leva a todos os pontos da cidade (mas são muitas estações, você vai perder um tempo tentando bolar o melhor caminho para chegar do ponto A ao ponto B). Caso fique perdido, peça ajuda aos chilenos, que vão te responder com a maior simpatia (aprendam, argentinos!). O problema é que chilenos falam chilenês. Sabe aquele espanhol basicão que você aprendeu na escola (ou não)? Então, ele não tem a menor utilidade, caso você queira entender um chileno falando. Sério, nossos amigos dos Andes falam outro idioma, mais parecido com klingon do que com espanhol! Mas não tenha medo de usar seu portunhol para pedir para eles falarem mais devagar. Santiago recebe tantos brasileiros que os chilenos já estão acostumados com nosso parco conhecimento da lingua deles. Na verdade, temos um parco conhecimento do Chile.

Terminando o breve (ou não) relato das minhas impressões sobre Santiago, queria comentar sobre a alimentação local. Logo de cara, no meu primeiro café da manhã, fui apresentado ao Aji. Ele tem a aparência de um molho de tomate, mas é MUITO apimentado. Sério, poucas vezes na vida comi algo com tanta pimenta! Queima a língua, queima a garganta, queima tudo! Mas é muito bom! Trouxe um vidro para o Brasil e já me acostumei com o sabor, conseguindo comer hoje um pouco mais do que a minúsucula gota que comia no meu primeiro dia no Chile.
 
No Chile, tive a oportunidade de experimentar o Mote con Huesillos. É uma espécie de pêssego em calda com grãos de trigo. Muita gente adora, mas eu achei meio sem graça. Você que procura algum salgado gostoso para encher a barriga, pode correr atrás das famosas Empanadas. É uma massa de trigo fina e assada, com um recheio dentro. Pode ser carne, queijo, frango, camarão, peixe, etc... Existe para todos os gostos, vale a pena demais experimentar! Outra boa pedida é a (supalpilla - não sei como se escreve). É uma massa redonda frita, lembrando muito massa de pastel, onde você joga alguma coisa por cima e come. Essa coisa pode ser catchup (que é um pouco mais salgado que o brasileiro), mostarda, maionese (que é bem amarelada, mas o gosto é o mesmo), Aji ou seja lá o que for. Esse salgado é vendido na rua, em pequenos traileres, estilo os de churros no Brasil.

Cachorro quente com abacate!
Agora, pra fechar o texto, que ficou gigante, vamos falar da coisa mais bizarra na culinária chilena: O completo con palta. Em bom português, cachorro quente com abacate! A cara que você deve estar fazendo agora é a mesma dos latino-americanos ao descobrirem que comemos abacate com açúcar. Sim, no restante do continente, abacate se come salgado, inclusive no cachorro quente. A primeira vez que comi, detestei, mas porque o abacate estava meio estragado, segundo a Bruna. Dei uma segunda chance para a palta e comi num hamburguer e, vou te falar, não é ruim não! É diferente, meio estranho, mas é gostoso! Recomendo que experimentem!
 
O texto ficou gigante e nem falei de tudo. Farei mais postagens nos próximos dias!

Buenas noches, weones!

Lucas C. Silva

terça-feira, 14 de junho de 2011

Havia um vulcão no meio do caminho...

Passagens aéreas compradas. Hospedagem e transporte desde o aeroporto combinados. Roupas escolhidas, dinheiro trocado na casa de câmbio, malas já separadas. Até um corte de cabelo providencial e um cartão de memória maior para caber as músicas e os Nerdcasts no celular naquela que deve ser minha primeira viagem internacional... De repente, um vulcão.
É notícia nos jornais, é noticia nos sites, é comentado nas redes sociais. Depois de 51 anos adormecido, o Vulcão Puyehue decide acordar a menos de duas semanas para minha viagem ao Chile, dando um nó no espaço aéreo da América do Sul (e agora da Austrália e Nova Zelândia)! Aeroportos do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile fechados, gente dormindo no aeroporto, todo aquele inferno que os europeus enfrentaram recentemente quando o vulcão islandês decidiu acordar, os sul-americanos estão experimentando nos últimos 10 dias.
Como eu estou nisso tudo? Apreensivo e com raiva. Pô, primeira viagem internacional, querendo reencontrar uma grande amiga que eu não vejo desde o carnaval, querendo conhecer a neve, o Oceano Pacífico e viajar de avião por aí, de repente aparece uma merda dum vulcão pra estragar tudo? Sério, que que eu (e metade dos viajantes internacionais da América do Sul) fiz(emos) pra merecer uma coisa dessas?!
Sabe o que mais me irrita nessa história? É que hoje, os voos para Buenos Aires foram cancelados, mas pelo que li nos portais de notícias, o aeroporto de Santiago não está sofrendo interferência. Até porque o Puyehue está lá no sul do Chile e a nuvem de cinzas foi desviada a centenas de quilômetros da capital chilena. Santiago está livre, mas Buenos Aires não. E o que isso significa?
A Gol não faz voos diretos do Brasil para Santiago. Faziam até algum tempo atrás e estão querendo refazer, mas hoje não fazem mais essa rota. Se você quiser ir até Santiago, por exemplo, do Rio de Janeiro, ou Belo Horizonte, terá de fazer conexões em São Paulo e Buenos Aires. Como eu disse acima, parece que os voos direto para Santiago estão normalizados, mas para Buenos Aires não. Quer dizer, então, que por causa dessa conexão (que eu NÃO QUERIA fazer) posso perder minha viagem pro Chile? É isso mesmo?
Sério, eu não faço a menor questão de ir para a Argentina. Não agora! Meu primeiro e único objetivo é Santiago. Se eu pudesse escolher, voaria direto para lá. Se não tem jeito, topo fazer uma conexão em La Paz, Lima ou qualquer outra capital ao norte. Só não quero é perder uma viagem que estou esperando ansiosamente há quase dois meses por causa de um maldito vulcão e de uma droga de conexão que eu não faço a menor questão de fazer!

Enviei um e-mail para a Gol perguntando isso. Se, por causa de uma conexão, eles podem cancelar o voo. Assim que responderem, faço um update nessa postagem...

UPDATE: A Gol não respondeu o e-mail, mas o sistema de atendimento deles via telefone é eficientíssimo e confirmaram que, caso o Aeroporto de Buenos Aires esteja fechado,o voo para Santiago estará cancelado. É isso aí, o negócio vai ser torcer!

Lucas C. Silva

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Skank 20 anos - o relato de um fã

Meados de 1996, 1997. Eu, com meus 7, 8 anos, estou brincando na casa de uns amigos da família em Guarulhos, Grande São Paulo, numa festa de aniversário. Lá pelas tantas, está tocando uma "música de adolescente", que não me atrai muito. A música estourava nas rádios naquela época, falava de uma moça num vestidinho preto indetectível. Só lembro da minha mãe me falando, sempre que essa banda tocava "Eles são de lá de Minas!" e eu pensava "e daí?". Mal sabia que minha reação ao ouvir falar de Skank mudaria tanto nos próximos anos...

Foto de Weber Padua - Pauta Comunicação

O tempo foi passando e eu fui moldando meu gosto musical. E o Skank sempre esteve entre minhas bandas favoritas. Até porque, foi uma das mais presentes durante toda minha infância e adolescência. Fosse na televisão (não esqueço do clipe de Resposta tocando nos créditos finais do programa da Eliana, na Record), nas trilhas sonoras das novelas, nas rádios ou mesmo com o CD MTV Ao Vivo em Ouro Preto, que já deve ter tocado em casa e no carro da família umas 42 milhões de vezes, fui crescendo e gostando cada vez mais do Skank.

Mas era aquela. Até meados de 2009, só conhecia os hits das rádios mais as músicas dos CDs Ao Vivo em Ouro Preto e Radiola. Foi só quando conheci uma grande amiga minha, também de Minas, que comecei a, incentivado por ela, procurar o resto do trabalho da banda. E foi aí que virei fã de carteirinha mesmo. Há todo um universo musical de letras, melodias e ideias que eu explorava, com cada vez mais vontade. Os primeiros trabalhos foram surgindo, músicas que eu não lembrava foram sendo redescobertas e listas das preferidas foram se alternando a medida que eu (re)descobria novas. E, quando eu menos percebi, estava no Mineirão com essa grande amiga minha, assistindo à gravação do terceiro DVD da banda. Uma experiência inesquecível!

CD, DVD e ingresso do show no Mineirão. Fui, vi e ouvi! - foto de Lucas C. Silva

Mais do que listas de preferidas, as letras do Skank fizeram parte trilha sonora da minha vida nos últimos 3 anos. Desde o namoro que começou ao som de Sutilmente e terminou ao som de Os Exilados até aquela inesquecível noite em que meus amigos e eu viemos da Barra da Tijuca a Botafogo cantando Resposta, É Uma Partida de Futebol, Três Lados entre outras, elas estiveram presentes, me fazendo rir e chorar. Hoje estou na expectativa do Rock in Rio, com meu ingresso de 1º de outubro bem guardadinho aqui em casa. Loucura pagar 95 reais para ver uma banda brasileira? Pode até ser, mas quem disse que fã é normal?

Samuel, Haroldo, Lelo, Henrique e todos aqueles que construíram o Skank, parabéns pelos 20 anos de sucesso. Que sejam os primeiros de muitos outros tantos que virão aí pela frente.

Grande abraço!

Lucas C. Silva

sábado, 14 de maio de 2011

Si vas para Chile

Chile. Para mim (e para 95% dos brasileiros que tem um mínimo de noção de geografia) sempre foi aquele pais esticado ocupando quase toda costa oeste da América do Sul. Um dos únicos países que não faz divisa com o Brasil (o outro é o Equador). O país, cuja capital é Santiago, recebeu muitos brasileiros que escaparam da Ditadura por aqui, mas que tiveram que fugir quando Augusto Pinochet promoveu seu golpe militar por lá, num 11 de setembro (ô data!) de 1973. É conhecido pelos Andes, pelos vinhos e cobre, pelo Atacama (deserto mais seco do mundo), pelos terremotos, pelos Sobreviventes nos Andes (clássico do Corujão da Rede Globo) e pelos 33 mineiros que ficaram presos em Copiapó no ano passado.
Tirando o que a gente ouve nas aulas de Geografia (Qual é a capital do Chile? Quem nasce no Chile é o quê? Que país na América do Sul não faz divisa com o Brasil?) o contato mais marcante que tive com o país vem de um tio meu que trabalhou por lá durante algum tempo (e me trouxe duas fotos do país), e do livro Meninos Sem Pátria, da coleção Vaga-Lume. No livro (de onde tirei o título dessa postagem), uma família de brasileiros se refugia na terra de Neruda, fugindo da nossa ditadura militar e, de lá, vai para Paris, fugindo de Pinochet. Também me lembro de dois nomes ao ouvir falar de nossos vizinhos, Salas e Zamorano, dois jogadores da Copa do Mundo de 1998. Por que lembro deles? Não sei. Por que estou falando do Chile? Porque este é o primeiro país que vou visitar, daqui a aproximadamente um mês (dependendo de quando você ler isso, eu posso estar por lá, ter voltado ao Brasil ou mesmo ter voltado ao Chile).
Desde que uma grande amiga minha foi para lá, graças ao intercâmbio, estava quase certo de que eu visitaria o país, a princípio, para fazer um mochilão. A viagem duraria duas semanas, saindo de Santiago, para só Deus sabe onde... Mas, por problemas de prazos e destinos, acabei antecipando a viagem em um mês. E que mês demorado! Parece que, desde que comprei as passagens, passaram-se 2 anos! E parece que tem mais 10 anos até o dia 22 de junho!
O que espero do Chile? Primeiro, um país muito bonito. O que andei lendo e vendo sobre o lugar é animador. Ainda mais considerando que estarei indo em junho, quando as temperaturas em Santiago são mais baixas. Com sorte, encontrarei uma cidade repleta de árvores peladas, telhados brancos e aquele vento gelado que pede um copo de chocolate fumegante. Nevar não neva. Mas chove e a chuva congela. Chuva congelada é, para um brasileiro que nunca saiu do país, neve. Por falar em neve, a imagem dos Andes brancos no horizonte santiaguino (obrigado Google) deve ser fantástico! Eu já acho impressionante a Serra do Curral em Belo Horizonte (literalmente), imagina os Andes! Outra coisa que espero ansiosamente ver é o Oceano Pacífico. Quando você nasce num estado sem mar e ouve as pessoas passarem a vida inteira falando isso para você, molhar os pés num segundo oceano é questão de honra. Mas não é só isso que quero conhecer no Chile. Quero conhecer a culinária local, cultura e costumes. Quero hablar en mi portuñol de mierda com as pessoas que vivem por lá, na medida do possível fazer novos amigos. Quero quebrar pré-conceitos e clichês com o país. Em resumo, estou morrendo de ansiedade para pegar os aviões, fazer a viagem de quase 11 horas (por causa das inúmeras horas gastas em conexões) e finalmente pisar em novas terras!
Mas, nem tudo é festa. Quem nunca saiu do Brasil, nunca lidou com outras moedas e muito menos pisou na neve, tem suas dúvidas. Na verdade, elas se resumem em duas perguntas: 1) Qual é a melhor forma de converter o dinheiro? Vai direto para Peso ou passa pelo Dólar? 2) Como cobrir pés e mãos na neve? Luvinhas de lã que usamos por aqui são suficientes ou precisamos de mais coisas? E para os pés? Vale a pena usar mais de uma meia? Se alguém puder responder...
Bem, eu acho que é isso. Como já disse outras vezes, não sou muito fã desse negócio de blog diário, mas as vezes é bom. Espero voltar a escrever por aqui em breve.

Até mais e obrigado pelos comentários!

Lucas C. Silva

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Tudo que você precisa saber sobre Democracia

Vivemos num país democrático. E como toda boa democracia, o governo deve governar para o povo. É isso que vimos ontem, quando as mesmas pessoas que aprovaram para si mesmas um salário de R$ 26,7 mil, aprovaram o salário mínimo em sobrevivíveis R$ 515!
Abaixo vai o trecho destacado no blog de Domenica Cristina com um dos trechos mais geniais do livro Até Mais e Obrigado Pelos Peixes, onde Douglas Adams explica com a genialidade de sempre, tudo que você precisa saber sobre Democracia.

Após um longo e angustiante momento no qual se ouviram estrondos e resmungos de maquinaria destruída, de lá saiu, descendo pela rampa, um enorme robô prateado, com trinta metros de altura.
Ele fez um gesto, levantando a mão.
– Eu venho em paz – anunciou ele, acrescentando após um longo momento de esforço adicional –, levem-me ao seu lagarto.
Ford Prefect, é claro, tinha uma explicação para aquilo tudo, enquanto assistia Arthur às repetidas reportagens frenéticas na televisão (…)
– Ele vem de uma democracia muito antiga, sabe…
– Você está querendo dizer que ele vem de um mundo de lagartos?
– Não – respondeu Ford que, àquelas alturas, já estava um pouco mais racional e coerente do que antes, tendo finalmente sido forçado a tomar uma xícara de café –, nada tão trivial. Nada assim tipo isso tão compreensível. No mundo dele, as pessoas são pessoas. Os líderes é que são lagartos. As pessoas odeiam os lagartos e os lagartos governam as pessoas.
– Ué – comentou Arthur –, achei que você tinha dito que era uma democracia.
– Eu disse – afirmou Ford. – E é.
– Então – quis dizer Arthur, torcendo para não soar ridiculamente estúpido –, por que as pessoas não se livram dos lagartos?
– Isso sinceramente nunca passou pela cabeça delas – disse Ford. – Como elas têm direito de voto, acabam supondo que o governo que elegeram é mais ou menos parecido com o governo que querem.
– Quer dizer que eles realmente votam nos lagartos?
– Ah, sim – disse Ford, dando de ombros –, é claro.
– Mas, – perguntou Arthur, sem medo de ser feliz – por quê?
– Porque, se deixam de votar em um lagarto – explicou Ford –, o lagarto errado pode assumir o poder. Você tem gim?
– O quê?
– Eu perguntei – disse Ford, com um tom crescente de impaciência estranhando-se em sua voz – se você tem gim.
– Vou ver. Conte-me sobre os lagartos.
Ford deu de ombros novamente.
– Algumas pessoas dizem que os lagartos são a melhor coisa que já lhes aconteceu – explicou ele. – Elas estão completamente enganadas, mas é preciso que alguém tenha a coragem de dizer isso.

Não é a toa que a série O Guia do Mochileiro das Galáxias, na minha humilde opinião, deveria ser leitura obrigatória para se formar um cidadão.

Lucas C. Silva

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Cachorros e pessoas

Sou durão pra filmes, livros e vídeos do youtube. Até hoje, só um filme, um livro e um vídeo me fizeram chorar. O filme foi Up, Altas Aventuras. O livro foi Marley & Eu. E o vídeo do youtube foi esse aqui:




Eu, sinceramente, acho que Deus errou ao criar o ser humano. Mas se redmiu criando os cachorros.

Lucas C. Silva

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

720 Dias com Ela

Depois de seis meses reclamando que faltavam meninas mineiras na minha faculdade, li a seguinte pergunta em algum chat de lá: "Ei, Mineiro, viu que vai entrar uma mineira na faculdade?". Não, eu não tinha visto. Curioso como sou, procurei por ela, e há exatamente dois anos enviei um scrap pedindo para ela me adicionar no orkut.

Ela me adicionou, e do orkut passamos a nos falar pelo msn. Uma conversa despretensiosa sobre apartamentos no Rio de Janeiro, aluguéis, restaurantes universitários e outras coisas a toa. Uma identificação instantânea apesar das nossas diferenças. Eu, atleticano, ela, cruzeirense; eu, na época apaixonado pela minha melhor amiga da faculdade, ela, uma menina que não se apaixonava; Eu, aqui, ela, lá... Uma amizade moderna, mediada por bits, bites, megabites, e uma conexão ruim, uma internet que caía toda hora... Uma amizade com tudo para ficar só na amizade, até porque ela acabou ficando por Minas...

A vida é engraçada, apronta coisas que não podemos (e acho até que assim é melhor) explicar. Separados por 350km fomos nos aproximando cada vez mais. Nos aproximando mais do que de pessoas que convivemos, que moram a poucos quilômetros de nossas casas. No msn, trocamos endereços e telefones. Daí passamos a trocar cartas, ligações e torpedos. Passamos a compartilhar segredos, medos, desejos, alegrias e tristezas. E, sabe-se lá porquê, compartilhamos uma vontade louca de se ver e, por coincidência ou não, trocamos os primeiros olhares, abraços e beijos num 12 de junho...

Não vou mentir. Sou completamente apaixonado por ela. Minha melhor amiga, minha grande companheira, a pessoa que, mesmo estando a 350km de mim (neste momento, enquanto escrevo isso, ela está a uns 700km) sinto sempre comigo. A pessoa que me alegra nos momentos difíceis, me mantem lutando quando estou fraco, que tenta manter meus pés no chão quando voo nos meus sonhos. A pessoa com quem compartilhei os melhores momentos da minha vida, com quem realizei meus sonhos mais secretos, com quem ri as risadas mais felizes e os choros mais sentidos.

Meu bem, do fundo do meu coração, muito obrigado por esses dois anos de força antiga do espírito virando convivência de amizade apaixonada. Sério, obrigado pela sua amizade, pelos bons momentos que passamos juntos, por toda alegria que me proporcionou, por tudo. Muito obrigado por esses dois anos, 24 meses, 720 dias, 17280 horas, 1036800 minutos, 62208000 segundos que passamos juntos, mesmo separados por toda essa distância. Somos amigos? Certamente. Somos algo além disso? Não sei. Seremos algo além no futuro? Talvez... Você me ensinou muita coisa, especialmente que a vida é imprevisível e o mundo da voltas.

Seja feliz sempre.

Um beijo de quem te ama de verdade (no sentido que você quiser entender)

Lucas C. Silva

sábado, 22 de janeiro de 2011

Season Finale

Se minha vida fosse um seriado de televisão, esta noite estaríamos assistindo a mais um season finale. Seria o fim da 21ª temporada, de longe a mais surpreendente e cheia de reviravoltas desde que a série começou, naquele distante 23 de janeiro de 1989...
Se minha vida fosse uma temporada, o episódio de hoje seria daqueles que decepcionaria muitos telespectadores e deixaria tantos outros grudados, esperando pelos episódios da 22ª temporada. Tal qual acontece com os seriados da TV (pelo menos assim imagino, já que não assisto a muitos) o principal enredo, que dá mais sabor à história, permanece em aberto. Sabe aqueles roteiristas sádicos que dão ao público (e ao personagem principal) um gostinho de "OK, agora vai dar tudo certo", mas no finalzinho atrapalha tudo pra manter a audiência? Então...
Que seja, colocando numa balança, a 21ª temporada teve mais surpresas boas do que ruins. Comecei a estagiar, conheci muita gente legal, tive viagens inesquecíveis. Conheci Ouro Preto, comprei minha própria câmera fotográfica, além de toda uma nova gama de boas experiências que tive... Nem tudo foram flores, briguei, adoeci, me machuquei e até pensei em desistir do Jornalismo... não desisti, e aqui estou.
Ah, estou sem inspiração nessa noite (na verdade, nessa semana). Só não queria deixar a data passar em branco. Amanhã começa a 22ª temporada da minha vida e, assim espero, será ainda melhor que as anteriores. Não percam os próximos episódios desta série imperdível!

Lucas C. Silva

sábado, 15 de janeiro de 2011

Uma desabafo ao som do Aerosmith

4:43 da manhã, estou anestesiado. Não, anestesiado não, meu peito dói, dói com força. Dor física, não da alma, essa porra tá doendo, mas, sinceramente, cago e ando. Na verdade, a minha vontade é essa. Cagar e andar pra tudo e pra todos. Mandar o mundo tomar no cu. Chegar segunda-feira, pedir demissão, trancar a matrícula da faculdade, pegar umas roupas, minha D90, botar na mochila e sair por aí sem rumo e sem contato com ninguém.

Sabe, estou cansado de viver em função das outras pessoas. De ficar insatisfeito para satisfazer às outras. De ceder minha cama para visitas, de ter que dormir em lençol quando a visita dorme em colchão. Estou cansado de fazer favor para as pessoas só para que não fiquem insatisfeitas comigo, de segurar na garganta verdades que as pessoas precisam ouvir, para que eu não fique com a fama de rebelde, arrogante ou mesmo idiota. Estou cansado de adiar meus sonhos para realizar sonhos que imaginava ser conjuntos. Estou cansado de nadar contra a correnteza e de lutar sozinho uma guerra que deveria ser de um exército, cansado de carregar o time nas costas.

Sabe, as pessoas não sonham. Não lutam pelo que desejam. Não lutam pelo que acham certo. As pessoas não querem mudar as coisas, querem apenas aparentar que está tudo bem. Uma coisa que já vinha notando havia muito tempo e que só confirmei recentemente é que o problema não é algo estar errado. É as outras pessoas perceberem que tal coisa está errada. E justamente por essa forma de pensar é que as pessoas vem me falar que me exponho muito quando escrevo um texto desses.

Não escrevamos textos assim. Vamos continuar engolindo sapo! Vamos continuar vivendo de aparência. Não dá para mudar o mundo, então vamos nos encaixar nele. Não dá para combater a corrupção, então vamos nos corromper também. Não dá para encurtar distâncias, então vamos viver nos nossos pequenos aquários, pensando que o mundo acaba no horizonte. Vamos continuar acreditando que horizontes são intransponíveis, que o homem não pisou na lua nem vai pisar em marte e que voar é impossível.

É por essas e outras que (nunca disse isso antes) admiro MUITO o meu irmão. O meu irmão que, mesmo aos 19 anos é fã de Paramore, Restart e outras coisas socialmente não muito aceitas, mas que está cagando e andando para que as pessoas pensam. O meu irmão que acreditou que é possível sim ir aos Estados Unidos, batalhou e conseguiu realizar seu sonho. O meu irmão que na última terça-feira realizou o sonho, o meu sonho, de ver a neve! Eu queria ter a força de vontade dele. Eu queria que as pessoas tivessem a força de vontade dele. Eu queria ter a força que ele tem de ligar o foda-se para tudo e para todos para ser feliz. Até porque eu acho que ser feliz deveria ser a lei fundamental, o direito humano mais defendido.

As pessoas pensam (e tentam me fazer pensar) que para ser feliz, você tem que ser bem sucedido. Deve ser o comunicador pica das galáxias com todos os prêmios do universo, morando num apartamento megafoda num bairro superlegal de São Paulo ou do Rio de Janeiro. Quando eu falo que não quero fazer intercâmbio, não quero morar em São Paulo ou no Rio de Janeiro e que quero fazer minha vida lá em Belo Horizonte, com a pessoa que amo, fazendo um trabalho acima de tudo HONESTO (principalmente comigo mesmo) as pessoas me olham estranho. Me olham como um maluco, como alguém que quer aparecer ou, pior, como alguém cômodo, que se contenta com pouco. NÃO, PORRA! Não é isso! Para de tentar de ler minha mente! Para de tentar saber mais de mim do que eu mesmo! Para de falar que eu não amo, que eu sou novo demais, que eu sou inexperiente ou fraco demais para isso ou para aquilo! Antes de me interromper e tentar mudar meus gostos, minha forma de vestir, minha forma de falar, minha forma de enxergar o mundo, tenta me ouvir, tenta saber o que eu quero dizer. PARA DE TIRAR CONCLUSÕES PRECIPITADAS, CARALHO!

Sabe, tudo que eu faço nessa vida, os acertos e erros, as brincadeiras e brigas, o certo e o errado, eu só quero uma coisa: ser feliz. Sou completamente a favor da felicidade por si só. Da felicidade, não importa de que fonte, desde que não prejudique outras pessoas. Você quer ouvir Restart? OUÇA! Você quer amar alguém do mesmo sexo? AME! Você quer largar tudo e viver numa cidadezinha isolada do mundo no pé da Serra do Cipó? FAÇA ISSO! Seja feliz sempre!

Mas não pense que os obstáculos são intransponíveis. Não pense que distâncias são impercorríveis (se é que existe essa palavra). Não enxergue a metade vazia do copo. Pare de se derrubar e de derrubar as outras pessoas. Lute, acredite, sinta a Força fluir! E, acima de tudo, seja honesto consigo mesmo, ame-se mais do que ama as outras pessoas.

Se amar acima dos outros não é egoísmo. É sobrevivência.

São 5h09 da manhã e tenho que dormir. Mesmo sem o menor sono.

Lucas C. Silva

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Filmes: Você vai conhecer o homem dos seu sonhos

Fãs de Woody Allen, por favor, não desistam do texto no lead.

Vou confessar uma coisa aqui: Até essa semana eu nunca tinha visto nada do Woody Allen. E, pasmem, eu nunca tive o menor interesse em ver qualquer filme dele. Meus amigos estavam trocando e-mails combinando de assistir a um filme do Allen e, como respondi, a princípio "filme com Woody que quero ver é apenas Toy Story". Seja como for, no meio da conversa eu, sem dar muita atenção ao que eles diziam, falei que queria ver o novo filme com a Freida Pinto (a apaixonante atriz indiana, famosa por interpretar Latika, em Quem Quer Ser Um Milionário?) e, para minha surpresa esse filme era justamente o que eles estavam combinando de assistir. Foi assim que, fui parar numa sala de um cinema cult aqui perto de casa para assistir ao Você vai conhecer o homem dos seus sonhos (You will meet a tall dark stranger - EUA/Espanha 2010)

Além da lindíssima Freida Pinto, a comédia escrita e dirigida por Woody Allen conta com um elenco de peso como Anthony Hopkins, Antonio Banderas, Naomi Watts, Gemma Jones, Josh Brolin entre outros.

O filme conta três ou quatro histórias paralelas, que giram ao redor de Roy (Brolin) e Sally (Watts), um casal londrino que está se separando. Numa série de encontros e desencontros, Sally se apaixona por seu chefe (Banderas), que é casado. Enquanto isso, Roy, como aconteceria também comigo, se apaixona pela vizinha da frente (Freida) que está com o casamento marcado.

Os pais de Sally se divorciam, sendo que o pai (Hopkins) decide se tornar um playboy e se envolve com uma profissional do sexo, enquanto a mãe tenta se tratar ouvindo uma cartomante charlatã. Para além dessas histórias de amores e desamores, existem várias outras paralelas, como o fracasso de Roy como escritor e, o que eu falar além disso será spoiler.

Apesar de uma comédia romântica exibida num cinema cult não ser o meu estilo preferido de filme, saí da sala satisfeitíssimo, entendendo por que as pessoas gostam tanto de Woody Allen. A história, cheia de reviravoltas é interessante, as atuações são muito convincentes, a trilha sonora, uma reinterpretação instrumental de músicas superconhecidas, ficou superinteressante. Se o filme agradou até blockbusteriano que foge de filmes cult como eu, ele deve ser muito bom.

Recomendo!

Ah, e claro, também gostei do filme, em especial, por causa dela:
Aiai, eu quero ser um milionário...

Lucas C. Silva

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O segredo para voar

O avião já se encontrava na altitude exata, a porta estava aberta, o chão lá embaixo e eu, sem pensar duas vezes, saltei no infinito. A gravidade começou a me puxar cada vez mais rápido, a medida que o chão se aproximava. Era para ser um salto normal, não fosse um pequenino detalhe: eu estava sem paraquedas.
Sim, saltei do avião sem paraquedas. O chão ainda estava distante, mas se aproximava cada vez mais rápido. O impacto seria doloroso e, muito provavelmente, me mataria. Mas, sabe duma coisa? Eu não estava preocupado. O frio na barriga, a adrenalina da queda eram mais fortes que qualquer preocupação. O prazer da queda era maior que a certeza da morte.
Feliz, despreocupado, querendo aproveitar o máximo possível daquele sentimento vertiginoso, fechei os olhos. O chão ia chegar, eu ia me arrebentar em um milhão de pedaços, mas pouco importava. Fechei os olhos, mergulhei de cabeça e fiquei esperando o chão chegar.
Esperei, esperei, esperei... Não era possível! O chão já deveria ter chegado, mas ele não veio. Ou será que veio, eu já morri e nem percebi? Não. estou vivo, posso sentir, mas o que aconteceu? Abro os olhos e descubro o que está acontecendo: estou voando!
O senso comum diz que uma pessoa voar sem uma máquina preparada para isso é impossível. E é por isso que as pessoas caem e morrem. Elas não acreditam no "impossível". Elas simplesmente dizem que voar é algo distante do ser humano, mesmo que estejam voando. E, a quando pensam que o que estão fazendo é impossível, a coisa realmente passa a ser.
É por isso que eu digo: Continue acreditando no "impossível". Continue acreditando que você pode voar. Enquanto você tiver esse pensamento, o voo continuará acontecendo. Mas, a partir do momento em que você abrir os olhos no meio das nuvens e não acreditar que aquilo é possível, você cai.

E às vezes, leva alguém junto de você na queda.

Ah, a ideia apresentada aqui de como voar, não tirei da minha cabeça, mas da série O Guia do Mochileiro das Galáxias, que recomendo a todos vocês!

Lucas C. Silva

domingo, 9 de janeiro de 2011

Quando ir a Belo Horizonte significava ir a Belo Horizonte

Era uma vez uma cidade, e um garoto que amava essa cidade. Amava a distância, mais idealizando do que vivendo a cidade. Amava mais ainda nas raras visitas que fazia, geralmente nas férias de fim de ano quando, se muito, passava uma semana. E que semana...
Dividia os dias entre passeios no centro, partidas intermináveis de Medal of Honor regada a Coca-Cola e cachorro-quente até duas ou três da manhã e idas ao estádio de futebol para ver seu time do coração jogar. Uma vida boa, apesar de tudo. Acordar cedo e olhar a serra pela janela, ouvir o silêncio do bairro durante a noite, sentar no quintal, olhar o céu bastante estrelado para uma capital brasileira, pensando nos amores impossíveis, que deixou no Rio...
Mas, eis que, de uma hora para outra, o rapaz se apaixona por uma menina que mora ali. E ela também se apaixona por ele. E ele passa a ir àquela cidade para se encontrar com ela. Tudo se torna ainda mais bonito, a montanha mais verde, a lagoa mais brilhante, o céu mais estrelado... os programas mudam. Sai o PlayStation, entra o cinema. Sai o cachorro quente, entram os jantares a dois. Sai o estádio de futebol, entram os museus. E assim a relação do rapaz com a cidade se transforma.
A partir de então, quando ele ia à cidade e não a encontrava, nada mais tinha graça. As partidas de Medal of Honor (e Black, como posso me esquecer?) já não têm tanta graça, o cachorro-quente com Coca-Cola da madrugada lhe causa azia, os passeios pelo centro da cidade o faz pensar na presença ausente da menina amada, é assim que a cidade se transforma... (Claro, só as idas ao estádio para ver o alvi-negro jogar que não perdem a graça nunca!)
Mas é engraçado... nessa noite, enquanto o rapaz escreve seus pensamentos, ele sente falta da cidade que aprendeu a amar antes de amar a menina. Não, isso não quer dizer que ele não queira mais encontrá-la (a menina), ou deixou de amá-la, muito pelo contrário. Ele está louco para reencontrá-la lá ou aqui. Só bateu uma nostalgia dos tempos que ir a Belo Horizonte significava ir a Belo Horizonte, e nada mais...



Ah, essa nostalgia bateu quando ouvi Eu disse a Ela, do Skank, música que descobri numa vez que fui a BH para encontrá-la, mas que pra mim tem gosto da BH das antigas!

Lucas C. Silva

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sobre Einstein, Ouro Preto, italianos e um amor que só eu não sei que não sinto.

2:41 da madrugada de sexta-feira. A semana demorou um mês pra passar. Sabe quando você espera sua vida toda por algo e, a medida que ela vai se aproximando, mais o tempo demora a passar? Pois é...

Li, certa vez, o básico do básico da Teoria da Relatividade de Einstein. Ela diz que, quanto mais rápido você se move nas três dimensões (altura, largura e profundidade), mais devagar você se move na quarta dimensão, o tempo. Até tem uma explicação razoável para isso, mas é longa demais pra um blog não científico! A questão é, sim, Einstein estava certo, o tempo é relativo. Minhas manhãs de segunda e quinta passam numa lerdeza incrível enquanto que, para outras pessoas, pode passar numa velocidade incalculável. O que determina a velocidade do tempo é sua ansiedade, a vontade que você tem de não estar ali. Aulas de filosofia e a vontade de viajar para Minas fazem meus relógios quase girarem em sentido anti-horário.

2:48. Olha o tanto que escrevi em tão pouco tempo para os relógios. Amanhã, uma hora dessas (talvez quando você estiver lendo esse texto é "hoje", ou "ontem" ou "mês passado") visitarei (visitei) pela primeira vez Ouro Preto. Droga, detesto blog-diário! Desculpe, eu não queria fazer isso. Já me exponho demais no Twitter, não quero passar isso pro blog também (tarde demais). Que seja, é uma viagem que, por uma série de motivos, sempre quis fazer. E, a medida que a hora avança (2:49), ela parece passar mais devagar. E continuo aqui parado, ou me movendo na mesma velocidade em que me movia quando o um minuto durava um minuto.

Engraçado que, ao mesmo tempo que o tempo move devagar, ele se move rapidamente. Enquanto escrevo essas bobagens, deveria estar pesquisando sobre a imigração italiana no Brasil. Quarta-feira gravarei, com alguns colegas de faculdade, um programa para a Rádio CBN, justamente sobre esse assunto. Ontem (anteontem, na verdade, são 2:52) apresentei um seminário sobre a biografia do Juscelino Kubitscheck, um livro de quase 1000 páginas. Incrível que, olhando por esse lado estudantil, o tempo voa. Me sento para escrever um trabalho que, para alcançar o tamanho que esse texto, que chegou aqui em 13 minutos, demoraria uns 30 minutos, mesmo que, pra mim, passou no mesmo tempo. O tempo é relativo, coisas que devem chegar rápido, demoram a chegar; o que deve demorar a chegar, chega rápido. O feriado em Ouro Preto vai durar o tempo que demorei para escrever essa frase. E, quando eu perceber, vou ver que não aproveitei tempo suficiente e vou sentir saudade dessa ansiedade para ver a menina que não amo.

Sim, não a amo. Por convicção? Não, por maioria de votos! Graças a democracia! PT e PSDB, Grifinórios e Sonserinos, Atlético e Cruzeiro, Aliança e Império se uniram para determinar que não a amo e nunca amei ninguém. Amor é um sentimento abstrato que pessoas que estão fora de mim, que não sabem o que eu penso, não sentem o que eu sinto, não planejam o que eu planejo sabem que eu não sinto e não tenho capacidade intelectual/espiritual/filosófica/emocional para alcançar. Sou apenas um cara jovem demais, inexperiente demais, plâncton demais, como meu chefe costuma brincar, para saber o que amor é.

Tá, cansei desse momento menininha-de-treze-anos-que-acabou-de-abrir-um-blog. Se eu continuar assim, daqui a pouco estarei ouvindo Simple Plan! São 3 horas da manhã e amanhã tenho que acordar às 9 pra terminar o trabalho!

Bom feriado a todos, até mais e obrigado pelos peixes.

Da próxima vez volto ao Meus Pensamentos que, coitado, anda abandonado, com uma postagem decente!

domingo, 10 de outubro de 2010

Uma carta para Roberto Drummond

Não te conheci pessoalmente. Na verdade, só fui apresentado a você quase cinco anos depois de você ter nos deixado. Não te conheci pessoalmente, mas, sem querer ser pretencioso, acho que poderíamos ter sido bons amigos. Pelo menos de minha parte, existiria... não, existe uma grande admiração e respeito.
Você era mineiro, como eu sou. Amava Minas Gerais e Belo Horizonte loucamente, como eu amo. Morou no Rio de Janeiro por muito tempo, como eu moro. Sonhou sempre com a volta à terra amada, como eu sonho. Você também pensava que todos os aviões que passavam por aqui estavam indo para Minas? E também queria estar num deles? E eu sei que você também era atleticano. Amou o Galo como ninguém mais, torceu contra o vento como ninguém mais...
Roberto, posso ser sincero? Não acho que você tenha partido, vitima daquele ataque cardíaco em 2002 não. Acho que você está bem vivo, tocando uma boiada pelos rincões de Minas, como escreveu certa vez que gostaria de fazer. Acho que cansou do furacão que o vento no varal atleticano se transformou nos últimos anos, e decidiu partir pelo interior, onde as dores de cabeça que nosso Galo nos dá não te afetam. Mas, você não pode voltar rapidinho, não?
Eu, um simples aspirante a grande jornalista e escritor, como você foi, queria bater um papinho com você. Queria saber de onde você tirou tanta sensibilidade, para perceber no cotidiano, fatos tão incomuns, como um papai noel que chora por um amor não correspondido, um casal que discute no meio da madrugada quem marcou o gol do Galo, um cego que torce no Mineirão. Queria tirar, de uma vez por todas, descobrir se a Hilda Furacão existiu mesmo. Queria sua ajuda para escrever uma crônica para aquela linda belo-horizontina, de pele morena e cabelos pretos, que me tira o sono, de amor e saudade. Aquela por quem eu seria capaz de fazer o que o Homem de Óculos Ray-Ban fez pela Lu, em Os Mortos Não Dançam Valsa, seu livro que eu mais gosto.
Li que você era fã do Jorge Amado, e que só fez sucesso quando tentou parar de imitá-lo. Verdade? Essa, então, seria seu conselho para mim? Que eu não tentasse me tornar um novo Roberto Drummond, como eu gostaria? Eh, sim, confesso, apaixonado por Minas e pelo Atlético, futuro jornalista e (se Deus quiser) escritor, eu gostaria de seguir seus passos. É melhor eu investir no meu próprio estilo, né? Seguirei a recomendação.
Roberto, no dia que a saudade de Belo Horizonte apertar e você desejar savassiar novamente, manda um recado. Prometo não ser um tiete, nem ficar te importunando muito. Tá, um autógrafo certamente eu pediria, mas não passaria disso. Acima de tudo, gostaria de te agradecer. Por seus livros maravilhosos. Por ter ajudado a matar um pouco da saudade de Beagá, no meu exílio carioca. Por ter traduzido, como ninguém, o que é ser atleticano.

Um grande abraço do seu fã

Lucas C. Silva

sábado, 28 de agosto de 2010

Cinderela Descalça

Por Tássia Veríssimo

O texto de hoje seria classificado pelo Lucas (o dono de blog que gentilmente me cedeu este espaço) como um texto “menininha” e ele é, mas não só. O motivo de eu ter tido vontade de publicar um texto foi que estou cansada dessa padronização das lojas que adotaram um modelo médio de fabricação de roupas e calçados que exclui todos que não se enquadram nele.

Sou do time das “baixinhas”, mas acredito que não são só as meninas pequenas que tem tido dificuldades com esse modelo vigente. Os altos(as) demais, Gordinho (as) e as meninas de pés acima da média também possuem dificuldades para se enquadrarem no modelo P,M,G que nos cerca.

É claro que não dá para achar que vão fazer modelos que caibam em todas as pessoas do mundo, mas era vital que ao menos incorporassem um PP e um GG nas fabricações. E eu digo PP com tamanho de PP e GG com tamanho de GG, porque o que eu vejo é fazerem PP de um tamanho que definitivamente não é PP.

Sei que a altura média do brasileiro aumentou, sei que as pessoas estão mais gordinhas, mas e eu? E as várias meninas magras que tem por aí? E as baixinhas? É realmente frustrante entrar numa loja e ouvir da vendedora que não tem NADA ali que caiba em você.

PeloAmorDeDeus! Eu tenho vinte um anos e a mulher me sugere comprar em loja infantil?! Não dá, né? E sapatos então. Parece que a forma média do número 34 só faz aumentar e nada das lojas se sensibilizarem de fazer numeração 33. Calçados 40 para as mulheres de pés grandes também dificilmente rola. A mim mandam nas sapatarias infantis e a elas? Será que tem de buscar sapatos masculinos para não andarem descalças?

Algumas lojas espertas já sacaram essas dificuldades e tem investido em tamanhos extra grandes, mas difícil é achar uma loja que invista em tamanho pequenos. Na boa? A Cinderela hoje em dia não teria sapato para ir ao baile, gente! O que adianta dizer que pés pequenos são delicados e bonitos e ignorar a necessidade de calçá-los.

O que eu proponho com este texto desabafo é que as meninas que como eu se sentem descriminadas pelas lojas (não importa se por ser gorda, magra, baixa ou alta) se unam e comecem a lutar por mudanças. Da minha parte eu vou encher o saco de todos que puder em busca de padronagens menos fixas no P, M e G. Pode ser que me ignorem e que não dê em nada, mas isso não desmerece o meu esforço de tentar. Quem se identificar com a causa e achar que vale a pena eu peço que se junte a mim.

É preciso mostrar que tem muita gente “fora do padrão”, mas que também é consumidor e que merece ser respeitado. Não quero ser vista pelos outros como uma menininha, uma bonequinha. Quero que me tratem como adulta e me respeitem, inclusive no direito de vestir/ calçar o que eu quiser.

Comentário do autor do blog: Não é texto de menininha! Concordo plenamente!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Luzes no céu

Já era noite quando ele chegou do trabalho. Pegou a câmera recém comprada, o tripé e subiu na cobertura do prédio, para fotografar a noite. Gostava de brincar com a longa-exposição e, já havia alguns dias, queria tirar fotos noturnas do bairro.
30 segundos de exposição, abertura 29, 30. Suficiente para pegar os rastros dos aviões que pousavam no Rio de Janeiro, cujos prédios se iluminavam para ele. Após algumas fotos, afixou a câmera no tripé e apontou para o Cristo Redentor. Naquela noite em especial, o céu estava fantástico. A lua nova, já havia descido no horizonte. O ponto mais brilhante, um planeta, talvez Júpiter, Saturno ou Vênus estava brilhando bem perto do monumento.
Ele mirou, Ajustou o foco, ajustou a iluminação, apertou o obturador. 30 segundos de espera. Foto tremida, muito clara, não era o que ele queria. Ainda não havia aprendido a ajustar aquela câmera.
Ele, então, ajustou a abertura do diafragma. Deixou o mais fechado que podia, para que a foto ficasse mais escura e o Cristo Redentor aparecesse nitidamente, não apenas uma mancha branca no visor. Ajustou o foco, disparou o obturador novamente, mais 30 segundos de espera até ver o resultado.
Enquanto esperava pela foto, ele olhava ao redor. Estava com a mente longe, talvez no relatório que tinha para entregar no trabalho, no dia seguinte, talvez na menina belo-horizontina que não amava mais, talvez nos documentos sobre OVNIs liberados pelo governo na noite anterior. Olhou então para o Cristo Redentor e teve uma surpresa.
Atrás da estátua, uma luz descia em velocidade constante. Não era um avião, não era um helicóptero, muito menos um balão. Descia em linha reta, cortando o céu com um brilho dourado. Ele arregalou os olhos. Seu queixo caiu. Tinha certeza, aquela luz cortara o céu, não era obra de sua imaginação.
O obturador da câmera continuava aberto, era inacreditável, ele estava tirando foto daquele fenômeno. Não sabia o que era, poderia ser uma estrela cadente, poderia ser um disco voador, poderia ser um satélite caindo, a nave Coração de Ouro, pouco importava. Fosse o que fosse, aquela coisa veio do espaço, esteve no espaço. Aquela era a foto de sua vida! Após mais alguns segundos, que pareciam uma eternidade, o obturador se fechou.
Ele correu a pegar a câmera, apertou o botão de rever as fotos. Decepção. Outra foto tremida, outro Cristo Redentor superexposto, nenhuma luz estranha no céu. Apenas as duas estrelas próximas, também tremidas. Ele xingou baixinho. Era o único naquela metrópole de 6 milhões de pessoas que havia visto aquilo e, sem a foto para provar, se contasse, ninguém acreditaria.
Decepcionado, guardou a câmera, desceu até seu apartamento, ligou o computador e escreveu em seu blog uma ficção sobre um fotógrafo que não conseguiu registrar um, para todos os efeitos, objeto voador não identificado, cruzando o céu do Rio de Janeiro...
Talvez como uma ficção, não pensassem que ele era louco, ou mentiroso.


Lucas C. Silva

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A tristeza do coração, de Drummond e do mar

Hoje, 16 de julho, é Dia de Minas Gerais. Para marcar a data, republicarei essa crônica que escrevi no começo do ano passado.

Hoje meu coração acordou triste. Ele batia lamentando, batia com saudade, mas saudade de que?
Seria da menina ruiva? Sim, a menina ruiva. Aquela que quando sorri, faz ele bater alegre, como se fosse explodir de felicidade. Não, aquela saudade não era da menina ruiva.
Então era de que?
Fui dar uma voltinha em Copacabana pra ver se ele se animava um pouco. Afinal, que coração não se anima com um pouco de exercício? Eu andava pelo calçadão quando olhei para cima, para o céu. Ele estava azul, um azul desbotado, desanimado e o mais engraçado, não tinha nuvens. Onde foram parar as nuvens, meu Deus? Porque, se eu quisesse deitar na areia e olhar pra cima, o que eu ia ver? Um azul triste? E onde foram parar os pássaros? Sim, os pássaros! Cadê os pardais, os bem-te-vis, as maritacas ou pelo menos as gaivotas?
E vendo o céu meu coração ficou ainda mais triste, ainda mais murchinho. Decidi então olhar para a paisagem. Vi os morros, alguns salpicados de casinhas, os prédios chegando mais perto, passando pela avenida, calçadão e o mar. Aquele marzão sem fim, com água até onde a vista alcança. Foi então que reparei outra coisa, o mar também estava lamentando.
Do mesmo jeito do meu coração, as ondas do mar quebravam tristes, lamentando algo familiar, mas que eu não percebia o que era. Cada onda nova era um lamento, quase como se estivesse chorando e suas lágrimas molhando os banhistas, que nada percebiam.
Continuei caminhando pelo calçadão e, chegando perto do arpoador, encontrei Carlos Drummond sentado naquele famoso banco de Copacabana. Pernas cruzadas, livro no colo, os óculos faltando e um olhar sério, perdido. Parecia que sentia falta de algo. Olhei em seu rosto, fitei seus olhos perdidos naquele horizonte tão bonito, então percebi do que todos sentiam falta.
Meu coração, o mar, Carlos Drummond viam um horizonte bonito, mas não um belo horizonte. Eles estavam longe de onde queriam estar, eles sentiam falta de Minas Gerais.

Lucas C. Silva

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Dia dos Namorados

12 de junho de 2009. Entre 9:30 e 10 horas da manhã.

Era uma manhã fria, apesar de ensolarada. Muita gente aproveitava o feriado prolongado de Corpus Christi pra fazer caminhada ao redor da Lagoa do Parque Municipal de Belo Horizonte. Ao passar por um casal, que aproveitava aquele Dia dos Namorados, sentado num banquinho perto da Ilha dos Amores, uma mulher com roupa de ginástica disse:
- Quanto amor!
O casal sorriu para ela, que mal sabia, mas aqueles eram os primeiros momentos dos dois juntos.
Uma série de coincidências os levou até ali. Ele, mineiro, morador do Rio de Janeiro. Ela, mineira, que passou no vestibular da universidade que ele estudava no Rio, mas que ficou por Minas mesmo. Duas pessoas que começaram a se falar via msn, meio que por acaso, e foram se aproximando e se apaixonando. Marcaram de se encontrar um dia.
- Que tal no Corpus Christi? É um feriado prolongado, poderei ir aí em Minas - disse ele.
- Uai, pode ser. Quando cai?
- Tcho ver aqui... 11, 12, 13, 14 de junho. Dia 11 vou pra minha cidade. Aí dia 12 vou aí em Beagá.
O que nenhum dos dois se lembrava, era que o dia 12 de junho era o Dia dos Namorados.
Ele, sem jeito, sentado ao lado dela, esticou seu braço e pegou a mão da menina. Ela não resistiu. Ele, sem jeito, sentado ao lado dela, deitou a cabeça em seu ombro. Ela deixou. Ele, sem jeito, sentado ao lado dela, começou a acariciá-la. Ela retribuiu. Paixão inocente, sem segundas intenções. Apenas troca de carinho e de palavras doces.
Naquele momento, a ficha caiu para ele. Não era um sonho, não era uma idealização. Ele estava ali, ao lado dela, deitado no ombro dela, como sempre quis, de mãos dadas com ela, como sempre quis, fazendo e recebendo carinho dela, como sempre quis. A felicidade existia, e não dependia de dinheiro, nem luxos, nem nada daquilo. Bastava a menina que tanto adorava e um banquinho ao lado de uma lagoa num parque.
O momento se foi para sempre. Passou um dia, que se transformou numa semana. A semana se juntou a outras e se transformaram num mês. Os meses foram se sucedendo até chegarmos no dia de hoje, quando completa um ano.
Foi-se o parque, foi-se a menina, foi-se o amor. Sobrou apenas o rapaz, sua saudade e suas lembranças.

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso há momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis"
Citação de Fernando Pessoa na dedicatória escrita no livro que ela deu a ele naquela manhã.

Lucas C. Silva